<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414</id><updated>2011-07-31T04:12:41.427-07:00</updated><category term='Política Internacional'/><category term='IPEA'/><category term='PNDH'/><category term='Bourdieu'/><category term='Trabalho'/><category term='Preconceito'/><category term='Florestan Fernandes'/><category term='Desigualdade'/><category term='Naomi Klein'/><category term='Democracia'/><category term='Livros'/><category term='Xenofobia'/><category term='Humanidades'/><category term='Luiz Felipe de Alencastro'/><category term='Nietzsche'/><category term='Lula'/><category term='Prisão'/><category term='Partidos'/><category term='Foucault'/><category term='Violência'/><category term='Religião'/><category term='história'/><category term='Agamben'/><category term='Rancìere'/><category term='LGBT'/><category term='Artigo'/><category term='Suicídio'/><category term='Mulheres'/><category term='Fascismo'/><category term='Neoliberalismo'/><category term='Sociologia'/><category term='Bolsa-Família'/><category term='Pornô'/><category term='Crítica'/><category term='Biopolítica'/><category term='Contemporaneidade'/><category term='Cotas'/><category term='Choque'/><category term='Ensaio'/><category term='Poema'/><category term='Aborto'/><category term='Corpo'/><category term='Corrupção'/><category term='Silêncio'/><category term='Política'/><category term='Escritura'/><category term='Entrevista'/><category term='Ideologia'/><category term='nudez'/><category term='Classes'/><category term='Alain Touraine'/><category term='Body Scanners'/><category term='Individualismo'/><category term='Cultura'/><category term='Prólogo'/><category term='Futebol'/><category term='Identidades'/><category term='Capitalismo'/><category term='Chile'/><category term='Relato'/><category term='Crise'/><category term='Filosofia'/><category term='Copa do Mundo'/><category term='Devir'/><category term='Lucian Freud'/><category term='Conservadores'/><category term='Pesquisa'/><category term='Ensino'/><category term='Pintura'/><category term='Feminismo'/><category term='Tempo'/><category term='Discurso'/><category term='Gênero'/><category term='Vocação'/><category term='Produção acadêmica'/><category term='Experiência'/><category term='Brasil'/><category term='Professores'/><category term='Escola'/><category term='Esquerda'/><category term='Ciência Política'/><category term='Conhecimento'/><category term='Avatar'/><category term='Ciência'/><category term='Ditadura'/><category term='Marina'/><category term='Zizek'/><category term='Censura'/><category term='Fotografias'/><category term='´Fascismo'/><category term='Imprensa'/><category term='Bildungsroman'/><category term='Profanação'/><category term='Norbert Elias'/><category term='Nada'/><category term='Homofobia'/><category term='Bibliometria'/><category term='Judith Butler'/><category term='Wallerstein'/><category term='Ecologia'/><category term='Cinema'/><category term='Avaliação'/><category term='Fotogenia'/><category term='Mídia'/><category term='Ressentimento'/><category term='Walter Benjamin'/><category term='Eleições'/><category term='Educação'/><category term='Racismo'/><category term='Goethe'/><category term='Vladimir Safatle'/><category term='Utopias'/><category term='Pergunta'/><category term='Jessé de Souza'/><category term='Serra'/><category term='PNDH III'/><category term='Direitos Gays'/><category term='Banalidade'/><category term='Eduardo Galeano'/><category term='Carnaval'/><category term='Luiz Werneck Vianna'/><category term='Fundamentalismo'/><category term='PT'/><category term='Arte'/><category term='Richard Sennett'/><category term='Boris Casoy'/><category term='Espetáculo'/><category term='Haiti'/><category term='Culpa'/><category term='Estética da existência'/><category term='Universidade'/><category term='Liberdade'/><title type='text'>HETEROTOPIAS</title><subtitle type='html'>Teoria, Cultura &amp;amp; Sociedade</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>104</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-3360070283349746588</id><published>2011-02-11T07:18:00.000-08:00</published><updated>2011-02-11T07:18:49.062-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Liberdade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><title type='text'>Sobre a liberdade de imprensa e seus inconvenientes</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-n2WFEl7N-Zs/TVVTRvHN-II/AAAAAAAAAQM/U6aaM4JD5qo/s1600/imprensa.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-n2WFEl7N-Zs/TVVTRvHN-II/AAAAAAAAAQM/U6aaM4JD5qo/s1600/imprensa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos temas mais recorrentes e típicos  das modernas sociedades democráticas é o da liberdade de imprensa. Em  seu nome, aturamos uma série de sandices e nulidades diárias; atentados à  inteligência, espetáculos de histeria, fraseologias preconceituosas,  explorações torpes da miséria e ignorância alheia, etc.. A liberdade de  imprensa é uma impertinência, mas há de se saber conviver com ela e,  sobretudo, de saber defendê-la. Por tais circunstâncias que, volta e  meia, ela desponta no âmbito da opinião pública com seu peculiar vigor.  Ao seu redor, cercam-se distintos interesses ideológicos e palavras de  ordem, de maneira que ela é chacoalhada para todos os lados do espectro  político. Os mais à direita tomam-na como uma garantia indispensável à  democracia, e que, por isso, assim dizem, deve ser protegida e mantida  imaculada da interferência impura do Estado. Os mais à esquerda, por sua  vez, exclamam por mais responsabilidade, imparcialidade, pluralismo e  compromisso com a objetividade e a qualidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na maioria das vezes, no meio desse  burburinho de interesses políticos, financeiros e ideológicos, nós,  cidadãos democráticos, ficamos um tanto quanto desorientados acerca da  validade e do real conteúdo e finalidade desses posicionamentos. E,  naturalmente, o que deveria ser transparente, torna-se obscuro ou  simplesmente cansativo. Portanto, sejamos mais precisos com respeito a  alguns pontos acerca da liberdade de imprensa e sua relação com a  sociedade brasileira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em primeiro lugar, penso que a liberdade  de imprensa, defendida com tanto ardor e convicção pela direita  brasileira, é, a meu ver, excessiva e irrefletidamente superestimada.  Trata-se, de fato, de uma conquista importante e imprescindível.   Contudo, na maior parte das sociedades, ela foi uma conquista sem  maiores custos se posta ao lado de outras, tais como os direitos  trabalhistas, que foram conquistados, em todo mundo, graça a um volume  de energia social e sangue incomparáveis. Com isso, de modo algum quero  sustentar sua abolição por conta de sua banal e convencional  relevância,&amp;nbsp; nem também desmerecer e desconsiderar o papel político e  cultural inconteste que jornalistas e escritores exerceram, no uso da  imprensa, em favor da justiça e da democracia contra regimes  autoritários. Muito pelo contrário. A provocação e ironia aqui visam,  mais do que suprimir a liberdade de imprensa, lhe retirar a auréola de  santidade que lhe foi posta; pois se por um lado a liberdade de imprensa  serviu para articular e encorpar a luta pela liberdade e justiça, por  outro, ela serviu também para propagandear inverdades, preconceitos e  boatos que arruinaram vidas e países, ou simplesmente para alavancar as  taxas de lucros de algum pequeno grupo de investidores e empresários em  total detrimento do esclarecimento da maior parte da população.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De um modo geral, a imprensa, ou melhor,  a dita “grande mídia”, no Brasil, não adota a mesma postura crítica,  com que costuma combater às iniciativas por parte do Estado em promover  marcos regulatórios sobre a comunicação social, quando se trata de  criticar suas próprias contradições internas – que bem poderíamos chamar  dos verdadeiros ataques à liberdade de expressão. Pensemos no grau de  influência, ou melhor, de controle na linha editorial que determinados  grupos ideológicos, comprometidos com os oligopólios midiáticos,  exercem; ou ainda, o empobrecimento da pluralidade e da consistência e  do potencial educativo e cultural dos conteúdos informativos por conta  de uma política comunicacional voltada mais ao entretenimento, ao  sensacionalismo e à velocidade dos lucros do que com a qualidade, a  objetividade e a mínima reflexão maturada. O que dizer do fato  deplorável de que a revista de maior circulação do Brasil, ou melhor, o  Grupo Abril, do qual a &lt;em&gt;Veja &lt;/em&gt;faz parte, possuir como o maior  detentor de suas ações, uma empresa que apoiou e contribuiu abertamente o  regime de Apartheid na África do sul? Ora, quem quer que se valha de  tais métodos e relações espúrias não está tão preocupado com a proteção  da chamada liberdade de expressão, quanto está com a defesa de  determinados interesses financeiros e políticos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, a liberdade de imprensa que  de fato importa à “grande mídia” mais não é do que a liberdade de  expressão dos grupos ideológicos e econômicos que a financiam. Daí,  concluímos duas coisas: primeiro, que a liberdade de expressão, nesses  espaços, somente é usufruída por aqueles sujeitos (intelectuais,  artistas, jornalistas) que confirmam os conceitos e os consensos  pré-estabelecidos a serem difundidos e defendidos sob o disfarce de  “opinião pública”, de verdade, de justiça etc.. Deriva disso a sensação  de repetição que caracteriza as abordagens da “grande mídia”. Segundo,  que a defesa da liberdade de imprensa é, na verdade, pura demagogia,  pois o objeto real de preocupação e defesa consiste na manutenção do  monopólio dos meios de comunicação nas mãos de alguns poucos grupos  familiares e empresariais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Imaginem agora vocês, o impacto, que  essas, e tantos outras práticas comuns na “grande mídia”, não fazem à  vida política e cultural da sociedade. Se há no quadro que esbocei  alguma plausibilidade e razoabilidade mínima, será que não deveríamos  prestar mais atenção e levar mais a sério as reivindicações por uma  maior regulação na comunicação social, no sentido de sua maior abertura,  democratização e descentralização? Afinal de contas, quantos de nós não  aceitamos como correto e indispensável a regulação do Estado contra a  fome capitalista e seu avanço no meio ambiente, então, por que não seria  igualmente correto e indispensável pensar o mesmo em relação à produção  e atividade da imprensa?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-3360070283349746588?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/3360070283349746588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2011/02/sobre-liberdade-de-imprensa-e-seus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3360070283349746588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3360070283349746588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2011/02/sobre-liberdade-de-imprensa-e-seus.html' title='Sobre a liberdade de imprensa e seus inconvenientes'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-n2WFEl7N-Zs/TVVTRvHN-II/AAAAAAAAAQM/U6aaM4JD5qo/s72-c/imprensa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-1321405878793824172</id><published>2011-02-04T07:37:00.000-08:00</published><updated>2011-02-04T07:37:25.469-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Preconceito'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><title type='text'>Os argumentos do preconceito e as políticas de reconhecimento</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TUwdD16b3vI/AAAAAAAAAQI/IS_vZbZbIHU/s1600/gigante_pisando_small112.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TUwdD16b3vI/AAAAAAAAAQI/IS_vZbZbIHU/s320/gigante_pisando_small112.jpg" width="256" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Nas primeiras semanas de 2011, os odiosos sentimentos do preconceito, que a despeito de sua  presença disfarçada e não-confessada na sociedade brasileira, lhe é uma  das mais profundas e arraigadas marcas, transmutaram-se em lamentáveis  atos; as agressões contra homossexuais na Av. paulista e as ameaças  contra a Escola de Samba cujo enredo deste ano homenageia o Nordeste e  os nordestinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como dissemos acima, o preconceito, em  suas diversas manifestações, desfruta, na sociedade brasileira, de um  considerável acúmulo histórico urdido sob a forma do sofrimento, da  exclusão, do esquecimento e da subordinação inscritos nos corpos e no  cotidiano de muitas pessoas. Porém, tal acúmulo empírico de sofrimento  social e desestima moral, registrado da maneira mais desonrosa possível,  parece não ser suficiente, segundo a estreita mentalidade de alguns  cérebros, estúpidos ou simplesmente mal-intencionados, para suscitar  certa receptividade quanto à urgência e necessidade de uma avaliação e  mudança nas estruturas normativas de nossa sociedade presente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desse modo, iniciativas e projetos de  lei como PNDH-III ou o PLC 122 (chamado de AI-5 “gay” pelos detratores),  que buscam promover um questionamento e uma modificação dos horizontes  de nossas noções morais, além de proteger e assegurar as condições para o  devido e legítimo reconhecimento dentro da sociedade de agrupamentos de  pessoas histórica e socialmente desprestigiados e lesados pelo  desrespeito, preconceito e pela estigmatização sistemática, são  constantemente, atacados, desvirtuados, aviltados e desclassificados,  tanto na mídia hegemônica como no cotidiano das conversas. Para tal, os  conservadores costumam recorrer aos mais esdrúxulos malabarismos  retóricos, pseudo-reflexivos, que mais não fazem do que confirmar a  urgência de tais projetos e a presença bruta e revoltante do  preconceito, da discriminação no Brasil e, obviamente, da ignorância  contagiosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos mais comuns e prediletos  argumentos dos diletantes conservadores, como Reinaldo Azevedo, em sua  arte no contorcionismo retórico, é o pretenso argumento segundo o qual  tais projetos ou leis gerariam ou isolacionismo dos ditos grupos  discriminados ou uma espécie de preconceito às avessas.  Ou seja,  denunciam uma suposta contradição de acordo com a qual o projeto que  tencionaria combater o preconceito acabaria, nos moldes pelos quais está  formulado, por gerar ainda mais preconceito ao formalizar e alimentar  antagonismos e acirramentos. O caso das cotas nas Universidades é  contundente nesse sentido. Como característico do pensamento  conservador, seus defensores querem, com esse argumento, manter os  antagonismos, acirramentos, as relações de dominação e de assimetria  velados, não-tematizados, mantê-las às escondidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro dos argumentos prediletos diz  respeito à propalada liberdade de expressão, musa venerada das  sociedades liberais e cuja fragilidade faz de sua defesa e proteção,  principalmente por parte da imprensa, assemelhar-se ao empenho com que  os esmerados pais e irmãos mais velhos dedicavam à virgindade de suas  filhas e irmãs nos anos 50. Assim, os ditos conservadores esperneiam e  alardeiam sobre o “autoritarismo” de tais leis e iniciativas que,  segundo seu entendimento, objetivam controlar e cercear o direito de  “crítica”, de expressão, de discordância e de manifestação de valores e  opiniões contrárias a determinadas práticas, hábitos ou modos de vida. O  curioso é que geralmente os mesmos que esbravejam indignados contra o  suposto autoritarismo latente em projetos como a Lei contra a Homofobia,  esses “defensores da liberdade esclarecida”, também clamam, em tempos  em tempos, pela necessidade do Estado possuir um poder de vida e de  morte como medida para coibir os crimes violentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na defesa do indefensável, muitos são os  malabarismos argumentativos, que embora rasos, gozam de poderosa e  fácil entrada no mundo da opinião corrente. O que me espanta e intriga é  o que subjaz como comum nesses descontentamentos ressentidos  disfarçados de incômodos “democráticos”; uma espécie de reivindicação do  direito ao ódio legitimado através da condição de distinção social pela  desqualificação do outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De algum modo, certas classes de pessoas  acreditam, como se fosse um tipo de convicção interior, que elas  possuem o direito de odiar, ou de sentirem-se superiores, a outros tipos  de pessoas, pois em grande medida tal ódio à diferença constitui aquilo  mesmo que elas pensam ser sua própria singularidade. Elas se imaginam  detentoras exclusivas de determinadas qualidades e atributos humanos  socialmente valorizados, como autonomia, dignidade e liberdade, caráter,  inteligência, êxito etc..&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Assim, toda iniciativa de mudança que  vise atingir as estruturas normativas da sociedade a fim de alargar o  espectro social, étnico e de gênero quanto ao reconhecimento moral sofre  inelutavelmente infindos ataques, pois o que está em jogo é a  manutenção de um arraigado sentimento de distinção cuja satisfação é  desfrutada mediante o olhar de medição que comprove a distância social e  a superioridade moral entre determinados “tipos” de pessoas – héteros e  gays, paulistas e nordestinos. O argumento do preconceito é a tentativa  conservadora de preservar intacto tal sentimento assim como as  condições sociais, normativas, econômicas e políticas de distinção e  superioridade através da crença no monopólio de certos atributos e  qualidades humanas. Uma vez desconstruída essa crença, com o auxílio da  crítica e, sobretudo, das injunções normativas no plano legal e da moral  social, emergem as condições imprescindíveis para o estabelecimento de  uma igualdade e reconhecimento mútuo e compartilhado para tratar uma  pessoa com o mesmo respeito e igual consideração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-1321405878793824172?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/1321405878793824172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2011/02/os-argumentos-do-preconceito-e-as.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/1321405878793824172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/1321405878793824172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2011/02/os-argumentos-do-preconceito-e-as.html' title='Os argumentos do preconceito e as políticas de reconhecimento'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TUwdD16b3vI/AAAAAAAAAQI/IS_vZbZbIHU/s72-c/gigante_pisando_small112.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-2897257753726869110</id><published>2010-10-14T12:57:00.000-07:00</published><updated>2010-10-14T13:05:13.090-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eleições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><title type='text'>Os perigos do casamento entre o "falso moralismo e a política"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TLdgYFg6nCI/AAAAAAAAAP8/z7hzNezW17Q/s1600/falso.jpg" imageanchor="1" style="cssfloat: left; height: 187px; margin-left: 1em; margin-right: 1em; width: 279px;"&gt;&lt;img border="0" ex="true" height="209" src="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TLdgYFg6nCI/AAAAAAAAAP8/z7hzNezW17Q/s320/falso.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos já devem estar cansados e entediados do rumo fundamentalista e da ladainha beata&amp;nbsp;pelo qual o debate eleitoral enveredou nos últimos dias. A discussão de temas polêmicos, como o aborto, por exemplo, é instrumentalizada de uma forma tão espúria, rasa e cheia de dedos, que a superficialidade e o interesse eleitoral dos candidatos tornam-se triste e exageradamente claros. Tudo é demasiado falso, demasiado forçado, demasiado hipócrita. Mas isso não é o pior.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo essa disputa para ver quem é o “fiel mais reto” aos olhos Deus (Povo) sendo uma chatice repetitiva e que, momentaneamente, vem fazendo do Brasil uma espécie de Estado Confessional, convém insistir e prestar um pouco mais de atenção ao que está ocorrendo, pois, como bem alertou o prof. Edmilson em seu &lt;a href="http://blogdoedmilsonlopes.blogspot.com/2010/10/brincando-com-o-fundamentalismo.html"&gt;blog&lt;/a&gt;, ela pode nos trazer conseqüências nefastas. Destaco duas:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira das conseqüências incide diretamente no reforço de nossa imaturidade política. Em vez de pautar-se pelo aprendizado de determinadas disposições e posturas, tais como o distanciamento face às convicções privadas ou, pelo menos, de saber colocar estas entre parênteses quando se trata de questões públicas, as campanhas e debates eleitorais, neste 2º turno, caminham num sentido inverso. Portanto, os candidatos prestam um desserviço à sociedade e a eles próprios; eles alimentam a miséria e a imaturidade política da sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A&amp;nbsp;segunda conseqüência nefasta desse &amp;nbsp;casamento,&amp;nbsp;ou contrato,&amp;nbsp;entre falso moralismo e política&amp;nbsp; diz respeito&amp;nbsp;a produção, no seio da sociedade, dos partidos e da imprensa em geral, de uma cultura política inquisitorial de perseguição e difamação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dessa maneira, as competências, idéias e projetos que deveriam constituir o coeficiente real de avaliação dos políticos são solapados por uma vontade de saber moralista e pastoral que esquadrinha as opiniões, as crenças pessoais, os deslizes e&amp;nbsp;a biografia dos candidatos. Uma cultura de escrutínio político à procura das pequenas faltas, dos pecados de opinião, dos erros familiares, dos maus e perigosos amigos, tudo isso que a Veja e outros veículos do PIG estão fazendo nas últimas semanas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A lógica da suspeita e da difamação interesseira, o clima de patrulhamento moral e o ímpeto de caça às bruxas em nada contribuem para uma sociedade democrática coesa, madura e tolerante quanto às diferenças. Pelo contrário, não esqueçamos que as práticas mencionadas acima são típicas de regimes de exceção. Elas foram e continuam ser as principais armas utilizadas para estigmatizar e perseguir minorias. O desespero por votos não vale os riscos que estamos alimentando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-2897257753726869110?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/2897257753726869110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/10/os-perigos-do-casamento-entre-o-falso.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2897257753726869110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2897257753726869110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/10/os-perigos-do-casamento-entre-o-falso.html' title='Os perigos do casamento entre o &quot;falso moralismo e a política&quot;'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TLdgYFg6nCI/AAAAAAAAAP8/z7hzNezW17Q/s72-c/falso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-8882033048823414208</id><published>2010-10-13T10:29:00.000-07:00</published><updated>2010-10-13T10:29:15.725-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Preconceito'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eleições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Direitos Gays'/><title type='text'>Quem tem medo dos direitos gays?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TLXsVCGRw-I/AAAAAAAAAP4/qvv7GuTtaS8/s1600/gay.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ex="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TLXsVCGRw-I/AAAAAAAAAP4/qvv7GuTtaS8/s1600/gay.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #3d85c6;"&gt;Bem, acredito que o tema deveria estar em pauta, principalmente no debate presidencial… Porém, enquanto os políticos não tem coragem de levar o tema ao debate público, fiquemos com ótima análise do Prof. do Departamento de Ciências Sociais da UFRN, Alípio de Sousa Filho sobre a questão dos direitos gays. Enfim, é isso. Vamo que vamo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é novidade e igualmente não é estranho que conservadores e reacionários se manifestem todas as vezes que transformações sociais e políticas, jamais pensadas por eles, alterem leis, instituições e convenções sociais e morais que acreditavam imutáveis. Atualmente, na sociedade brasileira, torna-se possível verificar a reação conservadora a propósito de importantes modificações em âmbitos diversos, mas talvez nenhuma outra mudança incomode tanto quanto a materializada pelo avanço dos direitos gays e por políticas públicas voltadas a lésbicas, gays e travestis e transexuais implementados pelas diversas esferas do poder público no país. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A irritação conservadora leva a que os cães de guarda da moral rabugenta (fonte de opressões, discriminações e violências praticadas contra muitos) ataquem governantes, parlamentares, militantes, cientistas e intelectuais por suas decisões, iniciativas e posicionamentos críticos em defesa de grandes parcelas da sociedade que permanecem discriminadas e excluídas: entre outros, negros, homossexuais, travestis, transexuais, indígenas e mulheres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No tocante especificamente à questão gay, temos uma verdadeira cruzada moral dos conservadores contra diversas iniciativas importantes do governo federal, em programas de ministérios, secretarias, contra iniciativas de governos estaduais, de deputados e senadores que, entre outros programas e projetos de lei, criaram o Brasil Sem Homofobia, medidas administrativas que reconhecem os direitos gays ou propõem, em projetos de legislação, o estatuto de casamento para as uniões homossexuais ou a tipificação do crime de homofobia. Visando instalar o pânico moral, os conservadores, em seu fundamentalismo, pretendendo subordinar o Estado, o Direito e a Lei a crenças religiosas e convicções morais particulares, atacam essas iniciativas, qualificando-as de “escândalo”, “decadência”, “tentativas de institucionalização de aberrações sexuais”, “legitimação de condutas indecentes”, entre outras pérolas do discurso ideológico-conservador, que, de tão atrasado, faz rir. Ora, se há que se falar de decadência, que esta seja entendida como a reação conservadora a transformações que colocarão o Brasil ao lado das nações civilizadas do mundo que já instituíram os direitos gays: Espanha, França, Alemanha, Suécia, Holanda, entre outros. A sociedade brasileira não pode, por decadência de seus conservadores rabugentos, ficar ao lado de nações como Malauí, Uganda e Irã que praticam atrocidades contra homossexuais, delas como prisão e pena de morte, por pretendida defesa da moral, da decência e de valores religiosos. E por qual razão há que se admitir valores religiosos (sempre particulares, são diversas as crenças religiosas, e, na sociedade, há os que nenhuma religião professam!) para definições da lei, do direito e para conceitos e práticas da sexualidade? Por que cargas d’água terá o indivíduo (qualquer ele) que ver seus direitos (em todos os âmbitos) subtraídos em razão de crença religiosa alheia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim, desesperados, reconhecendo que não haverá retrocesso, os conservadores alardeiam sua histeria, proclamando que gays, lésbicas e travestis, com apoio de governos, políticos e intelectuais, instituirão cenas “aberrantes” de carinhos gays em público e ainda levarão à prisão todos aqueles que ousarem hostilizá-los por isso. Que querem os conservadores: o direito de insultar, agredir, discriminar, violentar (como sempre fizeram até aqui!) gays, lésbicas, travestis e transexuais, impedindo-os de exercerem livremente seus desejos e afetos, publicamente, como podem fazer aqueles a quem certa moral dominante chama de heterossexuais e entrega a estes todos os direitos? Não!, fiquem certos, senhores conservadores, daqui por diante, não será mais assim: leis e novas mentalidades, no Brasil e em diversas partes do mundo, impedirão a discriminação homofóbica e assegurarão liberdades e direitos devidos aos homossexuais, travestis e transexuais!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado originalmente na Tribuna do Norte e pescado no &lt;a href="http://www.cartapotiguar.com.br/?p=961#more-961"&gt;Carta Potiguar&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-8882033048823414208?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/8882033048823414208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/10/quem-tem-medo-dos-direitos-gays.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/8882033048823414208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/8882033048823414208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/10/quem-tem-medo-dos-direitos-gays.html' title='Quem tem medo dos direitos gays?'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TLXsVCGRw-I/AAAAAAAAAP4/qvv7GuTtaS8/s72-c/gay.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-765202249993591178</id><published>2010-10-08T05:34:00.000-07:00</published><updated>2010-10-08T05:48:10.409-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Censura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Classes'/><title type='text'>Censura!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TK8PzZqFk2I/AAAAAAAAAP0/5CE35aWwQTQ/s1600/censura.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="197" src="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TK8PzZqFk2I/AAAAAAAAAP0/5CE35aWwQTQ/s200/censura.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A psicanalista, Maria Rita Kehl, foi demitida pelo jornal &lt;i&gt;O Estado de S. Paulo&lt;/i&gt;, depois de escrever um pequeno artigo - leia-o&lt;i style="color: #3d85c6;"&gt; &lt;a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php#noticia"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; - sobre a "desqualificação" dos votos dos pobres. Desqualificação essa posta em marcha e agitada pela própria impresa e, sobretudo, pelas chamadas "correntes" de email. O curioso é que essa imprensa, que demite por causa de divergência de opinião, é a mesma que esperneia aos quatros cantos sua suposta condição de ameaça de cerceamento e censura pelo governo Lula.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Deve ser duro para &lt;i&gt;O Estado de S. Paulo&lt;/i&gt; tem que engolir de uma só vez, por um lado, o fato inconteste de que agora&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; "os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha  da mendicância e da dependência das relações de favor", e que, por isso, votam em causa própria, raciocinam e agem segundo a defesa de seus interesses e, por outro, que intelectuais do porte de Maria Rita Kehl defendam as políticas sociais responsáveis por sua nova situação. A pressão de "baixo pra cima" que os mais pobres e os movimentos sociais exercem contra as elites se tornou, graças ao governo Lula, mais frequente, mais forte e, especialmente, assegurada como legítima e respaldada pelo governo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O poder sobre os "corações e as mentes" que a imprensa advoga como sua prerrogativa é cada vez mais questionado.&amp;nbsp; A ela resta, por meio de ações preconceituosas, autoritárias e falaciosas, tentar rebaixar as iniciativas dos mais pobres, perseguir aqueles que tentam pensar contra os preconceitos vigentes e conturbar e inventar crises para enfraquecer o governo em relação à sociedade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-765202249993591178?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/765202249993591178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/10/censura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/765202249993591178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/765202249993591178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/10/censura.html' title='Censura!'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TK8PzZqFk2I/AAAAAAAAAP0/5CE35aWwQTQ/s72-c/censura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-4758787408075025482</id><published>2010-10-07T05:44:00.000-07:00</published><updated>2010-10-07T05:51:00.054-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eleições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luiz Werneck Vianna'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista: Luiz Werneck Vianna: "O PV sai como o novo partido nacional.".</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TK3AjeBVxWI/AAAAAAAAAPw/LYQtki_cJls/s1600/luiz-werneck-vianna.gif" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TK3AjeBVxWI/AAAAAAAAAPw/LYQtki_cJls/s1600/luiz-werneck-vianna.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #3d85c6; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Já que as eleições e o PV ocupam o topo da agenda do momento, então vamos a uma entrevista pelo sempre claro e preciso sociólogo Luiz Werneck Vianna, realizada pelo Instituto Humanitas Unisinos. Confiram!&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #3d85c6; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;IHU On-Line – No seu ponto de vista, o segundo turno para a presidência era esperado?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Werneck Vianna –&lt;/b&gt; Não, não era esperado. Todas as pesquisas balizavam outra direção e eu não tinha elementos para me contrapor a elas. Havia, sim, uma possibilidade remota, que se concretizou. Vamos ao segundo turno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;IHU On-Line – Quais são as forças políticas que saem fortalecidas e enfraquecidas deste primeiro turno?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Werneck Vianna –&lt;/b&gt; O &lt;b&gt;PV&lt;/b&gt; foi muito forte, sai como o novo partido nacional. De modo que a tal polarização entre &lt;b&gt;PSDB&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;PT&lt;/b&gt; está afastada. Além do mais, o &lt;b&gt;PMDB &lt;/b&gt;está muito forte, com a possibilidade de, caso a &lt;b&gt;Dilma&lt;/b&gt; vença, ter a vice-presidência. Então, é falsa a suposição de que teremos dois partidos. Temos um quadro pluripartidário bem estabelecido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;IHU On-Line – Como o senhor caracteriza o tipo de voto que Marina recebeu? O eleitor dela poderá ser conquistado com que tipo de discurso?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Werneck Vianna –&lt;/b&gt; Para conquistar o eleitorado do &lt;b&gt;PV&lt;/b&gt;,&amp;nbsp;será preciso um discurso de novo tipo. Depois do resultado das eleições, a &lt;b&gt;Marina&lt;/b&gt; fez um pronunciamento em que marcou bem que estamos diante de uma política nova no país. E ela está certa quando fala do que chama de “política do século XXI”. Não é à toa que ela foi tão bem recebida especialmente pela juventude. Tem de tudo no voto dela, mas o voto juvenil é muito poderoso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="1" class="MsoNormalTable" style="margin-left: 0px; margin-right: 0px; text-align: left; width: 200px;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;   &lt;td style="padding: 0.75pt;"&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;IHU On-Line – O que demonstra o fraco desempenho do DEM e do PSOL nessa campanha?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Werneck Vianna –&lt;/b&gt; Não creio que o &lt;b&gt;PSOL&lt;/b&gt; tenha tido um fraco desempenho. Seu candidato a presidente da República teve um bom desempenho, marcou posição. E deu mais um passo para consolidar o &lt;b&gt;PSOL&lt;/b&gt;. Ele não se esfarelou de modo algum, tem uma representação qualificada. Quanto ao &lt;b&gt;DEM,&lt;/b&gt; será que ele foi extinto tendo ganho dois governos estaduais e uma representação congressual ainda presente, embora menor do que a anterior? Ele está aí, pronto para ressurgir em outros cenários eleitorais. &lt;b&gt;Dilma&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Serra&lt;/b&gt; eram candidatos muito fortes, tal como ficou claro. O &lt;b&gt;PT&lt;/b&gt; ganhou uma expressão no Senado e no Congresso maior do que tinha, com governadores e uma candidata à presidência no segundo turno. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que fica evidente é que essa campanha foi muito modorrenta, sem emoção, sem controvérsias. Os dois candidatos se parecem muito (&lt;b&gt;Dilma&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Serra&lt;/b&gt;) e foram também muito pautados pelos marqueteiros. Entre os dois o eleitor terá uma tendência maior em reiterar o voto na &lt;b&gt;Dilma&lt;/b&gt;. Tudo vai depender de como a &lt;b&gt;Marina&lt;/b&gt;, muito mais do que o &lt;b&gt;PV&lt;/b&gt;, vai se situar. O processo está muito em aberto ainda. Qualquer previsão sobre quem ganhará é muito arriscada. O que já se sabia, e que começa a se reafirmar agora com mais força, é que vamos ter um cenário político sem a presença do &lt;b&gt;Lula &lt;/b&gt;como maior protagonista. Isso é novo no país. Acredito que a personalidade do candidato importa muito. O &lt;b&gt;Partido Verde&lt;/b&gt; não teria essa representação eleitoral não fossem as qualidades pessoais da &lt;b&gt;Marina&lt;/b&gt;. Isso importa muito em uma eleição. Não é que ela tenha carisma; ela até tem um pouco. Mas não se trata disso. Ela tinha o que dizer, tinha uma proposta nova. Enquanto que &lt;b&gt;Dilma&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Serra&lt;/b&gt; são tão parecidos. Eu venho dizendo isso desde as primeiras entrevistas que dei a vocês. São candidatos com perfis semelhantes, dois excelentes administradores, mas que não têm a faísca da política, como tem o &lt;b&gt;Lula&lt;/b&gt; e como tem a &lt;b&gt;Marina&lt;/b&gt;, conforme se viu agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="1" class="MsoNormalTable" style="margin-left: 0px; margin-right: 0px; text-align: left; width: 200px;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;   &lt;td style="padding: 0.75pt;"&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;IHU On-Line – O senhor acredita que a política cedeu lugar para a administração? As pessoas hoje preferem votar em bons administradores ao invés de bons políticos?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Werneck Vianna –&lt;/b&gt; Não, não. A votação na &lt;b&gt;Marina&lt;/b&gt; indica outra tendência. &lt;b&gt;Serra&lt;/b&gt; tem uma história política muito poderosa. Foi secretário, deputado, ministro, senador, prefeito, governador. É uma história muito densa e sempre com êxito na administração pública. &lt;b&gt;Dilma&lt;/b&gt; tem uma história menos densa, mais curta, mas também com uma trajetória de administradora bem sucedida, por exemplo, aí no &lt;b&gt;Rio Grande do Sul&lt;/b&gt;, na Casa Civil e no Ministério de Minas e Energia. No entanto, os dois nessa eleição não conseguiram emocionar. As ruas estavam desertas, ao contrário de outros momentos da vida política brasileira, de outras sucessões presidenciais. Foi quase indiferente. Foi uma sucessão que, até então, transcorre sem uma controvérsia forte, que começa com um candidato da oposição botando no seu programa eleitoral o presidente da República, que é o chefe do partido da situação. Na verdade, &lt;b&gt;Serra&lt;/b&gt; quis ganhar se apresentando como mais experiente na administração. Isso não foi suficiente. Chegou ao segundo turno não tanto pelas suas virtudes, mas pela irrupção da Marina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;IHU On-Line – Tiririca fez mais votos para deputado federal do que Plínio para presidente. Qual o significado desse dado e desse tipo de voto em um candidato como o Tiririca?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Werneck Vianna –&lt;/b&gt; Foi voto de protesto, de afastamento quanto ao processo eleitoral. O voto no &lt;b&gt;Tiririca &lt;/b&gt;é um voto crítico. É como se o eleitor dissesse: “eu não tenho nada com isso, sou obrigado a votar, então escolho um candidato que representa uma nota sarcástica em relação a esse processo eleitoral”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;IHU On-Line – Por que o senhor acha que os programas de governo se tornaram secundários neste pleito?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Werneck Vianna –&lt;/b&gt; Porque o tema geral desse pleito foi a continuidade. Continuar os programas é algo que já está subentendido na prática de cada um, que é a necessidade de ter mais programa social, mais segurança e um elenco de questões com as quais os marqueteiros pautaram os candidatos. Qual o projeto de país, que país se quer viver, como se pensa a política, foram discussões que eles não colocaram. Só quem colocou isso foi a &lt;b&gt;Marina&lt;/b&gt;. É evidente que ela colocou isso ainda de maneira muito superficial. O que ela entende de fato por democracia sustentável? Ela terá que traduzir isso. E também que política do século XXI é essa que ela alardeia? De qualquer forma ela tem uma semente. O que ela fará com isso vai depender dela em decisão conjunta com seus intelectuais, sendo alguns deles muito qualificados, como &lt;b&gt;Luiz Eduardo Soares&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Ricardo Paes de Barros&lt;/b&gt;, além de outros muito competentes que se alinharam com ela nessa campanha. Eles precisam, junto dela, decidir o que fazer com esse patrimônio que caiu no colo nessa sucessão. Fazer um partido duradouro, que fique na história política do país ou transformar este num momento fugaz, numa irrupção do tipo &lt;b&gt;Heloísa Helena&lt;/b&gt;, em 2006? O &lt;b&gt;PSDB&lt;/b&gt; está sem programa. Qual o programa do PT? É o &lt;b&gt;lulismo&lt;/b&gt;. E o lulismo sem &lt;b&gt;Lula&lt;/b&gt; é muito difícil de se sustentar. Nós continuamos tentando constituir um quadro partidário que acompanhe melhor as tendências modernas da sociedade brasileira. A esquerda está muito atrasada nisso, ainda vivenciando temas do passado. Mas o campo está aberto para a esquerda no país, desde que ela se renove politicamente e vá ao encontro da juventude, dos intelectuais, das questões novas, de uma política fundada na sociedade, na sua vida associativa. Estamos diante de uma paisagem promissora para que a novidade se expresse. O indicativo disso? A &lt;b&gt;Marina&lt;/b&gt;. É claro que além dela há outras possibilidades. Cadê o tema da esquerda que tinha como questão principal a democracia política como valor universal? Isso sumiu. O &lt;b&gt;PSOL&lt;/b&gt; não expressa isso, o &lt;b&gt;PSTU&lt;/b&gt; passa longe disso. Só resta saber se esse campo aberto será ocupado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;IHU On-Line – Como o senhor vê a participação da intelectualidade e dos movimentos sociais no debate político nacional?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Werneck Vianna –&lt;/b&gt; Os intelectuais estão meio à margem. Muito longe da expressão que tiveram em cenários anteriores. Foram dominados por uma agenda particular nas universidades, nessas agências de fomento à pesquisa (&lt;b&gt;Capes&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;CNPq&lt;/b&gt;), e estão muito vinculados às agências estatais. Não sei se isso volta, mas se afastaram do mundo da opinião. Os movimentos sociais se deixaram estatatizar. Uma parte das ONGs que estão aí hoje tem vínculo com o Estado. No entanto, um fenômeno importante de manifestação da sociedade civil foi a &lt;b&gt;Lei da Ficha Limpa&lt;/b&gt;. Mas estamos com uma sociedade civil muito desanimada. A política está saindo do nosso mundo. E ela vai voltar. Essas eleições são um indicador de que ela tem possibilidades de voltar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_entrevistas&amp;amp;Itemid=29&amp;amp;task=entrevista&amp;amp;id=36999"&gt;IHU &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-4758787408075025482?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/4758787408075025482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/10/normal-0-21-false-false-false.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4758787408075025482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4758787408075025482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/10/normal-0-21-false-false-false.html' title='Entrevista: Luiz Werneck Vianna: &quot;O PV sai como o novo partido nacional.&quot;.'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TK3AjeBVxWI/AAAAAAAAAPw/LYQtki_cJls/s72-c/luiz-werneck-vianna.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-9171709671864700397</id><published>2010-10-04T21:03:00.000-07:00</published><updated>2010-10-05T05:27:17.242-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eleições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PT'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marina'/><title type='text'>Marina ou excesso de algumas análises</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TKqjaJBx-hI/AAAAAAAAAPs/Q40Jt_r09_M/s1600/MAR.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="131" px="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TKqjaJBx-hI/AAAAAAAAAPs/Q40Jt_r09_M/s200/MAR.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O segundo turno está aí. Muitos, como o autor deste blog, não o queriam, mas eleição e democracia - ainda bem – tem dessas coisas. Como&amp;nbsp;era de se&amp;nbsp;esperar, "onda verde" e "onda cristã" convergiram. O que não acho lá muito correto e sensato são as afirmações exageradas&amp;nbsp;de que Marina ou a “magricela verde roubou” os votos de Dilma, impedindo que esta fosse eleita presidente do Brasil logo no primeiro turno, e, pior ainda, que ela e seus eleitores compactuaram com a direita, levando Serra ao segundo turno. Essas afirmações são totalmente descabidas e ofensivas, pois concebem os eleitores de Marina como uns idiotas incapazes de elaborar um juízo político necessário à identificação, segundo sua avaliação e reflexividade, com propostas, idéias ou o que quer que seja para eles considerado como relevante. Além do mais, tira a responsabilidade e a necessidade de uma auto-crítica das costas do PT.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reduzir o desempenho de Marina nas eleições à ingenuidade dos eleitores “amantes da natureza”, à ignorância dos evangélicos ou, pior ainda, ao um anti-Dilmismo e ao um anti-petismo de ressentidos da pequena-burguesia, não é apenas um erro de avaliação e análise de grotesco generalismo, mas uma violência. Uma violência&amp;nbsp;que nega ao outro a capacidade e o direito&amp;nbsp;de refletir, de escolher seus candidatos com relativa autonomia e sob critérios, racionais e/ou irracionais, admitidos como relevantes. A desqualificação apenas encerra o debate&amp;nbsp;numa trocas de estereótipos e pechas; veda a nós mesmos a possibilidade de entender os argumentos&amp;nbsp;e as razões do outro para, aí sim, combatê-las.&amp;nbsp;Para compreender o crescimento de Marina, convém&amp;nbsp;lhe dá o&amp;nbsp;devido crédito, mas, sobretudo, levar a sério as razões e os sentidos que conduziram tantos a optar por sua candidatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho lá minhas pré-noções e críticas sobre o que julgo ser, de um ponto de vista típico-ideal, os eleitores de Marina, mas não é por conta disso que me esquecerei que a política envolve necessariamente um trabalho de imaginação e de reflexão, um esforço que implica, entre outras coisas, uma projeção de si mesmo sobre os outros, um processo de identificação que abrange as mais diversas disposições e sentimentos do sujeito e sua biografia. Não é por votar em Dilma e defender o projeto político-social do PT que vou adotar uma atitude de auto-complacência com&amp;nbsp;relação a um&amp;nbsp;tipo de violência que&amp;nbsp;imputa sobre os outros desqualificações e pré-noções&amp;nbsp;baseadas nas&amp;nbsp;minhas crenças e valores ou por causa das diferenças e desacordo&amp;nbsp;em relação a estas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse tipo de “pensamento” é preocupante na medida em que&amp;nbsp;busca conceber e definir o outro em termos unicamente negativos e segundo nossas convicções, alçadas ao status de medida final de toda avaliação. Desse modo, o processo é contaminado com desqualificações morais desnecessárias, hierarquias, convicções identitárias, dicotomizações, etc.. O voto e as eleições são reduzidos a uma questão de escolher o vencedor ou de optar entre lados opostos ao invés de ser a manifestação de vontades, de desejos e de idéias. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além do mais, transformar o processo eleitoral numa disputa maniqueísta entre o bem e o mal, entre aqueles que representam e sabem qual é o melhor&amp;nbsp;para&amp;nbsp;o&amp;nbsp;Brasil contra os ingênuos e os ignóbeis, que mais não fazem do que “atrapalhar o processo”, não me parece que&amp;nbsp;seja saudável para uma democracia nem tampouco para o PT, que por meio desse discursinho das bases mascara suas falhas na campanha em convencer e cativar o eleitorado, bem como&amp;nbsp;por não ter&amp;nbsp;politizado e acirrardo o debate substancialmente. Afinal de contas, foi PT que, ao&amp;nbsp;cair no jogo da&amp;nbsp;oposição,&amp;nbsp;conduziu os debates como&amp;nbsp;uma disputa&amp;nbsp;entre curriculos pessoais e promessas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse sentido, o melhor é agradecer, pois nem Marina nem o PV souberam aproveitar as brechas, que&amp;nbsp;caíram em seu colo, nas últimas semanas&amp;nbsp;do processo eleitoral, nem os erros do PT e a situação da direita. Imaginem só se as eleições fossem daqui a três semanas e se Marina tivesse uma formação política mais consistente, mais variada, mais técnica? Acorda PT!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As diferenças devem ser postas, na esfera pública, como questões endereçadas ao debate e à avaliação crítica e racional de todos, como uma forma de agitar as inteligências, como um treino para o aprendizado político em franco respeito à pluralidade de vozes e convicções. Uma democracia não pode se sustentar e se encarar como tal sem o reconhecimento a essas questões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-9171709671864700397?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/9171709671864700397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/10/marina-ou-excesso-de-algumas-analises.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/9171709671864700397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/9171709671864700397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/10/marina-ou-excesso-de-algumas-analises.html' title='Marina ou excesso de algumas análises'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TKqjaJBx-hI/AAAAAAAAAPs/Q40Jt_r09_M/s72-c/MAR.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-2946481512410330252</id><published>2010-10-02T21:50:00.000-07:00</published><updated>2010-10-02T21:50:53.801-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Walter Benjamin'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Experiência'/><title type='text'>Mickey Mouse, por Walter Benjamin</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TKgLQ_R7ynI/AAAAAAAAAPo/dd-Ma5kbQrE/s1600/mic.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" px="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TKgLQ_R7ynI/AAAAAAAAAPo/dd-Ma5kbQrE/s1600/mic.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #3d85c6;"&gt;Abaixo, um fragmento escrito pelo filósofo alemão Walter Benjamin com o qual trombei navegando pela net. Apesar de breve, em cada linha podemos perceber&amp;nbsp;a agitação dos&amp;nbsp;principais&amp;nbsp;traços&amp;nbsp;do pensamento de Benjamin e de sua crítica à modernidade como aniquilamento da experiência. Um aniquilamento por causa das guerras, dos massacres, da alienação pelas máquinas?&amp;nbsp;Não. A experiencia foi destruída pela naturalização do&amp;nbsp;cotidiano; a invasão dos objetos, de imagens, de todo tipo de fragmento e pequenez que enreda o homem em relações onde tudo tem uma equivalência,&amp;nbsp;preso a uma&amp;nbsp;infinidade de afazeres, numa rotina ignóbil de pequenas obrigações que lhe expropria o tempo, a sensibilidade e&amp;nbsp;o sentido acerca&amp;nbsp;da importância de coisas,&amp;nbsp;daquilo que por valor e&amp;nbsp;intensidade deve&amp;nbsp;ser comunicado, traduzido em experiência pelo relato, pela narração. Mas deixemos a palavra com a pena de&amp;nbsp;Benjamin...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Mickey Mouse&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;por Walter Benjamin&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Fragmento escrito em 1931; não publicado durante a vida de Benjamin. Tradução de Pádua Fernandes)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De uma conversa com [Gustav] Glück e [Kurt] Weill. - Relações de propriedade nos filmes de Mickey Mouse: aqui aparece pela primeira vez que alguém pode ser roubado de seu próprio braço, sim, de seu próprio corpo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O percurso de um documento em uma repartição tem mais semelhança com um dos que Mickey Mouse percorre do que com o dos maratonistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nestes filmes a humanidade prepara-se para sobreviver à civilização.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mickey Mouse demonstra que a criatura ainda pode subsistir mesmo quando toda semelhança com o homem lhe foi retirada. Ele rompe com a hierarquia das criaturas concebida com fundamento no humano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estes filmes desautorizam, da maneira mais radical, a experiência. Não é compensador em um tal mundo ter experiências.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Semelhança com os contos de fada. Nunca desde esses contos os fenômenos mais vitais e importantes foram vividos de forma tão não simbólica e sem atmosfera. O incomensurável contraste com Maeterlink e com Mary Wigman. Todos os filmes de Mickey Mouse têm como motivo sair para aprender o medo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, não a “mecanização”, não a “fórmula”, não um “mal-entendido” são a base do tremendo sucesso destes filmes, e sim o fato de que o público neles reconhece sua própria vida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Fonte: &lt;a href="http://culturaebarbarie.org/sopro/verbetes/mickeymouse.html"&gt;http://culturaebarbarie.org/sopro/verbetes/mickeymouse.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-2946481512410330252?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/2946481512410330252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/10/mickey-mouse-por-walter-benjamin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2946481512410330252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2946481512410330252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/10/mickey-mouse-por-walter-benjamin.html' title='Mickey Mouse, por Walter Benjamin'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TKgLQ_R7ynI/AAAAAAAAAPo/dd-Ma5kbQrE/s72-c/mic.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-7782019014845181883</id><published>2010-09-27T21:25:00.000-07:00</published><updated>2010-09-28T05:32:46.271-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><title type='text'>Os "caretas" da OAB e a arte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TKFt1gm6W2I/AAAAAAAAAPk/lNE9XpmpGEE/s1600/Na_Bienal.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" px="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TKFt1gm6W2I/AAAAAAAAAPk/lNE9XpmpGEE/s1600/Na_Bienal.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No último dia 25, a 29º Bienal abriu as portas para o público em São Paulo. Entre as obras, uma série, em particular, causou certa polêmica. Trata-se da série “Inimigos” do artista pernambucano Gil Vicente, que, aliás, salvo engano, já foi exposta aqui em Natal há alguns anos atrás, Nela, numa espécie de autoretrato, o artista exibe a si mesmo com arma em punho prestes a alvejar altas personalidades da política mundial e brasileira; Lula, FHC, o Papa Bento XVI, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, e o ex-primeiro ministro de Israel, Ariel Sharon estão todos sob a mira e a fúria do “devir-terrorista” de Gil Vicente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Evidentemente, como se trata de uma Mostra que goza, nos circuitos culturais do país, de notória visibilidade, a série de Gil Vicente, ao contrário da reação em outras localidades, não poderia deixar de levantar polêmicas. Logo, as vozes das boas consciências, a mais querida agência moral do indivíduo civilizado, como dizia Marcuse, &amp;nbsp;representadas pela OAB se ergueram contra os quadros do artista pernambucano. Acusaram-na de “apologia à violência e ao crime”, e a OAB sugeriu que as mesmas não fossem à público.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem quer esteja minimamente familiarizado com os stencil, tão comum nos muros e calçadas das grandes cidades, não há de se chocar e se incomodar com a mostra “Inimigos”. Porém, aos polidos advogados da Ordem, seguidores da estética da “admiração desinteressada” e do juízo do gosto – gosto de quem? cara pálida -, qualquer coisa mais ou menos subversiva, mais ou menos visceral, espicaça-lhes a pele e parece-lhes, aos seus olhos delicados, um atentado contra as regras da boa convivência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que os advogados não entendem é que os critérios de julgamento ou mesmo os critério de produção nas artes quase nada tem a ver com os bons sentimentos de respeito, piedade e dedicação ao próximo. E também que a arte não visa o convencimento – daí a impossibilidade da tal apologia. A política, a ciência e o direito são que visam tal intento. A arte propõe possibilidades de experiência, sensações, sentimentos que, por sua vez, podem ou não deflagrar crítica e novas formas de percepção e compreensão acerca de nosso mundo e de nossa situação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os advogados da OAB querem proteger as consciências indefesas dos pueris e tolos cidadãos, os quais, assim pensam os advogados, não gozam de discernimento suficiente e se deixam impressionar e se influenciar por qualquer coisa. Tratam-nos como crianças e idiotas, que&amp;nbsp;necessitam ser tutelados por algum tipo de referência paterna que&amp;nbsp;lhes&amp;nbsp;inculquem o senso de discernimento&amp;nbsp;entre o&amp;nbsp;bem o mal, o certo e o errado, o lícito e o ílicito, o imoral e o moral. O Pai é a lei. Mais do que os quadros de Gil Vicente o que verdadeiramente&amp;nbsp;violenta às consciência é essa vontade de tutela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gil Vicente quer o contrário; quer atacar às consciências, agitá-las, arrancá-las de sua letargia, jogar em suas caras a sua subserviência irrefletida. Quantos não queriam, por algum momento, estar ali de arma em riste apontada contra algum daqueles “líderes”? A arte pode fazer isso; dar consistência, relevo, cor e forma&amp;nbsp;à desejos, sentimentos excêntricos e forças compulsivas&amp;nbsp;que de outro modo ficariam soterrados em nosso inconsciente, sufucados pelo princípio de realidade. Ela recoloca&amp;nbsp;em cena os desejos humanos em sua nudez mais crua, não para o artista mas para o público, a comunidade. Eis aí seu aspecto de&amp;nbsp;ritual.&amp;nbsp;O direito interdita. A arte sublima.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-7782019014845181883?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/7782019014845181883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/os-caretas-da-oab-e-arte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7782019014845181883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7782019014845181883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/os-caretas-da-oab-e-arte.html' title='Os &quot;caretas&quot; da OAB e a arte'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TKFt1gm6W2I/AAAAAAAAAPk/lNE9XpmpGEE/s72-c/Na_Bienal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-7056691062092675837</id><published>2010-09-23T12:30:00.000-07:00</published><updated>2010-09-23T19:26:11.827-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eleições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Classes'/><title type='text'>O Conservadorismo ataca! Uma democracia sem povo</title><content type='html'>&lt;div style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Ontem, um punhado de personalidades liberais e tucanas lançou um "Manifesto em Defesa da Democracia" - leia na íntegra &lt;a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100922/not_imp613388,0.php"&gt;&lt;i&gt;aqui&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;. A ameaça à democracia? Lula e o PT, evidentemente. O assunto? A mesma e enfadonha ladainha, sem nenhuma substância relevante para um debate intelectual e político de fato; isso que torna os principais jornais e revistas do país tão desinteressantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os ressentidos estavam juristas, atores, professores universitários da USP, jornalistas, artistas, enfim, os nomes de sempre; Celso Lafer, Ferreira Gullar, José Arthur Giannotti,&amp;nbsp; José Álvaro Moisés, Bóris Fausto, Leôncio Martins Rodrigues e Lourdes Sola e outros. Sob a aparência de um senso agudo de civismo, crítica e democracia o que se ler nas breves linhas do "Manifesto" é uma indisfarçável hipocrisia elitista e preconceituosa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;O ressentimento é devido ao fato do governo Lula ter retirado das elites tradicionais deste país a crença e a missão civilizatória que elas piamente se agarram como definidoras de seu caráter e de sua função histórica para o Brasil, a saber: de que elas representam a grande força de esclarecimento e progresso do país. Essa perda irreparável atinge implacavelmente o narcisismo de nossas classes abastadas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Na cabeça dos temerosos tucanos e liberais, a democracia necessita ser protegida da turba, do aparelhamento, do clientelismo e do carisma de líderes demagógicos. Obviamente, deve ser protegida unicamente por aqueles que de fato e por mérito a compreendem em sua essência e pureza. Daí a onda de denuncismo atual. Para os “descontentes” liberais, o PT contaminou a democracia com um sujeito que até então, no Brasil, só existia nos cálculos do poder; o povo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Mas o que querem esses “descontentes”? Por acaso, o governo suprimiu arbitrariamente alguma liberdade essencial? As relações entre o governo, o PT e o empresariado são marcadas por animosidades, antagonismo e interferência direta e unilateral? A imagem internacional do Brasil é de um país autoritário? Não. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;O que as elites “descontentes” querem é que o povo volte a ser apenas um número, ou seja, algo que elas sabem que existe mas que é desprovido de corpo e voz. O povo mais não deve ser do que um nome e um registro eleitoral ou uma massa informe desprovida de idéias e habilidades cognitivas. O povo só interessa às elites como objeto de poder; objeto de filantropia e caridade, objeto de projeto social, objeto de políticas de segurança etc.. No governo Lula, o povo deixou de ser uma abstração. É isso que incomoda e aflige. Uma democracia sem &lt;i&gt;demos &lt;/i&gt;é o que eles defendem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-7056691062092675837?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/7056691062092675837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/o-conservadorismo-ataca-uma-democracia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7056691062092675837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7056691062092675837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/o-conservadorismo-ataca-uma-democracia.html' title='O Conservadorismo ataca! Uma democracia sem povo'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-178247846899284569</id><published>2010-09-22T05:48:00.000-07:00</published><updated>2010-09-22T05:50:50.339-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nada'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Silêncio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio'/><title type='text'>Nada especial ou quando não se tem nada a escrever</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TJn6-pp5WkI/AAAAAAAAAPc/fVh5R5VGakg/s1600/nada.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" qx="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TJn6-pp5WkI/AAAAAAAAAPc/fVh5R5VGakg/s320/nada.jpg" width="314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algumas vezes não temos nada sobre o que falar ou escrever. Embora saibamos que há tanto à nossa volta; um mundo inteiro nos espera à apenas um modesto click do controle remoto ou do mouse de nosso computador. Certamente, um dos problemas parece residir no fato de não sabermos, com segurança e alguma convicção, por onde começar nem quanto tempo permanecer. A cada assunto ou tema a que nos detemos com alguma seriedade não lho concedemos mais do que alguns instantes, pois a amplitude e o leque de possibilidades que estaríamos a deixar de lado suscitam imediatamente em cada qual um sentimento de desperdício sufocante. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando nada temos sobre o que escrever isto não significa desmotivação ou falta de reflexão ou um espaço neuronal ocioso. Pois, em blogs, como se é tentado a dizer alguma coisa sobre quase tudo, assim como no dia-a-dia, é&amp;nbsp;mais comum escrever e opinar desde nossa própria ignorância do que segundo nosso real saber. O famoso e eloqüente aforismo de Wittgenstein segundo o qual “sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar” não se aplica a esta janela aberta ao mundo, a este curioso canteiro de observações mais ou menos críticas, mais ou menos sociológicas, mais ou menos filosóficas, que são alguns blogs. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No momento, pergunto-me que autores, se vivos hoje, teriam um blog. Certamente, Walter Benjamin e Michel Foucault seriam alguns deles. O primeiro, como teórico dos novos meios da moderna cultura de massa e dedicado ao estudo do impacto destes na geração de novas formas de percepção coletiva, e além do seu estilo de expressão peculiar, fragmentário, sem dúvida alguma teria nos blog’s e em todas as redes sociais um campo de estudo e de expressão. O segundo, como é sabido por todos, foi um intelectual entusiasta e constantemente interessado por entrevistas e debates na televisão, artigos em periódicos não-especializados. Nem Benjamin nem Foucault eram filósofos da universidade. Viviam por suas idéias e escritos. Que autores mais pensa o leitor dedicar-se-iam a este ofício um tanto vulgar para os espíritos mais elevados que é escrever em blog’s?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Retornemos ao tema inicial. De fato, há muita sabedoria em calar-se, em preservar o silêncio, porém, é árduo fazê-lo. Como, pois, livrar-se das palavras se mesmo quando elas não escorregam de nossos lábios ainda aí não estamos em absoluto silêncio? Falamos, escutamos “nossas” palavras a todo o momento; quando lemos, quando sonhamos, quando estamos acordados, pensando ou parados. Os sons e as imagens de nossas palavras enroscam-se como serpentes sedentas em nosso cérebro, e daí não desgrudam. É que mesmo dentro de nós o mundo vibra por mais que desejemos correr com as cortinas, fechar olhos e não pensar; decidir &lt;em&gt;não pensar&lt;/em&gt;. Descansar de nós mesmos é uma dádiva que deus algum nos legou. Só os remédios e o suicídio são capazes de tal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falamos não porque sabemos coisas importantes as quais temos que necessariamente comunicar e exprimir. Na maior parte das vezes e com exceção de alguns foros especiais, falamos por falar, não por causa do sentido e do valor dos argumentos a serem emitidos mas simplesmente porque ao falar o homem é, com efeito, este ser singular e banal que ele é; faz-se visível a si mesmo e aos outros, assegura-se de sua existência quando fala e percebe o efeito de sua fala sobre os outros e vice-versa. Perturbar a serenidade do silêncio é a maneira pela qual dirigimos e somos dirigidos até a vida; o barulho é o nosso enlace com o mundo e conosco. Uma vez no mundo, impossível permanecer em silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-178247846899284569?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/178247846899284569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/nada-especial-ou-quando-nao-se-nada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/178247846899284569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/178247846899284569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/nada-especial-ou-quando-nao-se-nada.html' title='Nada especial ou quando não se tem nada a escrever'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TJn6-pp5WkI/AAAAAAAAAPc/fVh5R5VGakg/s72-c/nada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-3230845838514268229</id><published>2010-09-21T10:30:00.000-07:00</published><updated>2010-09-21T10:30:35.224-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eleições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pesquisa'/><title type='text'>Experimento em Ciência Política: Confiram!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TJjrqNxW-UI/AAAAAAAAAPE/KdVZAnOT4bU/s1600/pierrebayleensaio.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="165" qx="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TJjrqNxW-UI/AAAAAAAAAPE/KdVZAnOT4bU/s400/pierrebayleensaio.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #3d85c6;"&gt;Bem pessoal, peço à todos aqueles que tiverem um tempo disponível que visitem o http://www.meuvoto2010.org/. Alguns jovens cientistas políticos tem tentado comprovar algumas teorias e nós podemos auxiliar nas pesquisas. Enfim, é isso, segue explicação elaborada por Clayton Mendonça Filho, Douturando do IUPERJ e que vem desenvolvendo pesquisas na área.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O&amp;nbsp;MeuVoto2010.org é uma aplicação que permite a prospectivos eleitores comparar como suas preferências políticas se sobrepõem às posições políticas dos candidatos. Já houve vários experimentos com essas ferramentas, algumas vezes referidas como VAAs (Aplicações de Aconselhamento de Votação), por toda a Europa e Estados Unidos. No experimento brasileiro, já tivemos mais de 25000 acessos em poucas semanas, tornando-o o mais bem sucedido VAA.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mecanismo é simples: antes de uma eleição, os principais candidatos são classificados de acordo com suas posições políticas. Isso pode ser feito por partidos ou por seus representantes, pelos candidatos ou um grupo de pesquisadores acadêmicos. Então, usuários da ferramenta preenchem o mesmo questionário e expressam suas preferências. O sistema, portanto, compara as respostas dos partidos/candidatos com aquelas fornecidas pelos usuários. O resultado final é um ranking de partidos ou candidatos baseado no grau de coerência entre partidos/candidatos e o usuário (para mais detalhes técnicos veja como os resultados são calculados). Cerca de 20% dos usuários até o momento têm se declarado indecisos, de modo que o sítio pode servir como uma ferramenta para ajudar a decidir o voto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os dados coletados dos usuários permitirão gerar um banco de dados sobre informações sócio-demográficas e políticas que estará disponível a pesquisadores interessados. Na última versão da ferramenta, incluímos uma opção para o usuário estimar qual, em sua opinião, será o resultado real após a eleição. Esta ferramenta permitirá testar empiricamente teorias de Crowd Sourcing, ou seja, que muitas pessoas juntas, a partir de certo número, são capazes de fazer previsões acerca de resultados que sejam estatisticamente relevantes tecnicamente eficientes..&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O projeto não é afiliado a nenhum movimento ou partido político. O questionário foi projetado por pesquisadores em universidades brasileiras e estrangeiras . Os candidatos políticos não influenciaram na concepção do projeto e todas as informações foram coletadas por peritos independentes. O projeto é uma iniciativa conjunta entre o site Congresso Aberto, através do professor Cesar Zucco da Universidade de Princeton e o e-Democracy Centre da Universidade de Zurique, através do professor Fernando Mendez, em conjunto com os colaboradores externos Clayton Cunha Filho, do IESP-UERJ e Tiago Peixoto, do Instituto Universitário Europeu (EUI) em Florença.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os resultados mostram o seu grau de concordância com os candidatos em questões globais sobre política. O coeficiente de concordância varia de -100 (total discordância) a +100 (total concordância). Um coeficiente negativo (de -1 a -100) significa que o grau de discordância com o candidato é maior do que o grau de concordância em relação à totalidade das questões. Um coeficiente positivo (de 1 a 100) indica concordância. Entretanto, um coeficiente positivo entre 1 e 40 pontos não deve ser considerado como um grau significativo de concordância.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além disso, a ferramenta está disponível gratuitamente para terceiros e pode ser facilmente incorporada a outros sites (veja, por exemplo: http://questaopublica.org.br/). Para incorporar o MeuVoto a seu site, copie o código abaixo e cole no seu site. Caso tenha dificuldades, entrar em contato com Fernando Mendez (&lt;a href="mailto:fernando.mendez@zda.uzh.ch"&gt;fernando.mendez@zda.uzh.ch&lt;/a&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acesse e conheça: &lt;a href="http://www.meuvoto2010.org/"&gt;http://www.meuvoto2010.org/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Post pescado no &lt;a href="http://www.cartapotiguar.com.br/"&gt;Carta Potiguar&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-3230845838514268229?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/3230845838514268229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/experimento-em-ciencia-politica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3230845838514268229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3230845838514268229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/experimento-em-ciencia-politica.html' title='Experimento em Ciência Política: Confiram!'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TJjrqNxW-UI/AAAAAAAAAPE/KdVZAnOT4bU/s72-c/pierrebayleensaio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-2192288981668270409</id><published>2010-09-16T11:32:00.000-07:00</published><updated>2010-09-16T11:32:29.534-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pergunta'/><title type='text'>Pergunta simples:</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Por que nos confessamos a Deus, quando se&amp;nbsp;afirma que ele sabe tudo sobre nós - onisciência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que pensa o leitor acerca dessa contradição lógica, abordada desde Santo Agostinho?&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-2192288981668270409?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/2192288981668270409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/pergunta-simples.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2192288981668270409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2192288981668270409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/pergunta-simples.html' title='Pergunta simples:'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-2596546307127026070</id><published>2010-09-10T09:01:00.000-07:00</published><updated>2010-09-10T09:32:24.988-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Profanação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fundamentalismo'/><title type='text'>A Queima do Alcorão e o Direito à Profanação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TIpWPNU8uoI/AAAAAAAAAO8/EcEBISUpExk/s1600/salvador-dali-cristo-de-sao-joao-da-cruz.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TIpWPNU8uoI/AAAAAAAAAO8/EcEBISUpExk/s320/salvador-dali-cristo-de-sao-joao-da-cruz.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas últimas semanas, uma pequena igreja da Florida, nos Estados Unidos, tem atraído alguma atenção do mundo. Como o leitor atento já inferiu, trata-se da campanha, organizada pelo pastor Terry Jones, de promover o Dia Internacional da queima do Alcorão. Muitas vozes, em protesto e condenação, se levantaram contra a esse gesto de tola extravagância e desejoso de atenção e visibilidade. Apesar da aparente rejeição dos norte-americanos, esse tipo sinistro de campanha e provocação infantil exprime algo que todos já sabem, mas que não custa lembrar e reforçar; o fundamentalismo é uma matéria que os EUA conhece e pratica muito bem, sobretudo, no que se refere à religião, embora se estenda também à política desse país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, a principal questão que se desenha aí não é simplesmente atestar e exemplificar o fundamentalismo protestante que caracteriza os EUA. Também não é, a meu ver, rejeitar ou apoiar tal ato; qualquer um com o mínimo de bom senso reprova a infantilidade e estupidez desse pastor em, gratuitamente, acirrar os ânimos e alimentar ódio sobre um conflito bastante sério e que vá além de uma guerrinha de isqueiro, papel, bandeiras, bíblias e Corão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A questão interessante a pensar, me parece, consiste em saber se se deve ou não proibir a queima do Corão. Evidentemente, muitos se sentirão ofendidos e insultados, e os motivos e as razões dos piromaníacos protestantes não são lá convincentes nem razoáveis, todavia, ainda que ética e politicamente condenável e estúpido do ponto de vista racional, penso que não há que proibir a queima do Corão. Em que se fundamenta tal disparate, perguntaria o leitor? Não, não é meramente por causa da liberdade de expressão, essa premissa sagrada de nossas sociedades liberais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sustento um direito à profanação. De um ponto de vista, digamos, político-filosófico, a profanação é fundamental, porque por meio dela restituímos ao uso, ao arbítrio e à racionalidade dos homens o que antes, por engodo e arbitrariedade, pôs-se em separado, numa esfera divina e transcendente. A religião e o sagrado são, de uma maneira geral, prescritivas e restritivas no sentido em que afirmam que há coisas, temas e motivos que não cabem aos homens conhecer, discutir, nem intervir na medida em que referem-se a uma outra esfera, aparte da “esfera dos negócios humanos”, para utilizar a expressão de Hannah Arendt. Graças a essa separação, criam-se os “monopólios dos bens de salvação”, as hierarquias entre os mediam a relação com o sagrado e aqueles que não tem acesso direto a ele, inventam-se mitos pelos quais se mata e se&amp;nbsp;morre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, a tola&amp;nbsp;extravagância do pastor norte-americano em propor a queima do Corão, ainda que ele não saiba disso e o faça, ironicamente, em nome do sagrado, devolve à esfera humana o que antes estava sob a tirania de um erro, de um engano, de sorte que o alça à discussão, à desmitificação. Pois&amp;nbsp;as folhas&amp;nbsp;queimadas não trarão pestes e pragas vindas dos céus, lançada sobre&amp;nbsp;a terra por Deus poderoso e mal-humorado,&amp;nbsp;mas sim, talvez, aviões pilotados por homens enfurecidos e embrutecidos por&amp;nbsp;fábulas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ato de queimar o Corão questiona este tão enraizado sentimento de que há coisas as quais não se pode tocar, que existem coisas sagradas diante das quais se deve tirar os sapatos, curvar-se e tolher as mãos para não contaminá-las com nossa imperfeição e sujeira. A profanação não visa ridicularizar o sagrado ou, como intenta o ignorante pregador, ofendê-lo. Profanar significa retirar as auréolas e o véu da ilusão para submeter, ou melhor, restituir o que se quer e se pensa como eterno, puro e perfeito à falibilidade e à precariedade que selam tudo quanto existe na esfera dos mortais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-2596546307127026070?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/2596546307127026070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/queima-do-al-corao-e-o-direito.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2596546307127026070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2596546307127026070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/queima-do-al-corao-e-o-direito.html' title='A Queima do Alcorão e o Direito à Profanação'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TIpWPNU8uoI/AAAAAAAAAO8/EcEBISUpExk/s72-c/salvador-dali-cristo-de-sao-joao-da-cruz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-7313616312327406311</id><published>2010-09-09T11:00:00.000-07:00</published><updated>2010-09-09T11:05:37.998-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Universidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bibliometria'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><title type='text'>Quanto custa rechear seu Currículo Lattes?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TIkgc2rxEDI/AAAAAAAAAO0/NuSh83cUQNc/s1600/lattes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TIkgc2rxEDI/AAAAAAAAAO0/NuSh83cUQNc/s320/lattes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #6fa8dc;"&gt;Abaixo o interessante e importante texto/relato retirado do sitio &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2749&amp;amp;titulo=Quanto_custa_rechear_seu_Curriculo_Lattes"&gt;&lt;span style="color: #6fa8dc;"&gt;&lt;em&gt;digestivo cultural&lt;/em&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: #6fa8dc;"&gt; escrito por Marcelo Spalding a propósíto de uma situação que maior parte do meio acadêmico já está careca de saber e critica, mas que pouco tem feito para combater, a saber:&amp;nbsp;os métodos&amp;nbsp;de avaliação dos pesquisadores e o produtivismo que assola as universidades. As conseqüencias da corrida para o melhor Lattes - leia-se, maior - tem produzido diversos efeitos perversos à Ciência; pode-se dizer, inclusive, que já não é tanto a descoberta, a inventividade e o risco de conceber coisas novas&amp;nbsp;que movem a produção científica, mas o impulso estúpido e irrefletido de redigir artigos com a mesma criatividade de quem copia uma receita de bolo para públicá-los, o mais rápido possível, nos periódicos mais atrativos para a pontuação. Enfim, deixemos a palavra com o Marcelo Spalding:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Quanto custo rechear seu currículo Lattes?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa não é uma coluna sobre cultura, é sobre educação. Mas o que tem mais a ver com a cultura do que a educação? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo estudante universitário já ouviu falar do Currículo Lattes, todo aspirante a Mestre ou Doutor decerto já fez o seu e àqueles com pretensões acadêmicas é imprescindível atualizar seu Lattes pelo menos duas vezes por ano. O Lattes é critério quase universal para seleções de programas de pós-graduação do Brasil e do exterior, além de ser fundamental nas bancas de contratação de professores universitários em concursos e editais. Mantido pelo CNPq, é uma forma democrática de centralizar as informações acadêmicas de todo país, permitindo aos pesquisadores encontrar colegas de áreas afins e, a quem seleciona, avaliar a produção científica do aspirante à vaga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os críticos dizem que o Lattes transforma todo o esforço intelectual dos pesquisadores em quantidade, em números, simplificando e até ridicularizando uma produção eminentemente qualitativa. Ocorre que no final do Lattes há uma tabela informando quantos artigos foram publicados, quantos livros ou capítulos de livros, de quantos congressos o fulano participou. Mas até aí nenhuma novidade, se você começou a ler este texto provavelmente já sabe o que é e como funciona o Currículo Lattes. A novidade é que um bom Lattes tem preço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o crescimento dos cursos de pós-graduação no Brasil e o amadurecimento da Plataforma Lattes, a corrida por "qualificação" tem sido grande, e a lógica quantitativa acaba incentivando a formação de um verdadeiro "mercado acadêmico". Já havia percebido isso ao me inscrever em um congresso, no meu caso o da ABRAPLIP, mas poderia ser de qualquer área e em qualquer lugar. Se você quer que seu trabalho seja apresentado, antes da inscrição deve enviar um resumo e aguardar o aceite. Elaborei o resumo, nas normas que exigiam, e o submeti. Em poucas semanas, um e-mail informa que o trabalho foi aprovado, e o ingênuo aqui fica feliz da vida: vai no site, preenche a ficha de inscrição, imprime o boleto, paga no banco a taxa de cento e poucos reais (há eventos de R$ 300,00, R$ 500,00, e por aí afora, especialmente se você for da área de Medicina ou Direito). No dia da minha apresentação no evento, a surpresa: havia cinco pessoas na sala: um professor e quatro apresentando trabalhos. Público para quê? Discussão para quê? Afinal, dali sairemos com um certificado (enviado por e-mail), um CD-ROM e um número a mais no Lattes!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Evidentemente, a proporção não é um por um, mas tão evidente quanto é que os congressos hoje estão inchados com dezenas de apresentações de trabalhos, e o aceite desses é uma mera formalidade. Um trabalho medíocre será aprovado se não comprometer o evento e o autor lá estará, enquanto um aluno excelente que faça um artigo excelente mas por algum motivo não possa pagar a inscrição, ah, esse não estará lá. Afinal, sai caro um bom Lattes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas vamos além, afinal de contas, poucos dos que se aventuram em cursos de pós-graduação não teriam dinheiro para a inscrição de um evento desses. E a passagem? E o hotel? E férias, para quem não tem bolsa? Sim, porque se você tiver pretensão de dar aula na USP, na UFRJ ou na UFRGS, é bom sua vida acadêmica não ficar restrita a Cacimbinhas, é bom você ter ido aos eventos nacionais mais importantes da sua área, ter contatos, viajar. E não espere algum desconto especial para viagens acadêmicas por parte das companhias aéreas. Muito menos bolsas oferecidas pelos cursos de pós-graduação, a não ser em raríssimos ― e discutíveis ― casos. Afinal, sai caro um bom Lattes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, não é só isso. Estávamos tão acostumados a participar de congressos e pagar por isso, estamos tão satisfeitos em aproveitar esses eventos para fazer turismo pelo Brasil (ah, claro, ninguém acha que o controle de presença nesses eventos seja muito rigoroso, né?) que nem percebemos o quão injusta é essa lógica do "pagando bem, que mal tem". Quero ir além. De uns tempos para cá, tem se tornado comum no Brasil pagar pela publicação de artigos! Sim, os artigos científicos, tão puros, tão imparciais, tão citados como referência do conhecimento pela mídia, pelos nossos professores, publicá-los também tem um preço, e bem salgado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda não havia me acontecido isso, mas uma amiga da área da Enfermagem ousou submeter seu artigo de conclusão de curso para a Revista Gaúcha de Enfermagem e, adivinhem, o artigo foi aceito para a publicação com uma condição: ela e as outras duas autoras do artigo deveriam ser assinantes da revista para essa publicação, e, claro, isso tem um custo: R$ 130,00. Cento e trinta! Fiquei pensando se já aconteceu de alguém enviar artigo e ele não ser aceito, afinal cenzinho é cenzinho...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensei em reclamar para a UFRGS que uma revista com seu logotipo fizesse esse tipo de coisa, mas a Universidade está em férias. Entrei em contato, então, com a Ouvidoria do Ministério da Ciência e Tecnologia, a fim de denunciar esse tipo de abuso num país e numa universidade que lutam pela inclusão acadêmica de negros e pobres. A resposta, conclusiva, me fez perceber que o Lattes realmente tem preço:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Prezado Marcelo,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;A cobrança para publicação de artigos é prática frequente na área internacional, inclusive porque alguns periódicos científicos são bancados pelos próprios autores. A informação, pelos custos que envolve, resulta cara. No Brasil, esta prática ainda não está amplamente disseminada mas já é praticada, principalmente na área médica.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No caso específico, segundo sua informação, o pagamento não é propriamente pelo artigo, mas para que ela se torne sócia da revista. Sugerimos que consulte a política editorial do periódico, que deve estar impressa na própria revista ou no seu site. A política editorial informa quais são os critérios utilizados para seleção e publicação de artigos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Nada obstante, caso ela não concorde com o critério, pode submeter seu artigo a outros periódicos que não exijam contrapartida financeira. Seguramente na sua área de especialização existem vários em todo o Brasil.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Atenciosamente, &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Ouvidoria-Geral do MCT&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Indignado, entrei em contato com minha orientadora de graduação, uma professora muito amiga, Doutora em Comunicação. E aí a professora me lembrou de que quando terminou seu Doutorado, recebeu pelo menos cinco cartas a parabenizando e a convidando a publicar seu belíssimo trabalho em livro. Mas, é claro, um livro acadêmico é sempre importante e, afinal, sai caro um bom Lattes. Caro quanto? Cinco mil reais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Não posso concordar com essa lógica, e me surpreende que entidades como a UNE fiquem mais preocupadas com o preço da passagem de ônibus do que com esse tipo de descalabro&lt;/strong&gt;. Não é novidade alguma que a seleção para os cursos de pós-graduação passam por critérios pessoais, políticos, nada objetivos, e no momento que se cria uma ferramenta para tornar a escolha um pouco mais democrática, admitiremos que essa ferramenta sirva para privilegiar os estudantes com mais poder aquisitivo? Sem demagogia, dessa forma algum pobre que entrou na universidade pelas cotas ou pelo Pró-Uni conseguirá ingressar em Mestrados e Doutorados a partir desse critério mercantilista? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para mim, o caso é muito grave. São essas pessoas com Lattes recheados que irão lecionar nas universidades federais e particulares (e há aos borbotões), são elas que irão formar os futuros médicos, advogados, jornalistas, professores? E quais os valores que essa geração acadêmica tem a passar? O valor do "quanto mais, melhor", do "quem pode mais, chora menos"? E essa realidade, todos sabem, se reflete desde o Ensino Fundamental, onde as creches e escolas públicas são cada vez mais abandonadas e as particulares proliferam e profissionalizam-se. Mas aí já é assunto para outra crônica...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte:&lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2749&amp;amp;titulo=Quanto_custa_rechear_seu_Curriculo_Lattes"&gt;http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2749&amp;amp;titulo=Quanto_custa_rechear_seu_Curriculo_Lattes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-7313616312327406311?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/7313616312327406311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/quanto-custa-rechear-seu-curriculo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7313616312327406311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7313616312327406311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/quanto-custa-rechear-seu-curriculo.html' title='Quanto custa rechear seu Currículo Lattes?'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TIkgc2rxEDI/AAAAAAAAAO0/NuSh83cUQNc/s72-c/lattes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-6321546875502892743</id><published>2010-09-08T12:27:00.000-07:00</published><updated>2010-09-08T12:32:45.562-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política Internacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fascismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Xenofobia'/><title type='text'>O que houve com o notável "universalismo" francês?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TIfg9YZI4-I/AAAAAAAAAOs/c_D2TMtx9b0/s1600/france-520x376.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TIfg9YZI4-I/AAAAAAAAAOs/c_D2TMtx9b0/s320/france-520x376.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois vejam só, a França Iluminista, tão orgulhosa de seu universalismo, não cessa de revelar a&amp;nbsp;crueza&amp;nbsp;provinciana e eurocêntrica de suas pressuposições políticas e identitárias. Em tempos de crise,&amp;nbsp;a história do século XX já nos ensinou, os&amp;nbsp;homens perigosos e apaixonados pelo poder&amp;nbsp;adoram desviar a&amp;nbsp;atenção dos verdadeiros problemas e das reais responsabilidades, de maneira a obter ganho político através&amp;nbsp;da polemização em cima de grupos estigmatizados, alvos fragéis&amp;nbsp;nos quais&amp;nbsp;possam&amp;nbsp;direcionar seu ódio e ressentimento. Assim acontece, hoje, com os ciganos na França.&amp;nbsp;Antes foram&amp;nbsp;com os mulçumanos, a polêmica em torno da burca, os imigrantes africanos, arábes, os naturalizados, os habitantes das periférias&amp;nbsp;etc. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto, a lógica do cálculo aqui não é apenas o caráter étnico. O que mais&amp;nbsp;búlgaros, romenos, albaneses, senegaleses e marroquinos&amp;nbsp;tem em comum? Todos são imigrantes, ou descendentes,&amp;nbsp;pobres, habitantes de bairros pobres e estigmatizados como "menos" franceses.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cerco fascista avança em vedar aos imigrantes e estrangeiros&amp;nbsp;pobres qualquer tipo de auxílio que favoreça e facilite sua permanência nas terras de Voltaire. Aqueles que, não nascido em França,&amp;nbsp;atentarem contra à Ordem e&amp;nbsp;à Segurança&amp;nbsp;nacional poderão perder sua nacionalidade, bem como, os filhos&amp;nbsp;de pais estrageiros, nascidos em solo francês,&amp;nbsp;uma vez condenados à prisão, não poderão obter a nacionalidade francesa. Assim, criam-se nacionalidades que valem mais do que outras; uns mais "puras" e intocáveis e outras "emprestadas", postiças, descartáveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O charmoso universalismo francês caminha à passos largos para a&amp;nbsp;odiosa e preocupante limpeza étnica e social. Que, pensaria, pois, da França atual os enciclopedistas do século XVIII?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-6321546875502892743?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/6321546875502892743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/o-que-houve-com-o-notavel-universalismo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/6321546875502892743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/6321546875502892743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/o-que-houve-com-o-notavel-universalismo.html' title='O que houve com o notável &quot;universalismo&quot; francês?'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TIfg9YZI4-I/AAAAAAAAAOs/c_D2TMtx9b0/s72-c/france-520x376.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-4053157117370413269</id><published>2010-09-02T20:36:00.000-07:00</published><updated>2010-09-02T20:37:25.035-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contemporaneidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Utopias'/><title type='text'>As tiranias das micro-utopias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TIBtCl0YVHI/AAAAAAAAAOk/MOFy4rXp05U/s1600/dores.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="295" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TIBtCl0YVHI/AAAAAAAAAOk/MOFy4rXp05U/s400/dores.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre nossa época, a rigor, costuma-se caracterizá-la como um tempo&amp;nbsp;desprovido de&amp;nbsp;utopias; pelo menos aquelas grandiosas que ao colocarem o bem no futuro justificavam ao mesmo tempo o mal do presente e o tortuoso caminho até a redenção. Esses dias de fé na história, na capacidade técnica, política e racional dos homens de forjarem seu próprio destino até o paraíso, afirmam estudiosos e artistas, perdeu o seu impulso. O sopro messiânico que nos acalentava bruscamente cessou. Nem Deus, nem Proletariado, nem Homem. Todos esses conceitos que convertemos em agentes universais, os quais eram responsáveis pelo otimismo acerca de nossas iniciativas, afundaram vagarosamente sob nossos olhos e mãos. Com isso, restaram os frêmitos da agonia das inumeráveis mortes – da filosofia, da política, da arte, da história, do sujeito etc. – cuja duração ou estado de coma é algo extraordinário e digno de estudo.&amp;nbsp;O que escapou dessa funesta chacina, como o capitalismo e o meio ambiente, exclamam demasiado alto alguns, já tem a&amp;nbsp;sua data fatal agendada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O resultado do fim das utopias seria uma época gravada pelo signo da ruína, na qual as sombras daqueles agentes universais e os restos dos valores e conceitos anteriores nos acenam, com ironia e maldade, para lembrar-nos de nossa impotência contemporânea. A outrora meia-dúzia de grandes narrativas providencialistas, que alimentavam o coração e o espírito dos homens, não desapareceram simplesmente. Na verdade, assim me parece, elas transmutaram-se em uma centena de esmigalhadas&amp;nbsp;utopias; micro-utopias que, contudo, mais do que consolar, atormentam as “consciências infelizes” da contemporaneidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dessa forma, o tempo das utopias ainda perdura, apesar do aspecto maléfico segundo o qual elas agora se manifestam. Assim, vivemos como podemos no entulhar inconcluso de restos e ruínas que nos rodeiam. Nossas micro-utopias em busca do corpo esbelto e perfeito, do emprego dos sonhos, do prêmio da mega-sena, da autorrealização, enfim, revelam-se, tragicamente, como aquilo que ameaça reduzir também a nós mesmos em ruínas se, por acaso, fracassarmos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nossas micro-utopias que nos impulsionam a atravessar o imenso mar da vida são também nossas micro-tiranias, as quais se conservam, sem descanso, em nossas costas como um vigia dos forçados de chicote em punho. Desde já, a pergunta que pode trazer algum fôlego de vida, consiste em constatar se uma sociedade descrente em sua capacidade de gerar utopias, de fascinar-se coletivamente com o impossível, com ideais a que buscar e investir o esforço diário de respirar com algum sentido para além da bruta conservação, não é ela mesma uma sociedade arruinada, que vegeta a espera de seu lá o que? E, que, portanto, necessita de alguma forma retirar, ou melhor, criar&amp;nbsp;de suas próprias ruínas o elemento vivo que a permita novamente começar em direção a um mundo que ainda não é, mas que pode vir-a-ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-4053157117370413269?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/4053157117370413269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/as-tiranias-das-micro-utopias.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4053157117370413269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4053157117370413269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/09/as-tiranias-das-micro-utopias.html' title='As tiranias das micro-utopias'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TIBtCl0YVHI/AAAAAAAAAOk/MOFy4rXp05U/s72-c/dores.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-7242458196367743219</id><published>2010-08-29T19:40:00.000-07:00</published><updated>2010-08-29T19:40:07.447-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eleições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Espetáculo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotogenia'/><title type='text'>A política do espelho e as eleições</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/THsZ7dxU_tI/AAAAAAAAAOU/sipQcMtON8E/s1600/vereador3.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" ox="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/THsZ7dxU_tI/AAAAAAAAAOU/sipQcMtON8E/s400/vereador3.gif" width="283" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesses dias de comícios, carreatas e propagandas eleitorais, a vida diária é tomada por um apinhado de suportes gráficos e digitais por meio dos quais as imagens dos candidatos pousam sem muita delicadeza sobre os nossos olhos; por todos os lados, folders, fotografias, jingles, bandeiras&amp;nbsp;e cartazes atacam nossos sentidos. Normal, demasiado normal. Porém, essa normalidade biênica habituou-nos a tratar a&amp;nbsp;iconografia eleitoral com irreflexão ou, então, como insignificância da qual, é verdade, retira-se mais subsídios para a gargalhada e a troça do que para a análise. É que os próprios objetivos políticos e procedimentos técnicos para tal exigem para construção e difusão da imagem certa dose de nivelamento rasteiro das diferenças e das inteligências. Por isso, os jingles, as imagens e slogans eleitorais são, poder-se-ia dizer, aliás, a produção discursiva em geral da cultura de massa, a rigor, vagos, genéricos e vazios, assim como a idéia que esses supõem de seus receptores – o “povo”, os “eleitores”, os “espectadores”, a “opinião pública” etc. Dessa maneira, a irreflexão e a insignificância a priori dessas estratégias imagéticas e marketeiras&amp;nbsp;se constituem como tais no momento mesmo de sua elaboração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A análise, a investigação mais sistemática ou a digressão intelectual sem maiores propósitos é aquilo mesmo que pode transformar a suposta insignificância da espectacularização da política e das eleições&amp;nbsp;em qualquer coisa de relevante, a propósito da qual vale à pena escrever alguns parágrafos ou conversar alguns minutos. Vamos lá, então! Evidentemente, as imagens em geral, sejam elas fixas, como na fotografia ou gravura, ou em movimento, como as imagens cinematográficas e televisivas, são capazes de afetar os sujeitos e as idéias; até que ponto elas fazem isso com sucesso segundo seus objetivos é um assunto que não tratarei aqui. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os cartazes e as fotografias em que repousam as imagens dos candidatos visam algo muito simples e direto, a saber: estabelecer algum tipo de elo pessoal, mais ou menos íntimo, entre esses e os seus eleitores. O que se exprime nessas imagens não é de modo algum um programa de idéias ou projetos mas sim uma representação, uma mera idéia das motivações e disposições do candidato expressas desde o modo de vestir à maneira de sorrir e olhar capturadas pela fotografia. Em vez de um conjunto de propostas e problemas a serem debatidos, isto é, a política em certo sentido, a fotografia eleitoral visa condensar e transmitir, caricatamente, um ethos, uma maneira de ser do candidato, ou do partido do mesmo. A política é posta de lado em favor da representação de uma tipificação genérica de gestos, valores e atitudes com os quais os eleitores podem, com suas aspirações iludidas e esperanças vãs, se identificar. Nesse sentido, a imagem do candidato ou o ethos que sugere corporificar é, por um lado, uma espécie de isca pronta para fisgar e, por outro, um espelho que nos devolve a nossa própria miséria e desinteresse. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, os cartazes, folders e bandeiras propõem os “bons moços”, “os simpáticos” que, retratados com aquele ar de espanto e convicção, prometem ser diferentes da sujeira costumeira dos demais; os candidatos cristãos ou “os puros de coração” geralmente são mostrados rodeados por seus belos filhos e por suas pudicas esposas. Emerge também o tipo “administrador competente e racional” de paletó, cabelo arrumado, caneta e óculos perscrutadores, apto a fazer prosperar, com racionalidade e ímpeto, as contas do estado de uma maneira moderna e empresarial. Esses olham diretamente, mas com ternura,&amp;nbsp;numa foto&amp;nbsp;de busto para acentuar o realismo de suas habilidades práticas como que de fato estivessem à nossa frente. Há também a iconografia do candidato “chefe de família”, cidadão viril e obediente, dotado da única firmeza, coerência e hombridade necessária e incorruptível para elevar à pátria ao seu destino; há o “idealista”, retratado, por sua vez, com o rosto erguido e o olhar nobremente dirigido àquele tempo, futuro ou passado, de inigualável distinção. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, os tipos são infindáveis. O que importa é atentar que a&amp;nbsp;fotogenia eleitoral é um processo de simulacros, de duplicação, isto é, imagens que visam exprimir imagens. A ironia das coisas é que seu objetivo de suscitar a identificação só é eficaz na medida em que conta com nossa cumplicidade, ou melhor, na medida em que, de certa maneira, vemos algo de familiar naquelas imagens. Ou seja, quando vemos a nós mesmos ali caricaturados, ainda que seja para rirmos e zombarmos de nossa própria imagem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-7242458196367743219?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/7242458196367743219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/08/politica-do-espelho-e-as-eleicoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7242458196367743219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7242458196367743219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/08/politica-do-espelho-e-as-eleicoes.html' title='A política do espelho e as eleições'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/THsZ7dxU_tI/AAAAAAAAAOU/sipQcMtON8E/s72-c/vereador3.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-2317959971546966179</id><published>2010-08-21T12:48:00.000-07:00</published><updated>2010-08-21T12:48:44.492-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Foucault'/><title type='text'>Foucault Cowboy</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/THArIJEUWSI/AAAAAAAAAOM/h4IzkSU_pRI/s1600/Foucault+Cowboy.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" ox="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/THArIJEUWSI/AAAAAAAAAOM/h4IzkSU_pRI/s400/Foucault+Cowboy.png" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-2317959971546966179?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/2317959971546966179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/08/foucault-cowboy.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2317959971546966179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2317959971546966179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/08/foucault-cowboy.html' title='Foucault Cowboy'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/THArIJEUWSI/AAAAAAAAAOM/h4IzkSU_pRI/s72-c/Foucault+Cowboy.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-7884240971790220395</id><published>2010-08-11T21:10:00.000-07:00</published><updated>2010-08-11T21:13:50.463-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Professores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>O menosprezo nosso de cada dia com a Educação e com os Professores</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TGN0KFH32JI/AAAAAAAAAOE/jsDjV7kPwIU/s1600/professor.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TGN0KFH32JI/AAAAAAAAAOE/jsDjV7kPwIU/s320/professor.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há uma velha máxima segunda a qual podemos medir o grau de “civilização” de uma sociedade pelo tratamento que esta dispensa aos seus encarcerados. Poder-se-ia, acredito, afirmar o mesmo com relação ao tratamento dado aos professores. Sob esse ponto de vista, continuamos distante, bem distante, e numa posição particularmente difícil de qualquer ideal de civilidade e civilização.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tal estado não é uma surpresa. Já há algumas longas décadas que a educação em nosso país não é um valor em si, nem para o Estado, nem para a sociedade. Ela não é um meio para algum fim coletivo, um projeto de país, de sociedade democrática, progressista, cultivada. Para uns, a educação é um meio para fins privados de status social e profissional; meio para garantir bons salários e empregos estáveis e estimados. A educação, a escola e a universidade, é qualquer coisa como que um obstáculo a ser superado para adquirir algum estilo de vida e emprego cobiçados, socialmente invejados e valorizados. Para o Estado, a educação é qualquer coisa por meio da qual se incrementa as estatísticas do país. É, novamente, um meio para barganhas políticas por meio da divulgação de rankings e cumprimento de metas. Quando muito, a educação é para alguns setores do Estado e do empresariado brasileiro algo no qual é preciso intervir, “modernizar”, para torná-la eficiente para fins que não são os da educação por si, mas antes, fins ligados à produção, ao lucro e a formação de obra qualificada. Eis aí o quadro cruel de nossos erros e vícios e o sinal inequívoco do desprezo latente com a educação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com respeito ao crédito ou, por assim dizer, a estima social dos professores, basta pensar que professor de ensino médio hoje é convidado como tal, por reconhecimento de sua função e valor, para discorrer sobre algo, para participar de algum programa, debate cultural, político, para, enfim, ser ouvido? Esses lugares são ocupados por especialistas e/ou professores universitários especialistas. O que sobra a para esses miseráveis esquecidos e sem visibilidade pública? Resta aos professores escolares tentar, ao menos, um lugar no Big Brother.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas há ainda um elemento maior de crueldade na atual situação dos professores: ao descrédito dos professores secundaristas, ao seu péssimo salário e condições de trabalho e ao volume de seu trabalho somem-se, agora, as tarefas hercúleas de tratar de questões tão delicadas e complexas como intolerância, xenofobia, racismo, sexismo e direitos humanos que a sociedade e o estado, muito educadamente,&amp;nbsp;jogaram sobre os seus ombros. Dessa forma, não surpreende que as aulas acerca desses temas não passem de uma tautologia organizada, gaguejada, infelizmente, e com ecos da antiga disciplina de “moral cívica” pela Sociologia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O curioso é que mesmo com um contingente maior de professores formados a cada ano, ainda assim, o número de professores nas escolas é deficitário. Pois, não existe, pelo salário ridículo – a média da hora-aula gira em torno de oito reais! -, pelas vexatórias condições de trabalho, pelo parco reconhecimento, pela carga horária abusiva, qualquer motivação para ingressar na escola.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse ponto, o governo Lula deixou a desejar. Os investimentos do governo Lula, sob a batuta do Haddad, no campo da educação foram incrivelmente desconexos, pulverizados, pouco planejados, e, em quase nada, transformou a situação dos professores. O máximo que o governo fez pelos professores foi facilitar a aquisição de diplomas cujo testemunho de competência e vocação é muito pouco confiável. Uma vez em mãos, os diplomas serão utilizados por aqueles como um bilhete de ingresso para conseguir um “bico” temporário dando aulas enquanto esperam aparecer alguma coisa melhor; num cargo burocrático nas fileiras do Estado, via concurso público de preferência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas então, quer dizer que tudo está perdido e aviltado? Não. Na verdade, quer dizer que há muito o que fazer. Já que as tonalidades e os acordes desse texto podem, com alguma generosidade do leitor e certa pretensão do autor, lembrar o cinza da Escola de Frankfurt, lembremos, pois, sua velha fórmula para encerrar: "Nosso princípio básico sempre foi: pessimismo teórico e otimismo prático" (Horkheimer).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-7884240971790220395?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/7884240971790220395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/08/o-menosprezo-nosso-de-cada-dia-com.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7884240971790220395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7884240971790220395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/08/o-menosprezo-nosso-de-cada-dia-com.html' title='O menosprezo nosso de cada dia com a Educação e com os Professores'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TGN0KFH32JI/AAAAAAAAAOE/jsDjV7kPwIU/s72-c/professor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-1520430588149250596</id><published>2010-08-09T08:23:00.000-07:00</published><updated>2010-08-09T08:23:21.256-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Universidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensino'/><title type='text'>Professor da UnB critica a formação de doutores no Brasil</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para Marcelo Hermes, do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília, daqui a quinze anos o país não terá capacidade de fazer ciência de ponta "porque toda a geração se aposentou e os atuais não foram formados adequadamente"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No último dia 10, os consultores do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, apresentou um estudo que concluiu, dentre outros, uma taxa média de 11,9% de crescimento ao ano do número de doutores no país. Para falar da expansão da pós-graduação no Brasil, a ADUNB entrevistou o professor do Departamento de Biologia Celular, Marcelo Hermes. Confira a seguir:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- O estudo do CGEE mostrou que entre 1996 e 2008 o número de doutores titulados no Brasil cresceu 278%. O que o senhor acha da expansão da pós-graduação no país?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A minha visão é contrária à expansão da pós-graduação, especialmente do doutorado. A maioria das pessoas acreditam que o crescimento no Brasil - e na UnB também - é positivo. A taxa de aumento, alguns anos atrás, chegou a variar entre 10% e 20%, um crescimento chinês. E todo mundo comemora isso, exceto alguns poucos. Eu acho que é um crescimento exagerado. Aliás, responder isso agora ficou mais fácil, desde que o país entrou no chamado super aquecimento. Esse crescimento de 9% ao ano o qual o país não suporta, já que não temos estrutura física para tanto bussines. E a mesma coisa acontece na pós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Como é essa comparação?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para se ter pós-graduação são necessárias quatro coisas: os alunos, que querem fazer pós; os professores, que vão orientar e dar aula; os cursos e, claro, dinheiro. Dinheiro não tem sido o problema. Então o que acontece? Você tem um crescimento muito grande tanto no número de cursos, de alunos e de orientadores. Um olhar desatento, pensa "que bom!". Não. Muito pelo contrário. O país está andando para trás com esse crescimento exagerado da pós. Primeiro porque os professores têm uma capacidade finita de orientar. Antigamente, cada professor orientava cinco, hoje está orientando dez alunos. E isso causa uma queda da qualidade. Obviamente, você não consegue dedicar suficiente tempo para orientar esses alunos. Para formar doutores é preciso um trabalho artesanal. Eles têm que ser treinados, pois podem se transformar em orientadores no futuro. Além disso, nem todos têm capacidade de ser orientadores. Tem muita gente que não tem a formação técnica e a capacidade de orientar. E nem todo mundo tem a qualificação necessária para ser orientador de doutorado. E com esse crescimento exagerado, a pós está pegando vários professores que não têm a menor capacidade de orientar, mesmo que não queiram, porque vão pegar uns pontos a mais, vão ter uma promoção. Outro problema é a existência de alunos que não deveriam estar fazendo doutorado, porque não tem capacidade para isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- O senhor acredita, então, que nem todo mundo está apto a fazer um doutorado?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim. É curioso que hoje já entendemos que nem todo mundo deve fazer graduação. O candidato à presidência José Serra, por exemplo, está fazendo campanha pelo ensino técnico. A ideia é: o que adianta sair com um diploma de administração se você não vai administrar uma empresa? O problema é o mesmo no doutorado. Sendo muito otimista, acredito que metade desses milhares de alunos de doutorado é composta pelos que eu chamo de "doutores mobral", o doutor analfabeto, que mal sabe ler um artigo científico, quanto mais escrever. O Brasil quer formar doutores, então vamos formar de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt; Existe algum outro fator que contribua para a baixa qualidade na formação desses doutores?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um fenômeno atual é o caso de pessoas que se formaram em faculdades particulares estarem ingressando na pós-graduação. São alunos mais fracos, isso é um fato. Mas estão entrando porque a pós está expandindo. Eu diria que 90% da produção de doutores vêm das faculdades públicas. E diria ainda que 90% dos que vêm das particulares são fracos. Essa produção vai crescer, depois vai estabilizar e lá para 2025 vai começar a cair, porque vai ser quando os atuais orientadores vão se aposentar. Pode até ser que a produção de teses continue a crescer infinitamente. Só que essa segunda geração de "doutores Mobral" vai produzir a tese e não publicar ciência, a menos que as revistas também baixem muito o nível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt; Não existe reprovação em pós-graduação?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Praticamente não tem. 99,9% das pessoas são aprovadas no mestrado. O orientador corrige a tese antes de entregar para banca e muitas vezes a própria banca também reescreve a tese. Então a tese acaba não sendo mais do aluno, não é mais personalizada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt; Qual o motivo para o investimento no crescimento da pós-graduação no Brasil?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para ter produção de ciência deve existir mão de obra para fazer pesquisa. E quem é que faz a pesquisa? O pesquisador coordena; 80% das pesquisas são feitas por alunos de doutorado. São eles a mão de obra. A Capes entendeu que, ao expandir ao máximo o doutorado, maior a produção e quantidade de resultados. A cada ano aumenta o número de alunos formados doutores e a cada ano aumenta o número de trabalhos publicados. A própria Capes usa isso como propaganda para mostrar como é positivo esse aumento do doutorado no Brasil. Fazem questão de divulgar que o Brasil, a cada ano, eleva sua posição no ranking de países que produzem ciência, ocupando o 14º lugar. Mas isso é criminoso: você forma o doutor para produzir a média de dois artigos. E é isso o que ele vai fazer. Veja o custo do país para formar uma pessoa cujo objetivo é fazer dois artigos. E, muitas vezes, quem vai escrever é o orientador, pois ele não tem condição de fazer isso. Porque é tudo muito rápido, prazos restritos e tem que fazer funcionar. O crescimento da ciência e da pós-graduação brasileira é uma neoplasia, um tumor e um dia isso vai explodir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- O senhor acha que essa situação se sustenta no futuro?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria sustentável se as pessoas vivessem para sempre. Mas as pessoas morrem, se aposentam. Essa política está completando 6, 7 anos. Começou na era FHC em que se estimulavam os pesquisadores a publicar. Na era Lula a pressão é para se publicar o máximo que puder. Então os estudantes que estão sendo formados agora e que estão sendo ultra pressionados não sabem fazer pesquisa direito. Está sendo uma formação a jato, massificada, e quero ver essas pessoas quando a minha geração morrer ou aposentar. Quero ver se eles vão dar conta do recado, porque eles não tiveram a formação necessária. E quero vê-los formando outros profissionais dentro dessa visão de mega-produção de baixa qualidade. A minha crítica não é à publicação. Sou "produtivista". Mas sou contra ao mega-produtivismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- O senhor acha que esse panorama é contornável?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que está acontecendo no Brasil é uma farsa e uma fraude com dinheiro público. Se fosse algo que pudesse ser resolvido mudando a política, mas não é. Será um "dano irreparável". Eu diria hoje, sem problemas, que temos de 30 a 40 mil doutores "Mobral" no Brasil, disputando empregos. Qual o problema para o Brasil? Imaginamos o país daqui a quinze anos sem capacidade de fazer ciência de ponta porque toda a geração se aposentou e os atuais não foram formados adequadamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Como o senhor acha que essa questão do crescimento da pós-graduação é vista pelos outros pesquisadores?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu fiz uma pesquisa, publicada em 2008 em uma revista canadense, em que entrevistei vários colegas pesquisadores, selecionados ao acaso, sobre o que eles achavam da pós-graduação brasileira em vários aspectos. A grande maioria, e eu comparei com alguns señiors latino americanos (mexicanos, argentinos e chilenos), critica esses problemas de regras muito ruins da pós-graduação, de overwork e má qualidade dos recém-doutores sendo formados. O doutor tem que ser qualificado. Na minha área (Ciências Biomédicas) ele tem que ser capaz de propor um projeto de pesquisa, de executar esse projeto de pesquisa, de montar uma equipe, de buscar verba para isso, de publicar em periódicos internacionais, de ser avaliador de outros artigos, de dar palestras. Eu e os pesquisadores que entrevistei acreditamos que a maioria que está sendo formada não tem mais essas qualificações. Algumas pessoas falam que a qualidade do ensino como um todo está caindo. Não gosto de analisar por esse viés, não sou sociólogo. As coisas são mais simples: a pressão é muito grande, não está havendo tempo de formar as pessoas. Por exemplo, tenho um amigo no campus da Unifesp, que é professor titular, que reprovou os 10 candidatos de um concurso para professor e todos tinham doutorado. Que "ótimos" doutores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(ADUnB, 1/7) &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=71975"&gt;Jornal da Ciência&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-1520430588149250596?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/1520430588149250596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/08/professor-da-unb-critica-formacao-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/1520430588149250596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/1520430588149250596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/08/professor-da-unb-critica-formacao-de.html' title='Professor da UnB critica a formação de doutores no Brasil'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-3072820746628013183</id><published>2010-07-29T06:06:00.000-07:00</published><updated>2010-07-29T06:06:27.620-07:00</updated><title type='text'>Despenca número de bolsas de doutorado integral no exterior</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queda de 80% não interessa à ciência brasileira, afirma CNPq.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fazer doutorado em uma grande universidade estrangeira com bolsa de uma instituição brasileira é um sonho cada vez distante para os estudantes do país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo dados apresentados na conferência da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Natal, entre 1992 e 2007 o número de bolsas do CNPq no exterior caiu de quase 2.800 para cerca de 500 -um tombo de mais de 80%.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já o doutorado-sanduíche, em que o aluno fica parte do curso fora do Brasil, teve um ligeiro crescimento no período. Hoje há cerca de 5.000 alunos na modalidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde 2007, as bolsas integrais recebem menos dinheiro do CNPq do que as chamadas bolsas-sanduíche.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Foi um decréscimo exagerado. Os programas de bolsas no exterior ficaram suprimidos, é preciso corrigir isso", diz Carlos Aragão, presidente do CNPq.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Conforme vão aparecendo novos programas de pós-graduação no Brasil, os estudantes que antes sairiam ficam por aqui. Mas o país tornou isso uma regra", afirma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele lembra que é bom ter brasileiros fora do país para criar, além da rede de contatos, um fluxo de ideias entre o Brasil e o exterior.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"É importante ter estudantes que vão para o exterior. Quando voltam, trazem oxigênio para o sistema."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O próprio Aragão fez doutorado nos Estados Unidos, no final dos anos 1970. "Criei uma relação com a Universidade Princeton, onde estudei, que é para sempre. Bolsas no exterior são fundamentais para estabelecer parcerias duradouras."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A internacionalização da ciência brasileira foi tema de debate em Natal e, segundo Aragão, é prioridade para o CNPq, que planeja trazer estrangeiros para os comitês que avaliam os projetos submetidos ao órgão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fonte: &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2907201003.htm"&gt;Folha de S. Paulo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-3072820746628013183?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/3072820746628013183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/despenca-numero-de-bolsas-de-doutorado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3072820746628013183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3072820746628013183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/despenca-numero-de-bolsas-de-doutorado.html' title='Despenca número de bolsas de doutorado integral no exterior'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-3437468876848357813</id><published>2010-07-27T17:18:00.000-07:00</published><updated>2010-07-27T17:18:47.098-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gênero'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Judith Butler'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esquerda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista Judith Butler: " "La lucha debe ser por una vida vivible"</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TE92U82d8EI/AAAAAAAAAN8/fcnRMlKf1Rk/s1600/butler.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" hw="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TE92U82d8EI/AAAAAAAAAN8/fcnRMlKf1Rk/s320/butler.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abaixo reproduzo a interessante entrevista&amp;nbsp;- em espanhol -&amp;nbsp;com a filósofa e teórica feminista Judith Butler, publicada pela &lt;a href="http://www.revistaenie.clarin.com/notas/2010/07/24/_-02205790.htm"&gt;&lt;em&gt;Revista Ñ&lt;/em&gt;.&lt;/a&gt; Direitos Humanos e seus limites, pensamento de esquerda e a atualidade, violência estatal, a relação entre guerra, imigração e sexualidade, são alguns dos temas&amp;nbsp;abordados pela&amp;nbsp;autora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;-¿Qué significa hoy "ser de izquierda"? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Pienso que los nuevos modos de hacer la guerra llaman a pensar nuevos modos de responsabilidad política. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;¿Cómo entendemos los mecanismos básicos de opresión y sujeción cuando el agente no es exclusivamente el Estado-nación? ¿Cómo debemos entender el papel de los medios digitales dentro de los sistemas de guerra? ¿Necesitamos una crítica de estos sistemas de comunicación para poder ofrecer una crítica de la guerra? La izquierda está fragmentada. Las coaliciones antimilitaristas están lejos de los partidos socialistas y socialdemócratas oficiales. Tenemos que repensar esta distancia, entender esta división y operar dentro de ella. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt;En la introducción del libro, pone reparos sobre la situación de la izquierda en relación con el gobierno de Barack Obama.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Marcos de guerra fue publicado poco antes de la asunción de Obama y esos reparos eran ciertos. Obama continuó las políticas de Bush más de lo que habíamos esperado. Hemos visto la escalada de la guerra en Afganistán, el uso creciente de los aviones no tripulados que siempre matan a civiles, una manera mercantilista de concebir la seguridad social y un fracaso para oponerse firmemente al ataque israelí en Gaza. En estos casos se juega cuáles vidas pueden ser lloradas y cuáles no. Su retórica es mucho más inspirada que sus acciones. La cuestión es si la población aceptará o no esta distancia entre el discurso y las acciones de Obama.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt;En relación con las vidas que pueden o no ser lloradas, usted plantea que los medios cumplen un papel importante en estas definiciones, que exacerban el dolor de las víctimas para generar una política de la venganza donde ya no pueda ser recibida la demanda de una vida digna de ser llorada. ¿Estaríamos ante una suerte de "ejecución pública" realizada mediáticamente?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-No quisiera que se entienda que los medios simplemente manipulan los afectos. No creo que puedan jugar con nosotros tan fácilmente. Pero creo que podemos entender a los medios como aquello que construye la idea de "una vida digna de ser llorada". Ciertas presunciones sobre religión, raza, género y clase se hacen normales con el tiempo: son "creencias" que toman la forma de figuras icónicas, y esa iconicidad es reproducida a través de la circulación mediática, logrando cierta eficacia. Ahora bien, más allá de la escena mediática, no hay dudas de que Foucault fue demasiado rápido al hacer la distinción histórica entre regímenes disciplinarios y predisciplinarios. Pueden trabajar en conjunto; lo hemos visto en varios países, incluyendo la Argentina de la última dictadura, cuando la psiquiatría trabajó junto con los sistemas de tortura. Quizá tengamos que repensar la idea de que la disciplina toma el lugar de la tortura. Pueden estar juntas, una puede liderar a la otra, o hacerse indistinguibles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;-Usted plantea que, de hecho, la tortura hoy está legitimada por discursos de saber que esencializan las diferencias culturales. ¿Cómo se da esta situación?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-En la guerra contra Irak la tortura se convirtió en un tipo de humillación sexual que produce coercitivamente al sujeto árabe, y que se basa en apropiaciones teóricas curiosas como las de The Arab mind, de Raphael Patai. Este libro de los años 70 pretende mostrar cómo es la mentalidad árabe y contiene una gran cantidad de prejuicios. Pues bien, The Arab mind fue material de lectura del personal militar, pero no lo fue la Convención de Ginebra, que regula el tratamiento de los prisioneros de guerra. Lo que se les inculcó a los militares es la idea de que las culturas árabes, supuestamente musulmanas, son premodernas y no aptas para la vida democrática. Esto sirve como una precondición para el tratamiento brutal de los prisioneros. Por un lado, es un prejuicio cultural. Por el otro, el prejuicio cultural en acción significa tortura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt;En relación con la cuestión del terrorismo invocado como motivo de guerra, usted rescata una posición polémica como la de Talal Asad, quien afirma que no hay manera de juzgar a la violencia como justa o injusta partiendo de su origen estatal o no estatal. En la Argentina, respecto de los delitos cometidos por la dictadura, se suele invocar la condición estatal como definitoria de la "lesa humanidad". ¿Podría explicar su posición? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Por un lado, se podría decir que una de las razones de ser de un Estado democrático es la protección de los derechos humanos de los ciudadanos. Por el otro, debemos ser capaces de defender los derechos humanos de quienes no son ciudadanos. Si el Estado no puede proveer tal defensa, ¿qué hacemos? Es una cuestión de los derechos de quienes no pertenecen a ningún Estado y están implicados en acciones de guerra, pero también es cuestión de los indocumentados cuyos derechos humanos también deben ser protegidos. Si sólo consideramos como merecedoras de derechos a aquellas vidas que representan al Estado-nación, estamos definiendo tácitamente al ser humano en relación con su pertenencia a un Estado. Cualquiera que sea el significado de "humanidad", es evidente hoy que la violencia estatal destruye los derechos "humanos". Quién es un "ser humano" es una cuestión que surge de manera urgente por fuera de la ciudadanía como tal y en el límite del poder del Estado, y la manera en que resolvamos esta cuestión tendrá claras consecuencias sobre cómo pensamos la estatalidad y sus derechos. Quizá tengamos que poner entre paréntesis el poder del Estado para comenzar a repensar lo humano en su totalidad.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;-¿Se puede suspender el poder del Estado? En el caso del matrimonio gay, que recientemente fue convertido en ley en nuestro país tras una virulenta polémica, la cuestión reside en pedirle al Estado que reconozca ciertos derechos a ciertas minorías, algo que a usted la perturba. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Es cierto que en Marcos de guerra insisto sobre esta cuestión, pero quiero decir que no me opongo al matrimonio gay. Pienso que el matrimonio debe ser abierto a cualquier pareja de adultos que quieran entrar en ese contrato, sin fijarse en su orientación sexual. Es un asunto de igualdad de derechos civiles. Pero no sé si este derecho particular debe ser la vanguardia del movimiento gay. Deberíamos preguntarnos por qué el matrimonio está restringido a dos personas, aunque parezca una broma. ¿Cuáles son los modos en que es organizada la sexualidad, y por qué tipos de organización estamos luchando? Aquellos que están luchando por lograr otras formas sociales para la sexualidad se están convirtiendo en "minorías" dentro del movimiento para establecer los derechos de los gays al matrimonio. ¿Por qué no estamos pensando en otros modos de dependencia, parentesco y alianza sexual? ¿Por qué el movimiento no se focaliza en contrarrestrar la violencia de género en todos sus niveles o nos ayuda a sostener a los jóvenes queers o a luchar por vivienda digna y beneficios sociales para la gente de edad que no está dentro del modelo marital o familiar clásico?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt;También critica las visiones esencialistas que reivindican el "derecho a la vida". &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Estas visiones piensan que ese derecho corresponde al de una vida individual. Por ese error quedamos presos de debates acerca de qué es un individuo vivo. Se trata de las normas que gobiernan la inteligibilidad de un ser humano. Podemos intentar otra interpretación: preguntarnos sobre las condiciones en las cuales la vida se hace vivible. Tenemos que luchar por esas condiciones. La pregunta por la vida en abstracto responde a posiciones cercanas al humanismo y al individualismo liberal. Lo que yo propongo es pensar a la vida a partir de sus condiciones sociales y desde allí juzgar qué vida merece ser vivida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-3437468876848357813?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/3437468876848357813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/entrevista-judith-butler-la-lucha-debe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3437468876848357813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3437468876848357813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/entrevista-judith-butler-la-lucha-debe.html' title='Entrevista Judith Butler: &quot; &quot;La lucha debe ser por una vida vivible&quot;'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TE92U82d8EI/AAAAAAAAAN8/fcnRMlKf1Rk/s72-c/butler.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-308612210002930523</id><published>2010-07-26T06:33:00.000-07:00</published><updated>2010-07-26T06:34:25.869-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luiz Werneck Vianna'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><title type='text'>Eterno retorno</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Luiz Werneck Vianna&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parece que o relógio da história atual do Brasil desandou: quanto mais ele avança no tempo mais volta ao seu passado em busca de velhas soluções. Fora de controvérsias a natureza bem-sucedida do nosso capitalismo, indicada de modo evidente na força do seu sistema financeiro, estatal e privado, no seu diversificado parque industrial, no agronegócio, na sua presença afirmativa na cena do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa força da economia capitalista brasileira é registrada, dia a dia, em todos os veículos da mídia que abrem amplos espaços aos seus temas - quando não inteiramente dedicados a eles -, mobilizando um sem número de especialistas em suas questões e na tradução de suas demandas para o governo e para a opinião pública, quando dissemina sua linguagem e seus valores em várias camadas sociais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa presença poderosa da economia capitalista na nossa vida social se expressa com igual vitalidade na vida associativa que reúne os seus dirigentes em influentes corporações, como a Fiesp e a Febraban, para não mencionar a rede com que o chamado sistema S recobre, capilarmente, a sociedade civil, inclusive nas artes e na cultura, bem o caso do Sesc, que se substitui ao Estado na proteção de manifestações vulneráveis do ponto de vista do mercado, exemplarmente as da atividade teatral.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tais êxitos, contudo, não podem ser inteiramente debitados à livre iniciativa, não sendo o resultado "natural", ao longo do tempo, das ações, cálculos e deliberações dos agentes econômicos, mas sim, em grande parte, ao Estado e à sua política que, desde os anos 1930, impuseram os objetivos e as linhas mestras do processo de modernização que recriou o país. A nossa modernização, como se sabe, nos veio verticalmente, de cima para baixo, caracteristicamente autoritária, ora duramente repressiva como nos ciclos 1937-45 e 1964-85, ora sob formas mais brandas como no governo JK, e da sua obra, como traços principais, ficaram não só a articulação solidária entre suas elites urbano-industriais com as agrárias como também formas de organização corporativa dos interesses de empresários e trabalhadores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a democratização do país, o peso dessa herança logo se fez sentir. Salvo o caso do PT que se constituiu como um partido classista e de agregação de interesses dos trabalhadores - de início, fundamentalmente do setor industrial -, os grandes interesses dos setores urbanos industriais, assim como o dos agrários, tiveram um papel secundário na reorganização da vida partidária. Essa distância quanto aos partidos conta com mais um exemplo no Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), cuja opção foi a de preservar sua identidade de movimento social, deixando sem representação partidária direta o que nos restava de campesinato e a pequena propriedade rural.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sob essa estratégia, as velhas formas de representação recuperaram viço, fortalecendo seus vínculos com o Estado e adotando uma perspectiva instrumental em relação aos partidos - no interior do Legislativo, segmentos de interesses atuam por meio de bancadas de parlamentares pertencentes a vários partidos. Tal prática se tem reforçado pelo fato de os últimos governos, especialmente o do PT, terem atribuído posições-chave na administração pública a lideranças de corporações. Nessa direção, o governo do PT foi além ao criar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, de formatação inequivocamente corporativa, a fim de exercer funções de mediação direta entre ele e a sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com essa orientação, o atual governo, oriundo do antigo partido classista dos anos 1980, restaura o estilo e instituições típicas do Estado Novo, redescobrindo, em condições de plena democracia política, a fórmula de um capitalismo politicamente orientado que não impõe seus fins a seus agentes econômicos porque os estabelece em negociação com eles. Assim, temos o processo de modernização mais bem-sucedido do antigo 3º Mundo, temos uma Constituição que consagra a democracia política e cria instrumentos eficazes para sua defesa e aperfeiçoamento, mas não contamos com partidos fortes, nem com uma sociedade robusta em termos de organização política.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O liberalismo dos empresários é vocalizado nos editoriais e nas páginas de opinião dos grandes jornais; o socialismo, nas revistas dos intelectuais. Mas, como ninguém ignora, nem um nem outro são figuras em extinção, eles estão aí, inclusive como ideologia silenciosa de próceres da atual administração. Mas se não há, na sociedade, espaço para sua expressão é porque esse Estado que está aí não admite espaço vazio que não tenha a marca da sua ocupação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fora do mundo dos interesses organizados e das instituições dedicadas a eles, há o povo, objeto passivo das políticas públicas, mas presença determinante na hora das urnas, quando a linguagem sistêmica conta pouco, salvo para o grupo seleto dos diretamente envolvidos em sua lógica. Para ele, se reserva a linguagem dos sentimentos, como a da compaixão, porque será da sua inclinação que se vai ter a decisão do lado vencedor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ressurgência do tema do populismo, lido agora em luz favorável, mesmo por parte dos seus ferozes críticos no passado, vem dessa atrofia da política, da imobilização da sociedade diante de um Estado que traz tudo para si como se fosse um agente da Providência. Não há porque discutir os rumos possíveis para a nossa sociedade: sistemicamente, eles já estão previstos, o que cumpre fazer é ganhar a alma popular, quando a política se confunde, então, com as artes demiúrgicas de quem, por destino, aprendeu a decifrá-la.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os textos veiculados pela Agência Sebrae de Notícias podem ser reproduzidas gratuitamente, apenas para fins jornalísticos, mediante a citação da agência. Para mais informações, os jornalistas devem telefonar para (61) 3348-7494 ou (61) 2107.9362, no horário das 10h às 19h.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fonte: SABRAE - &lt;a href="http://www.agenciasebrae.com.br/"&gt;http://www.agenciasebrae.com.br/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-308612210002930523?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/308612210002930523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/eterno-retorno.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/308612210002930523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/308612210002930523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/eterno-retorno.html' title='Eterno retorno'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-7645169032763450827</id><published>2010-07-20T05:12:00.000-07:00</published><updated>2010-07-20T05:12:12.439-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Universidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Produção acadêmica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><title type='text'>O professor hiperativo</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Por Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha amiga, professora Célia Tranto, carrega um volume de trabalho que, segundo diz, a tira da possibilidade de ler o que deseja. Ela não é exceção. Em geral, o professor universitário, na universidade pública, apesar de ter suas horas de aula fixadas de modo razoável e seu tempo de pesquisa satisfatoriamente cedido, diz que está assoberbado de trabalho. Acredito que os professores universitários realmente estão sob pressão, mas temo que estejam enganados ao acreditarem que essa realidade é imutável ou que se trata de uma realidade alheia ao que podem decidir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A maior parte dos professores, para explicar esse “seqüestro” levado adiante pelo trabalho, repete um discurso que é arrumado demais, que os satisfaz, mas que vejo como uma justificativa não tão boa quanto lhes parece. Falam sempre em “globalização”, “educação como mercadoria”, “produtividade” e, alguns, enchem a boca ao usar o termo “neoliberalismo” – essa palavra que tanto a esquerda quanto a direita adora, nem sempre sabendo do que se trata. Não sei bem se essas palavras que viraram corriqueiras no mexe-mexe da bochecha de professores e que, agora, já aparecem nas provas de alunos, são realmente levadas a sério pelos que as pronunciam. Muitas vezes, chego a pensar que elas já estão sendo ditas mecanicamente. Pois, se cada professor que se diz assoberbado de atividades refletisse sobre o que faz na universidade, veria que as demandas que assume não são tão obrigatórias quanto ele mesmo afirma que são. Uma boa parte do que fazem é assumida por deliberação livre e, não raro – e isso é que é o problema – em detrimento do cuidado que poderiam ter com os alunos da graduação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É claro que um professor que está em formação, fazendo o seu mestrado ou doutorado, ou mesmo um jovem doutor, tende a se envolver em muitas atividades. Mas, numa boa parte das universidades públicas, há um contingente de professores já com doutorado, ou mesmo professores livres-docentes e titulares, ou seja, veteranos que, enfim, poderiam estar em maior convivência com os estudantes do que realmente estão. Não digo em sala de aula ou bancas. Digo no convívio mesmo, na troca efetiva de experiências. No entanto, assumem atividades administrativas variadas ou então se envolvem em projetos nem sempre tão úteis a eles mesmos ou à cultura quanto imaginam ou tentam justificar para si mesmos. A “cultura da agitação” se sobrepõe à “cultura da produtividade”, embora a responsabilidade pela “falta de tempo” seja jogada nas costas da segunda, é claro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém tem tempo. Todos estão muito ocupados. Há congressos, viagens internacionais e nacionais, aulas de pós-graduação sabe-se lá onde e, enfim, todo tipo de reunião e cargos e comissões. Quanto mais coisa aparece, mais coisas assumem. Quando não aparece, inventam. Dizem que “não houve como dizer não”. Será que eles realmente acreditam que não podiam dizer não ou eles não responderam com a negativa com medo de serem esquecidos quando a oferta for compensadora? Ou eles simplesmente não disseram não porque o que lhes foi oferecido, apesar de não ser bom, lhes dá status que, pensam eles, irá abrir porta para mais status?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo isso tem um preço. Quem paga mais são os alunos da graduação. Esses alunos são vistos como incômodo e, para que não perturbem os seus professores por meio de possíveis “pensamentos livres”, são abarrotados de trabalhos “para entregar”. Isso coloca tais garotos impedidos da vivência universitária e até mesmo sem o tempo necessário para o estudo. Ao final de quatro anos, os professores estão esgotados, os alunos mal formados. A dita falta de tempo fez tudo correr a favor da “pedagogia bancária”, obedecida até mesmo pelos freireanos de carteirinha ou, talvez, muito mais por eles!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando colocados diante do prejuízo causado por essa situação toda, dizem os professores que caso não cumpram tudo “segundo esse figurino” não conseguirão a “promoção funcional”, tão necessária para o sustento de seus rebentos – mesmos quando estes já são homens feitos e mulheres bem colocadas profissionalmente. Será?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não estou dizendo que os professores se engajam em uma vida marionetada exclusivamente por culpa própria. Concedo à política educacional do Brasil atual, para o ensino superior, a responsabilidade que ela tem. Sei, por exemplo, que Fernando Haddad está errado ao dar bolsa para professores para que eles cuidem da “educação continuada” para professores da rede escolar de ensino básico – falei isso pessoalmente a ele. O correto seria ampliar as licenciaturas, fazer o ensino público superior de qualidade crescer (e não o PROUNI) e, então formar bons professores. Para manter esses professores, então bem formados, no ensino básico, o que é necessário é um aumento salarial digno. Todo governo que entra não pensa no médio prazo, então joga a universidade na tarefa de reformar os já formados. É claro que uma política assim – que é uma constante em nosso país – tira o tempo do professor universitário. Há uma série de outras coisas desse tipo que tira o tempo do professor universitário. Mas, caso sejamos sinceros conosco mesmo, isso não é o determinante de nossa “falta de tempo”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nossa falta de tempo ainda é resultado, ao menos no ensino superior público, de escolhas e decisões que nós tomamos. São antes decisões nossas que coisas que nos caem na cabeça. Nós damos valor a cargos. Damos valor a títulos e elogios que nos parecem canalizados a tais cargos. Procuramos nos fazer notar por quem manda ou parece que manda e, ao fim, acabamos apenas deixando que o “seqüestro” ocorra. Sentimos que se não estamos em um programa de pós-graduação, ficando apenas na graduação, não temos prestígio. Chegamos a justificar nossa entrada em programas de pós através de frases um tanto infantis como “se não estou na pós não consigo financiamento para o meu projeto”. Ora, mas qual é o seu projeto? Que adianta projeto se o aluno da graduação está tendo uma aula aligeirada e se você não pode estar presente no meio dos alunos, para criar a cultura da troca de experiência?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Universidade sem vivência universitária não é universidade, é mais um cursinho a distância. Ora, mas já não está tudo se transformando em curso a distância? Essa é a idéia geral: tirar as pessoas da condição de poderem viver e trocar experiências. O seqüestro promovido pela falta de tempo faz parte de um seqüestro maior, que é o roubo da alma por meio do isolamento do corpo, um destino posto já há algum tempo pelo projeto da modernidade. O professor universitário, todos os dias, cede a isso e, irresponsavelmente, diz que “é assim mesmo”. É a “globalização”, a “mercadorização” e… (ah, minha sina!) o “neoliberalismo”. Como o professor universitário gosta desse discurso pseudo-político que lhe tira a responsabilidade!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cedemos à “cultura da pressa” e, logo em seguida, culpamos a “cultura da produtividade”. Não somos tão produtivos assim – isso pode bem ser notado se olharmos o que nossos alunos de graduação, ao final de quatro anos, sabem fazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouve um tempo que havia uma doença que era a da “criança hiperativa”, com dificuldade de aprendizado. Essa doença raramente ataca, agora, as crianças.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Blog: &lt;a href="http://ghiraldelli.pro.br/"&gt;http://ghiraldelli.pro.br/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-7645169032763450827?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/7645169032763450827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/o-professor-hiperativo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7645169032763450827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7645169032763450827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/o-professor-hiperativo.html' title='O professor hiperativo'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-2484132444686869342</id><published>2010-07-13T13:11:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T13:11:58.355-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gênero'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mídia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Violência'/><title type='text'>Patriacardo da violência: o caso Eliza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Por Débora Diniz*&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eliza Samudio está morta. Ela foi sequestrada, torturada e assassinada. Seu corpo foi esquartejado para servir de alimento para uma matilha de cães famintos. A polícia ainda procura vestígios de sangue no sítio em que ela foi morta ou pistas do que restou do seu corpo para fechar esse enredo macabro. As investigações policiais indicam que os algozes de Eliza agiram a pedido de seu ex-namorado, o goleiro do Flamengo, Bruno. Ele nega ter encomendado o crime, mas a confissão veio de um adolescente que teria participado do sequestro de Eliza. Desde então, de herói e "patrimônio do Flamengo", nas palavras de seu ex-advogado, Bruno tornou-se um ser abjeto. Ele não é mais aclamado por uma multidão de torcedores gritando em uníssono o seu nome após uma partida de futebol. O urro agora é de "assassino".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que motiva um homem a matar sua ex-namorada? O crime passional não é um ato de amor, mas de ódio. Em algum momento do encontro afetivo entre duas pessoas, o desejo de posse se converte em um impulso de aniquilamento: só a morte é capaz de silenciar o incômodo pela existência do outro. Não há como sair à procura de razoabilidade para esse desejo de morte entre ex-casais, pois seu sentido não está apenas nos indivíduos e em suas histórias passionais, mas em uma matriz cultural que tolera a desigualdade entre homens e mulheres. Tentar explicar o crime passional por particularidades dos conflitos é simplesmente dar sentido a algo que se recusa à razão. Não foi o aborto não realizado por Eliza, não foi o anúncio de que o filho de Eliza era de Bruno, nem foi o vídeo distribuído no YouTube o que provocou a ira de Bruno. O ódio é latente como um atributo dos homens violentos em seus encontros afetivos e sexuais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como em outras histórias de crimes passionais, o final trágico de Eliza estava anunciado como uma profecia autorrealizadora. Em um vídeo disponível na internet, Eliza descreve os comportamentos violentos de Bruno, anuncia seus temores, repete a frase que centenas de mulheres em relacionamentos violentos já pronunciaram: "Eu não sei do que ele é capaz". Elas temem seus companheiros, mas não conseguem escapar desse enredo perverso de sedução. A pergunta óbvia é: por que elas se mantêm nos relacionamentos se temem a violência? Por que, jovem e bonita, Eliza não foi capaz de escapar de suas investidas amorosas? Por que centenas de mulheres anônimas vítimas de violência, antes da Lei Maria da Penha, procuravam as delegacias para retirar a queixa contra seus companheiros? Que compaixão feminina é essa que toleraria viver sob a ameaça de agressão e violência? Haveria mulheres que teriam prazer nesse jogo violento?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se trata de compaixão nem de masoquismo das mulheres. A resposta é muito mais complexa do que qualquer estudo de sociologia de gênero ou de psicologia das práticas afetivas poderia demonstrar. Bruno e outros homens violentos são indivíduos comuns, trabalhadores, esportistas, pais de família, bons filhos e cidadãos cumpridores de seus deveres. Esporadicamente, eles agridem suas mulheres. Como Eliza, outras mulheres vítimas de violência lidam com essa complexidade de seus companheiros: homens que ora são amantes, cuidadores e provedores, ora são violentos e aterrorizantes. O difícil para todas elas é discernir que a violência não é parte necessária da complexidade humana, e muito menos dos pactos afetivos e sexuais. É possível haver relacionamentos amorosos sem passionalidade e violência. É possível viver com homens amantes, cuidadores e provedores, porém pacíficos. A violência não é constitutiva da natureza masculina, mas sim um dispositivo cultural de uma sociedade patriarcal que reduz os corpos das mulheres a objetos de prazer e consumo dos homens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A violência conjugal é muito mais comum do que se imagina. Não foi por acaso que, quando interpelado sobre um caso de violência de outro jogador de seu clube de futebol, Bruno rebateu: "Qual de vocês que é casado não discutiu, que não saiu na mão com a mulher, né cara? Não tem jeito. Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher". Há pelo menos dois equívocos nessa compreensão estreita sobre a ordem social. O primeiro é que nem todos os homens agridem suas companheiras. Embora a violência de gênero seja um fenômeno universal, não é uma prática de todos os homens. O segundo, e mais importante, é que a vida privada não é um espaço sacralizado e distante das regras de civilidade e justiça. O Estado tem o direito e o dever de atuar para garantir a igualdade entre homens e mulheres, seja na casa ou na rua. A Lei Maria da Penha é a resposta mais sistemática e eficiente que o Estado brasileiro já deu para romper com essa complexidade da violência de gênero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, Eliza Samudio está morta. Morreu torturada e certamente consciente de quem eram seus algozes. O sofrimento de Eliza nos provoca espanto. A surpresa pelo absurdo dessa dor tem que ser capaz de nos mover para a mudança de padrões sociais injustos. O modelo patriarcal é uma das explicações para o fenômeno da violência contra a mulher, pois a reduz a objeto de posse e prazer dos homens. Bruno não é louco, apenas corporifica essa ordem social perversa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra hipótese de compreensão do fenômeno é a persistência da impunidade à violência de gênero. A impunidade facilita o surgimento das redes de proteção aos agressores e enfraquece nossa sensibilidade à dor das vítimas. A aplicação do castigo aos agressores não é suficiente para modificar os padrões culturais de opressão, mas indica que modelo de sociedade queremos para garantir a vida das mulheres. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;* Antropóloga e professora da UNB. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Publicado no&lt;em&gt; Estadão&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-2484132444686869342?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/2484132444686869342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/patriacardo-da-violencia-o-caso-eliza.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2484132444686869342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2484132444686869342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/patriacardo-da-violencia-o-caso-eliza.html' title='Patriacardo da violência: o caso Eliza'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-7268620999340613220</id><published>2010-07-06T07:32:00.000-07:00</published><updated>2010-07-06T07:32:58.532-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zizek'/><title type='text'>Para pensar....</title><content type='html'>“Ninguém mais considera seriamente as possíveis alternativas ao capitalismo, enquanto a imaginação popular é assombrada pelas visões do futuro “colapso da natureza”, da eliminação de toda a vida sobre a Terra. Parece muito mais fácil imaginar o “fim do mundo” que uma mudança muito mais modesta no modo de produção, como se o capitalismo fosse o “real” que de algum modo sobreviverá, mesmo na eventualidade de uma catástrofe ecológica global”. Slavoj Zizek.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-7268620999340613220?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/7268620999340613220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/para-pensar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7268620999340613220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7268620999340613220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/para-pensar.html' title='Para pensar....'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-793557850266552743</id><published>2010-07-01T20:17:00.000-07:00</published><updated>2010-07-01T20:18:36.446-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jessé de Souza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desigualdade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Classes'/><title type='text'>A ralé brasileira: Entrevista Jessé Souza</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TC1aHuKOfoI/AAAAAAAAAN0/QWhTdvurFvE/s1600/jese.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="136" rw="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TC1aHuKOfoI/AAAAAAAAAN0/QWhTdvurFvE/s200/jese.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #3d85c6;"&gt;Entrevista realizada pelo jornalista Uirá Machado, da Folha de S. Paulo,&amp;nbsp;cedida na integra ao sempre excelente sitio Gramsci e o Brasil.&amp;nbsp; Jessé Souza é coordenador do Centro de Pesquisa sobre Desigualdade Social da Universidade Federal de Juiz de Fora e, com André Grillo e outros, lançou recentemente o livro A ralé brasileira: quem é e como vive (Belo Horizonte: Ed. UFMG), em que estuda as características dessa “parcela da população que vive como subgente”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Diversos estudos mostram que a proporção de brasileiros vivendo abaixo da linha de miséria caiu 43% desde 2003. Em seu último livro, o senhor diz ser falsa a tese de que a desigualdade brasileira está desaparecendo. Por quê? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em primeiro lugar há que se dizer que esses números são expressivos e refletem tanto o efeito do recente crescimento da economia brasileira, quanto, também, o sucesso inegável de diversas políticas sociais do atual governo. Os índices que demonstram recuo na miséria ou pobreza a partir de um patamar absoluto de renda, dizem, no entanto, apenas que a pobreza absoluta diminuiu. A desigualdade é um conceito relacional e diz respeito à distância — no nosso caso o abismo — entre as diversas classes sociais que disputam recursos escassos em uma sociedade dada. Existe aqui, portanto, o risco de que o “fetiche do número” encubra o principal. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O principal é que o Brasil é uma das sociedades complexas mais desiguais do planeta, porque entre 30% a 40% de sua população têm inserção precária tanto no mercado quanto na esfera pública. Existe toda uma “classe social”, nunca percebida enquanto tal no debate público — a não ser fragmentariamente enquanto temas soltos e sem relação entre si como “violência”, “desqualificação da mão de obra”, “insegurança pública”, “repetência escolar”, “criminalidade”, “transporte público”, “saúde pública”, etc. — que tende a reproduzir sua precariedade indefinidamente. Imaginam-se 500 problemas para não se ver o único problema efetivo que é a raiz e o núcleo de todos os outros. Fragmenta-se indevidamente a realidade e confundem-se as hierarquias das questões para não se ver o óbvio: que somos uma sociedade altamente conservadora e perversa que aceita conviver com uma porção significativa da sua população vivendo como “subgente”, com empregos precários e sem articulação política de seus interesses. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É esse fato, e não nenhum outro, o que verdadeiramente nos separa das sociedades política e moralmente mais avançadas do chamado “primeiro mundo”. Essa classe social, que chamamos provocativamente de “ralé”, num pais que eufemiza, nega e jamais discute seus conflitos de frente, é a mão de obra barata a serviço das classes média e alta que podem — contando com o exército de empregadas, faxineiras, moto-boys, porteiros, zeladores, carregadores, babás e prostitutas, para o serviço pesado e desvalorizado — se dedicar às ocupações rentáveis e com alto retorno em prestígio e reconhecimento. É isso que chamo de “desigualdade abissal” como nosso problema central. Os outros são “nuvens de fumaça” para que não se perceba o que é importante e o que hierarquicamente deveria vir primeiro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O Bolsa Família é frequentemente apontado como um dos grandes trunfos do governo Lula. Qual sua avaliação sobre esse programa? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O bolsa família tem extraordinário impacto social, econômico e político, com investimento público relativamente muito baixo. É incrível que não se tenha pensado nisso antes. Mais incrível ainda que exista gente que é contra. Boa parte da dinamização do mercado interno brasileiro tem relação direta com o bolsa família, como tivemos ocasião de ver empiricamente em nossa última pesquisa, já no prelo, acerca da “nova classe média”, denominação, aliás, muito infeliz e que criticamos na pesquisa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, o bolsa família não tem condições, sozinho, de reverter o quadro de desigualdade e “incluir” e “redimir” a “ralé” enquanto classe social precarizada em todas as dimensões. Esse é um desafio que tem que ser de toda a sociedade brasileira, que envolve processos de conscientização em todos os níveis. Muda-se uma sociedade quando esta “aprende coletivamente” e ascende a novos patamares de consciência moral e política, por exemplo, “se responsabilizando”, sem procurar bodes expiatórios fáceis, pelas mazelas sociais que produziu historicamente. Botar a culpa no Estado é fácil. Mas não existe ação estatal realmente efetiva sem conscientização social também efetiva e real. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Em &lt;em&gt;A ralé brasileira&lt;/em&gt;, o senhor critica a visão da educação como panaceia para os males do país. Mas é justamente nessa área que o setor empresarial armou uma de suas mais fortes bandeiras, o “Todos pela Educação”. Trata-se de um equívoco de quem se engajou nessa campanha? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É claro que a educação é um fator fundamental para o progresso social em todas as dimensões. O problema é que a competição social não começa na escola. Ela começa em casa, no berço, na imitação e na identificação afetiva das crianças com quem elas amam. Se os pais ou figuras de referência são indivíduos de classe média ou alta, ou seja, indivíduos que aprenderam a ser disciplinados, autocontrolados e a verem o futuro como mais importante que o presente, vamos ter também certas virtudes de classe, como a que permite a “capacidade de concentração”, algo determinante no sucesso escolar e depois no mercado de trabalho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A capacidade de se “concentrar”, vimos isso repetidas vezes na nossa pesquisa, não é “natural”. É um aprendizado de “classe”, de certas classes privilegiadas, privilégio este transmitido de modo afetivo e “invisível”. É um “privilégio de sangue”, na verdade, e não produto de qualquer “mérito individual”. De acordo com a própria justificação moral tanto do mercado quanto da sociedade modernas, fundada na pressuposição da “igualdade de oportunidades”, o que temos é toda uma classe social esquecida, abandonada e construída para servir, a baixo custo, com trabalho sujo e pesado, às necessidades das classes média e alta brasileiras que possuem privilégios sem igual na Europa e nos EUA. Sem que se considere que as crianças de classes sociais diversas chegam a escola como vencedoras ou como perdedoras já aos 5 ou 6 anos de idade, então o que iremos ter é a uma escola que só vai corroborar e oficializar o engodo do “mérito caído do céu” de uns e legitimar, com a autoridade do Estado e a anuência de toda a sociedade, o “estigma” dos outros. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É precisamente desse modo, que o abandono de uma sociedade perversa, que nunca se responsabilizou — nem quer se responsabilizar — pela miséria que ajudou a criar e a reproduzir, se transforma em “culpa individual” da própria vítima do abandono. É o pobre, que não teve a oportunidade de incorporar os pressupostos emocionais e sociais de qualquer processo de aprendizado, que se torna o “burro”, o “preguiçoso”, o “tolo”, em suma: o culpado do próprio destino. Existe melhor legitimação para a reprodução infinita de todos os privilégios? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A eleição presidencial deste ano está polarizada entre dois candidatos com um discurso gerencial. Para muitos, isso indica uma certa maturidade do país, que conseguiu consolidar suas instituições e agora precisa administrar sua economia. O senhor, contudo, critica duramente o discurso economicista. Por quê? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pergunta enseja que nos perguntemos, em primeiro lugar, o que é “maturidade”. Maturidade, seja na dimensão individual ou coletiva, é a capacidade de perceber e de lidar com os inevitáveis conflitos e contradições da vida. Uma sociedade é madura quando ela olha de frente e sem medo para seus conflitos e contradições principais e aceita o desafio de resolvê-los. Reduzir e amesquinhar os conflitos sociais às questões técnicas de administração econômica é o contrário de maturidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha crítica ao que chamo de “discurso economicista” não é também uma negação da extraordinária importância da economia, nem muito menos uma crítica pessoal aos profissionais da economia. Minha crítica é à extraordinária pobreza de um debate público que reduz, distorce e amesquinha todas as questões e conflitos sociais aos imperativos da reprodução da economia. A inversão é patológica e reflete uma sociedade doente: ao invés do mercado ser pensado como servindo à sociedade, é a sociedade que é percebida como “insumo” do mercado. A penetração desse modo de pensar se dá de maneira, ao mesmo tempo, imperceptível e virulenta: terminamos por nos avaliar sempre pelo tamanho de nosso PIB e não pela forma que nos tratamos uns aos outros em sociedade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O senhor afirma que o “mito da cordialidade brasileira”, de Gilberto Freyre, resulta numa “aversão a toda forma de explicitação de conflito e de crítica”. Lula foi um presidente que buscou evitar conflitos a todo custo, bem ao gosto de sua tradição sindicalista conciliadora, montando inclusive um governo de coalizão. Ele contribuiu para empobrecer o debate acadêmico e político?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qualquer político tem de conciliar interesses contraditórios. Não existe fórmula prévia que possa definir de que modo e em que medida deve-se conciliar ou quando se deve partir para o enfrentamento. Apenas os resultados práticos que se alcançam pode nos dizer se, no caso, tratou-se de uma “boa conciliação”, que permitiu avanços sociais importantes, por exemplo, ou uma “má conciliação” que produziu resultados pífios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando falei de “aversão ao conflito e a crítica” sequer pensei também numa crítica a Gilberto Freyre, que afinal criou um “conto de fadas para adultos” convincente — que é o que todo mito nacional na realidade é —, além de muito eficiente e com ampla penetração nacional. Não existe nada de mau nisso. Toda sociedade precisa de mitos que evoquem sentimentos de solidariedade e pertencimento coletivo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Problemático é o que a inteligência nacional fez com esse mito. Nossa ciência social dominante — que influencia todo o debate público, dado que apenas a ciência possui a legitimidade para falar com autoridade sobre qualquer assunto de interesse público — se apropriou do mito “positivo” de Freyre e inverteu o sinal. Tudo o que era motivo de elogio para Freyre passa a ser negativo. Sérgio Buarque é o pioneiro dessa inversão especular de Freyre e, depois dele, praticamente todos os grandes intérpretes brasileiros desde então. Uma “cultura” emotiva e sentimental, antes elogiada, passa a ser percebida como índice de pré-modernidade. Ainda que os “homens cordiais” de Sérgio Buarque, indignos de confiança e “amigo dos próprios interesses”, sejam todos os brasileiros, pouco a pouco apenas o Estado será percebido como a “casa da cordialidade” que confunde o público e o privado. Por algum milagre, que ninguém explica, o mercado fica a salvo da “cordialidade” e de seus males. A “brasilidade cordial”, definida como emotiva e sentimental por oposição à racionalidade e ao cálculo, torna-se o problema maior do Brasil e passa a habitar apenas o Estado ineficiente, politiqueiro e corrupto, definindo o conceito mais importante das ciências sociais e do debate público brasileiro até hoje: o conceito de “patrimonialismo”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O conceito de patrimonialismo distorce e simplifica a realidade de várias maneiras, mas, sempre, na mesma direção: o mercado é percebido como a esfera idealizada de todas as virtudes e o Estado como a esfera que encerra todo o mal e toda a corrupção. Na verdade é um absurdo separar mercado e Estado, que são realidades interdependentes e um não existe sem o outro, e mais absurdo ainda imaginar que não exista corrupção também no mercado — e isso no mundo inteiro — não existindo qualquer privilégio “patrimonialista” brasileiro nessa questão. A última crise financeira e as sucessivas crises provocadas por balanços “maquiados” de empresas e de países inteiros — como no caso recente da Grécia — apenas deixam essa questão clara como a luz do sol. Como sempre o pior cego é aquele que não quer ver. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A verdadeira função deste “conceito” é dramatizar um falso conflito — entre mercado e Estado —, de modo a esconder todos os reais conflitos que nunca chegam sequer a atingir o patamar de tema digno de ser discutido, como precisamente no caso da reprodução indefinida de uma “ralé” de indivíduos precarizados por abandono e descuido. Os falsos conflitos estão sempre no lugar de conflitos reais. A dramatização de um conflito superficial e falso serve para que os conflitos que cindem a sociedade brasileira de fio a pavio sequer sejam percebidos como problema. É assim que se constrói uma sociedade perversa e conservadora que ainda se imagina “crítica” e “moralmente indignada”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O senhor tem argumentado que o conceito de classes sociais não pode se limitar à questão da renda e que apenas uma nova compreensão das classes sociais poderia levar o país a combater de fato a desigualdade. Como isso se daria? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A redução das classes sociais ao seu substrato apenas econômico, seja à renda ou ao lugar na produção, erro comum tanto ao liberalismo dominante quanto ao marxismo enrijecido dominado, implica “falar” de classes sociais sem que nada se compreenda de sua importância. Percebem-se apenas os aspectos “materiais” como dinheiro ou transmissão de propriedade, e se “esquece” da transmissão de “valores imateriais”, como as formas específicas de agir e reagir no mundo, os quais, esses sim, constituem os indivíduos como indivíduos de classe. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São os valores e as disposições para o comportamento individual incutidos desde a mais tenra infância na socialização familiar típica de cada classe que criam os privilégios positivos de um lado e negativos de outro. Como regra, as virtudes são todas do “espírito”, como a inteligência, o cálculo, a razão distanciada, ou até o “expressivismo blasé”; já os vícios, por outro lado, são todos ligados ao “corpo”, como a sexualidade sem controle, os afetos, a emotividade, a força muscular, etc. As classes superiores “in-corporam” — literalmente tornam “corpo”, automático, como quem anda ou respira — as virtudes espirituais como a capacidade de concentração, por exemplo, decisiva no sucesso escolar. As classes inferiores “in-corporam” as virtudes ambíguas do corpo, assim como todos os outros dominados como as mulheres — por oposição ao homem — e o negro — por oposição ao branco. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em todas as dimensões da competição social por recursos escassos de todo tipo, no entanto, são as virtudes do espírito aquelas que recebem bons salários, prestígio e reconhecimento social. As classes do “corpo” tendem a ser literalmente “animalizadas”, podendo ser usadas e instrumentalizadas e até mortas por policiais sem que ninguém se comova com isso. O fato é que existem sociedades — que aprenderam a enfrentar seus desafios de frente — que reduziram o percentual de classes excluídas e animalizadas a um mínimo. Penso aqui nas principais democracias europeias. Nós escolhemos nos indignar moralmente com falsos conflitos e negar patologicamente qualquer responsabilidade social pela miséria econômica, existencial e política de parte considerável de nossa população. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A “meritocracia” está em larga medida consolidada nas sociedades contemporâneas, mas o senhor diz ser falsa a ideia de que o desempenho é o fator diferencial entre os indivíduos. Por quê? E qual a alternativa? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O problema não é com a idéia do “desempenho diferencial” como fundamento do mérito individual. O problema é o “esquecimento” de que todo “mérito individual” é socialmente construído. Isso tem a ver com o “esquecimento” também das heranças imateriais, emotiva e afetivamente transmitidas, que compõem as diversas classes sociais. A sociedade constrói — pelo “privilégio de sangue”, ou seja, pela sorte de se nascer na “família certa” — indivíduos destinados ao sucesso e ao “mérito”, que são os indivíduos aos quais são transmitidos os pressupostos emotivos, afetivos e morais que garantem o sucesso na escola e depois no mercado capitalista, e outros indivíduos destinados ao fracasso e ao não-mérito, ou seja, ao “estigma”, por não terem tido a mesma chance e por terem nascido na “família errada”, ou seja, por exemplo, numa família da “ralé”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qual a “justiça” que há nisso? Esse argumento atinge o coração da legitimação social de qualquer sociedade moderna, posto que as sociedades modernas nasceram e se legitimaram, em oposição a todas as formas pré-modernas de sociabilidade, precisamente pela idéia da superação de todo “privilégio de sangue”, ou seja, pela pressuposição da superação de todo privilegio de origem familiar. A reprodução da legitimidade no tempo de toda sociedade moderna depende também da manutenção dessa ilusão. Transferir a culpa social para o próprio indivíduo, como acontece com os membros de nossa “ralé”, que se imaginam efetivamente “burros” e incapazes de aprender, é parte fundamental dessa estratégia de distorcer a realidade para a manutenção indefinida de privilégios nada meritocráticos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O governo Lula contribuiu em alguma medida para reduzir essa desigualdade abissal a que o senhor se refere? E o governo FHC? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As sociedades que conseguiram superar efetivamente, em medida significativa pelo menos, a separação entre gente e subgente e entre cidadão e subcidadão o fizeram como esforço de toda a sociedade e não apenas do Estado. O Estado não é um ente todo poderoso que possa atuar, com sucesso, contra consensos sociais arraigados. Houve avanços inegáveis nas últimas décadas como o ganho de racionalidade econômica no período FHC e a tentativa bem sucedida, ainda que incompleta, de repor a questão social como a questão central brasileira no período Lula. Mas o futuro pode ser mais audacioso. O crescimento econômico continuado e a descoberta de novas riquezas podem ser mecanismos importantes para redefinir e transformar o padrão excludente de sociedade que tem sido o único que conhecemos. Mas a mudança social é muito mais do que condições econômicas favoráveis. Elas exigem pensar o Brasil de modo novo. Um Brasil que encare seus conflitos de frente sem muletas fáceis do tipo “Estado patrimonial”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O senhor diria que os dois principais candidatos empobrecem a discussão ao reproduzir um discurso gerencial de viés economicista? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Existe um aspecto “gerencial” que é perfeitamente legítimo e como tal ele enriquece o debate político. Há que se usar bem os recursos disponíveis e esse tipo de “racionalidade técnica” é indispensável. Mas a racionalidade técnica é um “meio” não é um “fim”. A questão relevante é sempre para que ou para quem serve a racionalidade técnica? Quando se fala da racionalidade técnica como um fim em si é porque não se pode nomear para quem ou para que ela serve. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Quando o senhor diz que ainda existem privilégios de sangue, parece que a Queda da Bastilha não ressoou por aqui. É isso mesmo? Nossa sociedade é medieval desse ponto de vista? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os privilégios de sangue são, na realidade, privilégios de classe já que a reprodução emotiva e sentimental das classes se dá no seio das famílias que são, por sua vez, formatadas de acordo com uma herança de classe muito específica. Todas as sociedades modernas procuram esconder o pertencimento de classe posto que só ele pode esclarecer a origem de todos os privilégios que se reproduzem no tempo. As sociedades modernas, todas elas, têm que se apresentar como “sociedades de indivíduos”, se possível sem passado e sem vínculos sociais e comunitários. A imensa maioria dos filmes, novelas, livros de grande venda e propagandas de todo tipo reforçam essa ilusão. O “esquecimento” do vínculo que liga os indivíduos a classes sociais determinadas é, em qualquer sociedade moderna, o maior segredo da dominação social porque permite que os privilégios sejam percebidos como “mérito individual” e, sejam, portanto, justificados. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas as sociedades não são iguais. Existem sociedades politicamente e moralmente mais avançadas do que a nossa porque foram sociedades que aprenderam a conviver e a institucionalizar o conflito social ao invés de negá-lo patologicamente como fazemos. Nessas sociedades existem também canais alternativos para idéias e concepções alternativas. Mas nós também podemos aprender. O que foi feito pelo homem pode ser refeito por ele. Perceber o mundo como contingente e possível de ser modificado — e não como “natural” e como o único possível — é sempre o melhor começo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&amp;amp;id=1254"&gt;Gramsci e o Brasil&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-793557850266552743?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/793557850266552743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/rale-brasileira-entrevista-jesse-souza.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/793557850266552743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/793557850266552743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/07/rale-brasileira-entrevista-jesse-souza.html' title='A ralé brasileira: Entrevista Jessé Souza'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TC1aHuKOfoI/AAAAAAAAAN0/QWhTdvurFvE/s72-c/jese.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-5423718332843729268</id><published>2010-06-24T08:09:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T08:09:30.619-07:00</updated><title type='text'>O que a extrema direita americana "pensa" sobre futebol</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #3d85c6;"&gt;Para continuar em clima de Copa e dar umas boas gargalhadas, leia&amp;nbsp;a reportagem&amp;nbsp;abaixo e descubra bons motivos para torcer para seleção estadunidense de futebol:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O futebol é uma ideologia estrangeira que quer destruir a singularidade da cultura norte-americana. Os comentaristas conservadores dos EUA querem mais é que o USA Team seja eliminado logo na primeira fase. Tudo porque são contrários a entrada do esporte mais popular do mundo no país mais poderoso do globo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Não importa quantas celebridades o apoiam, quantos bares abrem mais cedo, quantos comerciais de cerveja eles veiculam, nós não queremos a Copa do Mundo, nós não gostamos da Copa do Mundo, não gostamos do futebol e não queremos ter nada a ver com isso”, declarou Glenn Beck, cuja opinião tem vaga cativa na Fox News, canal que sustentou a ferro e fogo a gestão do republicano George W. Bush e é opositora ao governo democrata de Barack Obama.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Beck chegou a comparar o futebol com o plano de assistência médica que Obama implantou no país. “O resto do mundo gosta de futebol, nós não. O resto do mundo gosta das políticas do Obama, nós não.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A fúria da direita também se sente na voz elitista de Dan Gainor, analista do Media Research Center. “O futebol é um jogo de pobre. A esquerda está impondo o ensino de futebol nas escolas americanas, porque a América está ficando bronzeada”, escreveu, associando a popularidade do futebol acima do rio Grande com a crescente migração dos mexicanos para os EUA.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A teoria da conspiração encontrou eco em Matthew Philbin, ideólogo do centro de pesquisas de direita Culture and Media Institute. “A mídia liberal sempre se sentiu desconfortável com o fato de sermos únicos entre as nações, sermos líderes; e os esquerdistas são contra nossa rejeição ao futebol, da mesma maneira que são contra nossa rejeição ao socialismo”, fez a analogia, incomodado com a audiência dos jogos da Copa serem maiores que as finais da NBA, a típica e norte-americaníssima liga local de basquete.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“O que aconteceu com a singularidade dos Estados Unidos da América do Norte? Este esporte foi criado por índios sul-americanos, que, em vez de bola, jogavam com a cabeça de seus inimigos”, afirmou o radialista e ex-agente do FBI G. Gordon Liddy, confundindo a origem do futebol (Inglaterra) e as histórias de sacrifício humano das tribos da América Central e do Norte com as da América do Sul.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O radialista Mark Belling também entrou no coro contrário ao futebol. “Estão querendo enfiar goela abaixo essa modalidade. Mas não vou reagir criticando, porque os liberais agem da mesma forma de quando você insulta o cabelo de um senador do Partido Democrata. Não vou dar essa chance a eles.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;___________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fonte: &lt;a href="http://copadomundo.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/06/22/eua-jogam-para-classificacao-e-para-irritar-mais-sua-direita-conservadora.jhtm"&gt;UOL&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-5423718332843729268?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/5423718332843729268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/o-que-extrema-direita-americana-pensa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/5423718332843729268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/5423718332843729268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/o-que-extrema-direita-americana-pensa.html' title='O que a extrema direita americana &quot;pensa&quot; sobre futebol'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-5375442826633963901</id><published>2010-06-23T07:52:00.000-07:00</published><updated>2010-06-23T07:52:04.498-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ideologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Identidades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Copa do Mundo'/><title type='text'>A Copa do Mundo e os etnocentrismos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TCIfPiATLdI/AAAAAAAAANs/K6tb7WGwcGA/s1600/FUTEBOL.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" ru="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TCIfPiATLdI/AAAAAAAAANs/K6tb7WGwcGA/s320/FUTEBOL.jpg" width="297" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Já que inevitavelmente o assunto é Copa do Mundo, vamos, então, falar um pouco dela, ou melhor, um pouco sobre os estereótipos um tanto quanto etnocêntricos que, vez por outra, escapam dos lábios de alguns dos comentaristas esportivos que cobrem os jogos. Quem assistiu a algum jogo de alguma seleção africana deparou-se, certamente, com “análises” que denunciavam uma certa displicência tática dos africanos. Estes, a despeito de sua habilidade e força física habitual, são tidos como jogadores, em seu conjunto, que pecam por jogarem um futebol inocente, demasiado voltado a atacar e despreocupado com os aspectos mais racionalizados – táticos – do jogo. Tal qual os preconceitos e estereótipos pelos quais as populações africanas foram, por séculos, representadas, suas seleções são também definidas como seleções exóticas, formada por jogadores não-civilizados, isto é, não domesticados pela tática, inocentes ainda preso na “infância do futebol”; um futebol alegremente irresponsável, pueril, que desperta tanto nos espectadores como nos comentaristas ocidentais um sentimento de simpatia graças a sua originalidade ainda não corrompida pelo futebol moderno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse tipo de comentário delineiam-se as velhas oposições pelas quais negros – mas também mulheres e os índios – foram sistematicamente inferiorizados pelo pensamento ocidental; em lugar das disposições racionais, da razão e da mente, disposições ligadas ao corpo, em vez do cálculo a inocência, a espontaneidade. Dessa forma, dizem os especialistas em futebol, as seleções africanas não logram êxitos maiores porque não conseguem controlar racionalmente, isto é, taticamente, suas inclinações “naturais” para o ataque, por isso quando enfrentam seleções maduras, com frieza tática - o corolário futebolístico para autocontrole –, em Copas do Mundo, elas sucumbem apesar da habilidade e força de seus jogadores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As seleções asiáticas, por sua vez, são também compreendidas em termos dos estereótipos pelos quais mormente percebemos seus habitantes. A ênfase aqui não é tanto o corpo e a inocência infantilizadora, como no caso das seleções africanas, mas as metáforas ligadas a sua organização administrativa - disciplina, obediência, hierarquia - e os atributos associados a sua economia e produtividade – velocidade, dinamismo, competitividade, inovação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre a Coréia do Norte, por exemplo, recaí os adjetivos mais voltados ao seu regime político; “jogadores esforçados, de disciplina férrea, que respeitam o árbitro e suas marcações, padrão militar de jogo, a seleção mais fechada etc.”. Os jornalistas esportivos faziam questão de ressaltar, com espanto e ironia, o fato dos atletas norte-coreanos treinarem num ginásio público enquanto as outras seleções desfrutam de ginásios privados em hotéis de luxo numa alusão depreciativa à penúria socialista. Uma seleção stalinista, decerto, pensam os jornalistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Japão e Coréia do Sul, além das figurações exaustivas a propósito da velocidade e vigor de seus jogadores, ressalta-se, em rigor, a humildade de seus atletas, despretensiosos em contraste com a ostentação e o gosto pelo excesso das estrelas do futebol mundial. Os propósitos de seus atletas são encarados da mesma forma que a imagem de simpáticos e bobos asiáticos de câmeras fotográficas à mão; turistas mais ou menos contidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Evidentemente, a mobilização desses estereótipos e pré-noções não visa apenas descrever as mencionadas seleções nem tampouco reafirmar o&amp;nbsp;porque das seleções européias e sul-americanas serem melhores, mas seguramente também a superioridade distintiva dos atributos, valores e disposições pelos quais se constrói e se visualiza a auto-imagem que os ocidentais fazem de si mesmos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-5375442826633963901?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/5375442826633963901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/copa-do-mundo-e-os-etnocentrismos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/5375442826633963901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/5375442826633963901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/copa-do-mundo-e-os-etnocentrismos.html' title='A Copa do Mundo e os etnocentrismos'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TCIfPiATLdI/AAAAAAAAANs/K6tb7WGwcGA/s72-c/FUTEBOL.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-8965258720538442369</id><published>2010-06-21T10:29:00.000-07:00</published><updated>2010-06-21T12:36:19.763-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ideologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eleições'/><title type='text'>Veja, Compare e Lastime</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TB-fusBZoEI/AAAAAAAAANU/q4UmANy-_nU/s1600/entrevista2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" ru="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TB-fusBZoEI/AAAAAAAAANU/q4UmANy-_nU/s200/entrevista2.jpg" width="182" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TB-f5J6oS3I/AAAAAAAAANc/r_HpeueoeaI/s1600/entrevista1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" ru="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TB-f5J6oS3I/AAAAAAAAANc/r_HpeueoeaI/s200/entrevista1.jpg" width="144" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora as atenções estejam voltadas à Copa, é imprescindível conter um pouco a euforia e atentar-se ao abuso ideológico sutil, rasteiro, que se insinua aos nossos olhos e entendimento sem, entretanto, nos apercebermos de tal. As duas últimas entrevistas da revista &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;, as ditas páginas amarelas, são exemplares das artimanhas aparentemente inocentes da revista na construção das imagens dos concorrentes à eleição presidencial de outubro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;Enquanto a imagem de Serra salta das páginas sob um fundo de uma biblioteca, repleta de livros, em uma imagem lúcida e cristalina, com óculos à mão num olhar que incide direta e ternamente ao leitor, Dilma, por sua vez, é exibida diante de um fundo escuro, vazio, sob uma meia-luz que pende sobre seu rosto, ocultando parte de sua face e conferindo ao seu olhar um sentido vago, perdido, desorientado. Seu sorriso é um sorriso de cínicos em um rosto assombreado, como que escondesse parte do conteúdo real de suas intenções. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A imagem do candidato do PSDB que estampa as páginas amarelas da &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; busca evocar e inspirar no leitor disposições e sentimentos que propiciem a identificação imediata de aspectos indispensáveis para a devida confiança no pretendente à presidência. Serra, em sua figuração na revista, evoca a maturidade, a seriedade, o autocontrole, a naturalidade, a estabilidade emocional, a auto-realização. Sua personalidade, virtudes e habilidades invadem a imagem. Não é a fotografia que captura algo de Serra mas este que, de forma à vontade, permite deixar ver despretensiosamente suas qualidades. Vemos um Serra que se compraz, com naturalidade, com o sentimento de sua própria importância e distinção gabaritada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A candidata do PT vem à mostra nas páginas amarelas da revista em uma imagem desprovida de profundidade, de fato, Dilma emerge numa imagem desprovida de quaisquer atributos. Há apenas uma enorme mancha, um fundo escuro alusivo ao seu passado “guerrilheiro”, passado obscuro. Não há sequer Lula nem nada que lembre sua inevitável ligação com um projeto de governo cujos feitos inéditos foram mais exitosos do que qualquer outro. A intenção é fazer ver Dilma sozinha, como uma mônada flutuando sobre um abismo escuro, isolada de qualquer referência à Lula e ao sucesso do governo vigente. Trata-se de fazer ver quem é o indivíduo Dilma bem ao gosto liberal, descolado de suas relações de solidariedade, pertencimento e sua inscrição num projeto mais amplo. A única evocação em sua estampa é aquela que faz projetar sobre seu rosto a dubiedade, o mascaramento, o sorriso sardônico que convoca o leitor a sondar Dilma naquilo que ela parece não querer mostrar mas que tampouco consegue esconder. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mentira é imoral não porque viola a verdade, mas por aquilo que, pretendendo ocultar, revela. Portanto, veja, pense e lastime.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-8965258720538442369?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/8965258720538442369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/veja-compare-e-lastime.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/8965258720538442369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/8965258720538442369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/veja-compare-e-lastime.html' title='Veja, Compare e Lastime'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TB-fusBZoEI/AAAAAAAAANU/q4UmANy-_nU/s72-c/entrevista2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-6412718671098452216</id><published>2010-06-19T19:45:00.000-07:00</published><updated>2010-06-19T19:45:07.005-07:00</updated><title type='text'>Pensar, pensar...</title><content type='html'>&lt;span style="color: #3d85c6;"&gt;Eis o último post publicado por José Saramago em seu blog:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #3d85c6;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-6412718671098452216?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/6412718671098452216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/pensar-pensar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/6412718671098452216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/6412718671098452216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/pensar-pensar.html' title='Pensar, pensar...'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-9117730252921486602</id><published>2010-06-18T19:27:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T19:30:19.695-07:00</updated><title type='text'>Adeus, Saramago...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TBwq77zcjMI/AAAAAAAAANM/TkbaYeweaKg/s1600/jose-saramago1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" qu="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TBwq77zcjMI/AAAAAAAAANM/TkbaYeweaKg/s320/jose-saramago1.jpg" width="230" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;"Podemos então dizer que somos livres,&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;com a paz e o sorriso de quem se reconhece&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;e viajou à roda do mundo infatigável,&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;porque mordeu a alma até aos ossos dela" (José Saramago).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-9117730252921486602?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/9117730252921486602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/adeus-saramago.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/9117730252921486602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/9117730252921486602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/adeus-saramago.html' title='Adeus, Saramago...'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TBwq77zcjMI/AAAAAAAAANM/TkbaYeweaKg/s72-c/jose-saramago1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-2707355425322442791</id><published>2010-06-16T11:32:00.000-07:00</published><updated>2010-06-16T11:34:46.656-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Espetáculo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Copa do Mundo'/><title type='text'>Copa do Mundo, a mobilização do espetáculo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TBkYjHsAdmI/AAAAAAAAANE/STqs_PPElH4/s1600/D3CAE5A8YYCA8M13VBCA8GUCOKCASOQ80ACAPTSBJWCAVD2J1NCANMUGJ0CALLCLJ4CA4G5HY8CA2N23KACAS20D5KCAMM4FP7CAKMFT3ICAQ5VM30CAMR7DW0CAE4DDG4CAT8VO1ZCA294BZZ.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" qu="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TBkYjHsAdmI/AAAAAAAAANE/STqs_PPElH4/s320/D3CAE5A8YYCA8M13VBCA8GUCOKCASOQ80ACAPTSBJWCAVD2J1NCANMUGJ0CALLCLJ4CA4G5HY8CA2N23KACAS20D5KCAMM4FP7CAKMFT3ICAQ5VM30CAMR7DW0CAE4DDG4CAT8VO1ZCA294BZZ.jpg" width="316" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Difícil, nesses dias, escapar de falar ou ouvir sobre futebol e copa do mundo. Impressiona a imensa mobilização. Basta ligar a televisão e ver a exibição de presidentes, políticos, artistas, atores, enfim, todos os que importam no mundo do espetáculo – ou seja, que aparecem – convertidos em torcedores fantasiados e eufóricos. Até o poder despe-se de sua seriedade e sisudez e vem chafurdar desinibido no mundo excitado e infantilizado do entretenimento global. O que, além da Copa do Mundo de futebol, pode mobilizar, em escala planetária, tamanha e distinta platéia? Paralisar todo tipo de atividade, exceto a do capital, reter todos os sentidos da atenção e as urgências do mundo&amp;nbsp;em uma síntese máxima da globalização e do&amp;nbsp;espetáculo vão, mas divertido? &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O planeta e o agir humano midiaticamente mobilizado.&amp;nbsp;Tudo parece parar.&amp;nbsp;Nada na história humana, a não ser uma guerra ou catástrofe mundial, parece equiparar-se ao poder de mobilização da Copa do Mundo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-2707355425322442791?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/2707355425322442791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/dificil-nesses-dias-escapar-de-falar-ou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2707355425322442791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2707355425322442791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/dificil-nesses-dias-escapar-de-falar-ou.html' title='Copa do Mundo, a mobilização do espetáculo'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TBkYjHsAdmI/AAAAAAAAANE/STqs_PPElH4/s72-c/D3CAE5A8YYCA8M13VBCA8GUCOKCASOQ80ACAPTSBJWCAVD2J1NCANMUGJ0CALLCLJ4CA4G5HY8CA2N23KACAS20D5KCAMM4FP7CAKMFT3ICAQ5VM30CAMR7DW0CAE4DDG4CAT8VO1ZCA294BZZ.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-8363489416026017457</id><published>2010-06-08T06:55:00.000-07:00</published><updated>2010-06-22T09:45:38.697-07:00</updated><title type='text'>Juno</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TA5H1-3JomI/AAAAAAAAAM8/V-Vy9HPuVyM/s1600/juno.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" qu="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TA5H1-3JomI/AAAAAAAAAM8/V-Vy9HPuVyM/s640/juno.jpg" width="323" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #3d85c6;"&gt;Em tempos de assassinatos e crueldades, de odiosas barbaridades e cinismo, necessitamos de algum ar vivificante que nos sopre nos nervos, suave como notas de uma harpa. Juno, deusa romana,&amp;nbsp;radiando beleza, paixão e sabedoria a banhar com fulgor nossos sentidos. Que&amp;nbsp;neste mês, ela&amp;nbsp;faça brilhar nos olhos dos homens alguma benevolência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-8363489416026017457?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/8363489416026017457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/juno.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/8363489416026017457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/8363489416026017457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/juno.html' title='Juno'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TA5H1-3JomI/AAAAAAAAAM8/V-Vy9HPuVyM/s72-c/juno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-5641932393812159307</id><published>2010-06-02T05:40:00.000-07:00</published><updated>2010-06-02T05:40:26.270-07:00</updated><title type='text'>Feridos do ataque de Israel denunciam a brutalidade do exército</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;El País&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ana Carbajosa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Ashdod (Israel)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Me espancaram. Tenho o corpo arrebentado" , diz ativista. A porta-voz militar reconhece que o assalto ocorreu em águas internacionais, "mas quando um país está ameaçado tem o direito de se defender", alega.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os feridos chegam um a um ao hospital de Ashdod, vendados e custodiados por dezenas de policiais de fronteiras enviados para os hospitais da costa israelense. Assim que os desembarcam à força dos navios no porto de Ashdod, os ativistas que tentavam romper o bloqueio de Gaza se transformam em imigrantes ilegais e ficam detidos. Para os que se negam a voltar voluntariamente a seus países, a maioria deles, depois da identificação começará o processo judicial que terminará com a deportação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chega uma ambulância. A nuvem de uniformizados corre a cercá-la. Os enfermeiros baixam uma maca sobre a qual está Paul Wilder, um americano de meia-idade com um olho roxo e ataduras em um braço. É o primeiro ferido que aparece diante do público. Os de maior gravidade foram levados de helicóptero diretamente dos barcos. "Me espancaram, tenho o corpo todo arrebentado, mas não me deixam mostrá-lo. Não sou violento. Essa brutalidade era desnecessária", proclama Wilder, aos gritos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apenas explica que viajava no barco grego Sfendoni, quando rapidamente os enfermeiros o levam às pressas. Uma hora depois chega um ativista marroquino, com o braço em uma tipoia e muito abalado; quase não levanta a cabeça. E depois um terceiro. Desta vez é um jovem grego com um protetor ao redor do pescoço. "São piratas", grita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na sala de espera da seção de emergência do hospital, os doentes comuns permanecem colados à tela de um televisor no qual o Canal 2 israelense dedica horas ininterruptas de programação à abordagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nenhum desses três doentes viajava no Mavi Mármara, o maior barco e único no qual, segundo o exército israelense, ocorreram confrontos. Horas antes da chegada dos feridos, a porta-voz militar Avital Lebovitch afirmava: "Nos outros barcos não houve choques". Admitiu também a porta-voz que o assalto havia ocorrido em águas internacionais, "mas quando um país está ameaçado tem direito de se defender". Lebovitch fala em Jonah's Hill, a colina da cidade portuária de Ashdod transformada em um palco de televisão improvisado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma nuvem de jornalistas de meio mundo pulula ao redor desse montículo do qual os oficiais dos tempos do mandato britânico avistavam os imigrantes ilegais judeus. Aproximar-se do porto, aonde durante a jornada vão chegando os barcos dos ativistas, está fora de questão. Esta jornalista foi escoltada pela polícia e expulsa do recinto portuário depois de uma tentativa frustrada de aproximar-se do lugar dos fatos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso conformar-se com os depoimentos de segunda mão que oferecem os diversos porta-vozes que vêm à colina oferecer sua versão. "Saíam do barco resistindo, fazendo força contrária", explica Shahar Arieli, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. Não é possível sequer se comunicar por telefone com os tripulantes detidos. Os celulares estão desligados. A falta de informação não afeta só os jornalistas. Os parentes dos ativistas também não podem falar com eles. Na segunda-feira não sabiam se seus filhos estavam vivos ou mortos. "A última vez que falei com meu filho foi às 5 e meia da manhã. Ele me disse: os barcos da marinha nos cercaram", conta Pninas Feiler, israelense e mãe de Dror, um conhecido ativista pró-palestinos estabelecido na Suécia. E acrescenta: "Estou preocupada com meu filho, mas também com meu país. Como se pode apertar o gatilho com tanta facilidade?"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Israel nem todos os cidadãos são tão críticos quanto Feiler à atuação do exército. Assim que se sabe do alcance da operação militar, cidadãos comuns saem à rua com bandeiras nacionais em sinal de apoio às forças armadas de seu país. Haim Cohen, um consultor econômico de 52 anos, é um dos que se orgulham de seus soldados. "Formam o melhor exército do mundo. Os do barco eram terroristas. Temos direito a nos defender. O Holocausto não acontecerá nunca mais."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fonte: UOL Internacional&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-5641932393812159307?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/5641932393812159307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/feridos-do-ataque-de-israel-denunciam.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/5641932393812159307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/5641932393812159307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/06/feridos-do-ataque-de-israel-denunciam.html' title='Feridos do ataque de Israel denunciam a brutalidade do exército'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-3300504971769334233</id><published>2010-05-31T08:32:00.000-07:00</published><updated>2010-05-31T16:13:32.380-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política Internacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='´Fascismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Racismo'/><title type='text'>A barbárie e o Estado Assassino</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TAPWStB1e-I/AAAAAAAAAM0/oxM9VhP95xI/s1600/fascist-state-logo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gu="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TAPWStB1e-I/AAAAAAAAAM0/oxM9VhP95xI/s320/fascist-state-logo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A barbárie é por si só odiosa, mas a barbárie naturalizada e recoberta, pela passividade das nações e das autoridades do mundo, com ar de legitimidade e normalidade é abominável. O mais recente ataque promovido pelo Estado de Israel, que deixou 19 mortos,&amp;nbsp;contra um comboio de barcos de ativistas destinado à levar ajuda humanitária até a Faixa de Gaza é uma cusparada no rosto de todos os ideais civilizatórios e humanos que afeiçoam as nações modernas, entre as quais Israel diz figurar e respeitar. Por quanto tempo os países do mundo assistirão as matanças seletivas, os assassinatos planejados e encomendados, as estratégias e políticas de genocídio, expulsão e humilhação levadas à cabo por Israel apenas com suas polidas e convenientes declarações de condenação e repúdio?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por muito menos, os países hegemônicos invadem outros países, ocupam-nos, erguem embargos comerciais, congelam contas, suspendem acordos e parcerias econômicas e até mesmo a circulação das pessoas originárias dos países “punidos. Mas quando se trata de Israel a paciência da ONU e dos países ricos assemelha-se a paciência de Jó.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está mais do que claro, Israel é um Estado Racista, na acepção que Michel Foucault o concebe. Com esses últimos ataques aliados às corriqueiras políticas de espionagem e eliminação, vem à luz a natureza chantagista baseada no poder de matar, na competência de matar cada palestino, homem, mulher ou criança, assim como quaisquer que expressem o seu apoio à Palestina e sua população, estejam onde estiverem e independente de suas finalidades, todos estão expostos à possibilidade da morte. Eis aí o terrorismo do Estado de Israel, eis aí a forma pela qual este deseja submeter. O racismo e a imposição do medo, em palestinos e israelenses, é o que assegura a função homicida do Estado de Israel como forma de promover e garantir a segurança e a vida de sua população.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-3300504971769334233?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/3300504971769334233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/barbaria-e-o-estado-assassino.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3300504971769334233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3300504971769334233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/barbaria-e-o-estado-assassino.html' title='A barbárie e o Estado Assassino'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/TAPWStB1e-I/AAAAAAAAAM0/oxM9VhP95xI/s72-c/fascist-state-logo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-20480983383951362</id><published>2010-05-28T05:54:00.000-07:00</published><updated>2010-05-28T05:54:38.192-07:00</updated><title type='text'>Suicídios da Foxconn revelam as duras condições de trabalho na China</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #0b5394;"&gt;Cada vez mais, em razão&amp;nbsp;de novos&amp;nbsp;métodos de&amp;nbsp;gestão, avaliação e controle&amp;nbsp;laboral, o ambiente de trabalho tem se&amp;nbsp;transformado num lugar de sofrimento e&amp;nbsp;tensão para os indíviduos. Vigilância, controle e pressão&amp;nbsp;para produtividade, competitvidade e&amp;nbsp;flexibilidade de funções e horários etc.,&amp;nbsp;acabam por desmantelar as possibilidades de solidariedades, o que converte, por consequencia, o ambiente de trabalho num lugar de solidão, marcado pela desconfiança entre os próprios trabalhadores e e entre estes e os&amp;nbsp; seus gestores. Na reportagem abaixo&lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #0b5394;"&gt;, publicada no Le Monde, sobre os suicídios cometidos na empresa Foxconn, temos mais um triste exemplo dos efeitos nocivos&amp;nbsp;sobre a saúde mental dos indíviduos ligados&amp;nbsp;à gestão contemporânea do&amp;nbsp;trabalho, em sua&amp;nbsp;rigidez sádica característica de alguns países asiáticos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Desde janeiro, onze funcionários se suicidaram nesta empresa terceirizada pela Apple e pela Nokia&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conhecido por sua relutância em falar com a imprensa, Terry Gou, presidente do grupo taiwanês Foxconn, principal fabricante terceirizada mundial da Apple, mas também de outras marcas como Nokia, Dell e Sony, abriu na quarta-feira (26) as portas de sua fábrica de Longhua (província de Shenzhen) a dezenas de jornalistas da China, de Hong Kong e de Taiwan. Nesse local de montagem do iPhone (300 mil empregados), onze funcionários, dos quais o mais jovem tinha 16 anos, se suicidaram desde o início de 2010 jogando-se do alto dos edifícios da fábrica. Como uma zombaria mórbida da operação midiática organizada na quarta-feira, o último se matou na mesma noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vindo de Taiwan em jato particular, Gou apresentou suas desculpas, ao mesmo tempo em que ressaltava que “o índice de suicídios em uma sociedade sobe junto com o aumento do PIB”. Ciente do impacto sobre a imagem de seus prestigiosos clientes, ele prometeu medidas drásticas. Redes já foram instaladas, haverá um maior número de psicólogos, e várias hotlines estarão à disposição dos operários.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele reconheceu que a circular distribuída aos empregados no dia 25 de maio, pedindo-lhes que se comprometessem a “não se machucar”, a “aceitar serem enviados ao hospital em casos de problemas mentais” e a não “processar a empresa fazendo exigências excessivas de indenizações”, tinha “uma forma grosseira”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estruturas essenciais da globalização, essas ECM (Electronic Contract Manufacturing), empresas terceirizadas encarregadas da montagem de produtos eletrônicos, operam em um ambiente econômico difícil. “Seus clientes sabiam quais eram seus custos de trabalho, e fazem estudos regulares sobre os preços de componentes. As ECM ficam sob fortes pressões, de qualidade, de confidencialidade, de prazo”, explica o representante de um fornecedor de componentes para a Foxconn. A fabricante de computadores Dell anunciou, na quinta-feira, que analisaria as condições de trabalho da Foxconn.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Gestão militar&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa empresa é, segundo ele, “típica do gerenciamento à maneira taiwanesa: de um lado, um diretor superrígido, multibilionário e conhecido por suas traquinagens; de outro, uma forte pressão na fábrica, sem direito a erros, e uma gestão de estilo militar”. O grupo havia causado polêmica em 2006, após uma reportagem sobre as condições de vida em Longhua. Em julho de 2009, o suicídio de um empregado suspeito de ter roubado um iPhone, e perturbado pelo interrogatório e pelas revistas às quais diz ter sido submetido, desencadeou as críticas na internet e na mídia chinesa. O inquérito policial não permitiu determinar a responsabilidade da Foxconn.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses suicídios reavivaram a revolta contra a Foxconn. Em Hong Kong, ONGs como a Students and Scholars Against Corporate Misbehaviour (Sacom) organizaram, na terça-feira, um funeral simbólico diante da sede do grupo em Hong Kong. Segundo a Sacom, os operários da Foxconn sofrem uma forte pressão e se sentem isolados. Eles trabalham em média 12 horas por dia, com um salário de base mensal de 900 yuans (cerca de R$ 202), que chega a 2.000 yuans com as horas extras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tradução: Lana Lim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fonte: UOL Internacional&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-20480983383951362?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/20480983383951362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/suicidios-da-foxconn-revelam-as-duras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/20480983383951362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/20480983383951362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/suicidios-da-foxconn-revelam-as-duras.html' title='Suicídios da Foxconn revelam as duras condições de trabalho na China'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-163711407153398755</id><published>2010-05-26T21:12:00.000-07:00</published><updated>2010-05-26T21:12:57.163-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crise'/><title type='text'>A Crise Financeira e a "utilidade" da Filosofia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S_3xPaBFRFI/AAAAAAAAAMs/zWsRrU1Bgyg/s1600/20080626_guayasamin_la_edad_de_la_ira_preview.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gu="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S_3xPaBFRFI/AAAAAAAAAMs/zWsRrU1Bgyg/s320/20080626_guayasamin_la_edad_de_la_ira_preview.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A febre pela austeridade econômica que acomete a Europa Ocidental nas últimas semanas, devido a mais recente crise de endividamento envolvendo os países da União Européia, chegou a tal ponto que até programas de filosofia estão sendo sumariamente fechados. É o caso do Centro de Investigação de Filosofia Moderna da renomada Universidade britânica de Middlesex. Tal fato, ainda que lamentável e digno de reação, não é de modo algum surpreendente, pois em momentos de cortar gastos, a crise é o argumento que torna inevitável para os gestores a pergunta, que está sempre no ar, sobre a utilidade da filosofia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sob os critérios que presidem a percepção capitalística do mundo e das atividades humanas, a filosofia é uma atividade de pouco retorno. Ela não é rentável, isto é, pelo menos segundo o princípio máximo e mais valorizado de rentabilidade e desempenho nas sociedades capitalistas; a rentabilidade no mercado. Desde esses critérios, a filosofia é irrelevante, por isso que em momentos de crise econômica, de abalos mais firmes que colocam sob ameaça a boa condução da reprodução do sistema, as atividades consideradas “improdutivas” são necessariamente postas em suspensão, “cortadas do orçamento”. Daí decorre a conclusão de que a filosofia, nas sociedades capitalistas, é somente uma atividade que se tolera, com alguma ironia e compaixão em situações de relativa estabilidade econômica e política. Fora disso, a filosofia é uma extravagância. Em situações normais,&amp;nbsp;mantém-na por uma concessão e agraciamento do Estado a alguns poucos “loucos” e “tagarelas” ou como uma vaidade e um hobby para os ricos ávidos por alguma ilustração e, por último, como indutor de um saber de reserva, ocasional e livresco para cientistas, políticos e outros eruditos adornarem seus trabalhos, discursos e suas conversas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, se os poderes estabelecidos em sua misericórdia concedem um lugar institucional, ainda que marginal, à filosofia, não é apenas em virtude das razões mencionadas acima, mas também por um sentimento de dívida histórica e moral para com esta última. Afinal de contas, o que seria das sociedades modernas sem as invenções extravagantes de filósofos como Locke, Montesquieu, Kant e Hegel? Estes senhores que forneceram as bases do desenho normativo de nossas sociedades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora, uma vez ciente desse cinismo, a filosofia, mais do que qualquer saber, deve ser necessariamente crítica; interferir e atacar o seu tempo de maneira a mostrar a sua “utilidade” através da virulência de seus golpes desveladores. A serventia da filosofia deve ser a crítica. A filosofia serve para afligir e para contrariar pessoas e idéias estabelecidas, para denunciar as mistificações, o disparate e as baixezas do pensamento sob todas as suas formas, como sentencia Deleuze. Então em que época mais do que a nossa a filosofia pode ser mais “útil”? Época da mistificação do mercado e&amp;nbsp;os de seus&amp;nbsp;disparates que&amp;nbsp;apregoam&amp;nbsp;sua&amp;nbsp;infalibilidade&amp;nbsp;para a felicidade e o desenvolvimento ao “corrigir” naturalmente as disparidades, animosidades e embargos&amp;nbsp;sociais e políticos para tais; época das baixezas dos organismos internacionais e transnacionais que praticam bullying econômico contra países e nações inteiras sob o falso e cínico argumento de “Plano de auxílio e metas de Estabilidade”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é verdade que é nas situações difíceis&amp;nbsp;que o caráter de uma pessoa resplandece abertamente, o mesmo talvez deva valer para as épocas e culturas. Creio que um dos critérios para medir o valor de uma época deva ser o tratamento e o papel&amp;nbsp;que a mesma, em tempos de crise e desagregação, relega aos filósofos e a filosofia; uma cultura vigorosa e cônscia de seu valor&amp;nbsp;busca ouvir e ponderar a respeito das questões que as vozes e obras vivas daqueles que foram responsáveis pela construção de sua vitalidade e&amp;nbsp;grandeza&amp;nbsp;colocam. Uma época enferma, trêmula,&amp;nbsp;recusa essas vozes e obras, e assim, fecha-se ao pensamento e a sua tradição. Prefere ouvir justamente os responsáveis pela baixeza e mesquinharia generalizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-163711407153398755?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/163711407153398755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/crise-financeira-e-utilidade-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/163711407153398755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/163711407153398755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/crise-financeira-e-utilidade-da.html' title='A Crise Financeira e a &quot;utilidade&quot; da Filosofia'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S_3xPaBFRFI/AAAAAAAAAMs/zWsRrU1Bgyg/s72-c/20080626_guayasamin_la_edad_de_la_ira_preview.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-2660025341771929220</id><published>2010-05-23T10:45:00.000-07:00</published><updated>2010-05-23T10:45:21.040-07:00</updated><title type='text'>Diplomacia de Lula atua como foguete para situar o Brasil no alto do cenário global</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;div align="right"&gt;EL PAÍS&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A bola é o símbolo obrigatório da ascensão do Brasil como superpotência. Sua brilhante tradição desportiva obriga a avaliar em termos futebolísticos seus crescentes sucessos econômicos e diplomáticos. Foi o que fez o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na hora de qualificar o acordo obtido por seu presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, junto com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, e o presidente Mahmoud Ahmadinejad, sobre o programa iraniano de enriquecimento de urânio: "O Brasil só colocou a bola na área".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muitas são as interpretações provocadas por esse compromisso tripartite, que segue os passos da última tentativa pilotada pela ONU para evitar que o programa iraniano desemboque na fabricação da arma nuclear; e pelo qual Teerã se compromete a entregar à Turquia 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido, dos quais devolverá aos iranianos um décimo, por sua vez enriquecido a 20%, para uso médico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De Washington pode ser considerada uma jogada dos novos países emergentes para fechar a passagem à quarta série de sanções econômicas que os EUA estavam preparando e que apresentaram na terça-feira, poucas horas depois da assinatura dos três em Teerã. De Israel, onde seu governo desconfia das sanções diante de um regime que consideram uma ameaça existencial, cabe considerá-lo uma bofetada em Obama, que enche de razão os que aprovam a destruição por meios militares das instalações nucleares iranianas. Da Europa só se pode interpretar como o que é, em qualquer dos casos: essa bola que situa o Brasil no meio do palco e em troca desaloja os que tiveram o maior destaque nos últimos anos, tanto através do chamado Grupo 5+1 (os cinco do Conselho de Segurança, dos quais dois são europeus - França e Reino Unido -, mais a Alemanha) como do Alto Representante da União Europeia, Javier Solana, a quem os seis delegaram o grosso da negociação, coisa que não fizeram com sua sucessora, Catherine Ashton.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os interesses da Turquia e seu primeiro-ministro desembocam diretamente na região à qual Lula viajou em duas ocasiões nos últimos três meses. Estão em jogo as relações de vizinhança e a liderança regional, embora também conte a concorrência com a Rússia. Para o Brasil, por sua vez, tudo se aposta na melhora do estatuto internacional do grande país sul-americano. Lula se colocou em um cenário reservado até quarta-feira às velhas superpotências pela mesma infalível regra de três com que seu país se incorporou ao G-20 na hora de enfrentar a crise financeira, ou entrou na cozinha decisiva da Cúpula de Copenhague sobre mudança climática&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa atitude corresponde a uma política internacional de cunho realista, que é conduzida sobretudo pelos interesses do Brasil como potência americana com vocação global. É uma aposta que compete diretamente com os europeus, cuja nutrida presença nas instituições internacionais, além de acentuar sua cacofonia e sua capacidade divisora, não faz mais que salientar a antiguidade de uma arquitetura internacional que se mantém quase intacta desde que terminou a última guerra mundial, há 65 anos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lula sempre desenvolveu uma grande atividade internacional. Mas este ano de 2010, o último de sua presidência, registrou um salto qualitativo, marcado por dois deslocamentos ao exterior que indicam como sondas a profundidade da vocação do Brasil. O primeiro o levou em março passado ao Oriente Médio, região geográfica que jamais havia ocupado um presidente brasileiro. O segundo o levou agora a Teerã e lhe proporcionou o raro privilégio de se encontrar com o guia supremo da revolução, o aiatolá Ali Khamenei, algo que só está ao alcance de uma lista muito restrita de mandatários estrangeiros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com sua imagem de bonomia proletária e seu enorme prestígio, Lula está atuando como um foguete propulsor do Brasil na nova etapa geopolítica multipolar. Está bem claro que como parte de seu legado político quer deixar o Brasil situado o mais alto possível no cenário internacional, e especialmente bem colocado em suas apostas institucionais. Daí que queira jogar um papel no processo de paz do Oriente Médio e agora em um conflito como o que o Ocidente mantém com o Irã, diretamente ligado à política de não-proliferação. Lula centrou a bola, que agora está dentro da área. Mas são seus sucessores que deverão começar a marcar os gols, como nos melhores tempos da seleção amarela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fonte: UOL INTERNACIONAL.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-2660025341771929220?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/2660025341771929220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/diplomacia-de-lula-atua-como-foguete.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2660025341771929220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2660025341771929220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/diplomacia-de-lula-atua-como-foguete.html' title='Diplomacia de Lula atua como foguete para situar o Brasil no alto do cenário global'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-4088622503487758226</id><published>2010-05-20T20:56:00.000-07:00</published><updated>2010-05-21T08:10:26.930-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conhecimento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tempo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vocação'/><title type='text'>Sobre o tempo e a vida científica</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S_YETEJFCGI/AAAAAAAAAMk/Dxkn4QVxiBw/s1600/untitled.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gu="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S_YETEJFCGI/AAAAAAAAAMk/Dxkn4QVxiBw/s320/untitled.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos últimos dias, a vida anda um tanto quanto acelerada. As horas, cada vez mais estreitas, fogem desdenhosamente. Por isso, pouco escrevi nesses dias fugazes. Aqui e acolá encontrei uma brecha no tempo em que pude ler alguma coisa, conversar com amigos ou simplesmente parar. Dentre as nossas misérias, talvez, hoje, o tempo seja a maior delas. Como a maior parte dos problemas humanos significativos, também a criação&amp;nbsp;é uma questão a ser tratada do ponto de vista do tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não faz tanto tempo que dedicar-se a produzir algo – um texto, um quadro, uma música – significava enfrentar as forças de um mundo largo e demorado.&amp;nbsp;Ler, escrever, pintar, construir, enfim, todas essas coisas, pode-se assim dizer, eram precedidas por um certo ritual de preparação que consistia numa espécie de transição ou passagem do mundo prático e ordinário para um espaço-tempo de amenidades, quietudes, de calmaria e diálogo com a alma, no qual deve-se, com paciência e obstinação, esperar os devidos efeitos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, tratava-se de um ritual de preparação para adentrar num mundo exigente de uma calma e paciência sem angústia, embora inclinado à melancolia. Suportar o silêncio, o tédio, a imobilidade das coisas, a solidão e a&amp;nbsp;calmaria da alma eram pré-requisitos necessários para obter algo de verdadeiramente relevante. Eles&amp;nbsp;formavam o&amp;nbsp;pathos do tempo do conhecimento. Havia algo de místico, seguramente. Uma mística escolástica e aristocrática. As atividades e disposições alinhadas à criação intelectual e artística equiparavam-se a um processo paulatino de ascensão e queda, de elevar a si mesmo, com espanto e coragem, ante aquilo que Pascal chamava do “silêncio eterno dos espaços infinitos”.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poder-se-ia dizer, inclusive, que a paciência, a concentração, a lentidão, o isolamento, a experiência com tempo dilatado constituíam os a priori, ou seja, as condições de possibilidade, em seu sentido estrito, da criação e do conhecimento. Essas disposições interiores eram a base da economia criativa, pré-requisitos necessários para o cultivo de uma vida científica e filosófica vocacionada, ou seja, das habilidades e virtudes que tornam-na, de fato, uma vocação capaz de produzir idéias relevantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se trata, em última análise, de converter-se num eremita encouraçado contra a própria torrente da vida, suas urgências e chamados, mas de conquistar a quietude necessária, com todo o risco e custos que isso implica, para que em meio à distração e às frivolidades deter a atenção para clarificar e discernir as coisas do mundo, sua opacidade. Lembrem-se que no olho do ciclone reina a tranqüilidade e o silêncio. É&amp;nbsp;habitando&amp;nbsp;nele que, perfurando as espessuras, podemos apercerber-se do modo próprio do nosso&amp;nbsp;tempo, do sorriso demente que marca a face de nossos dias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, em vez de uma objeção à vida ordinária, temos, ou melhor, tínhamos, creio, um ato positivo sobre o tempo, cujo intuito consistia em determiná-lo, por sua suspensão em um espaço estriado e explorátorio, ao invés de permitir determinar-se por ele. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Suspender o tempo e deter-se na&amp;nbsp;quietude&amp;nbsp;significam, na verdade,&amp;nbsp;estender, ainda que por meios penosos e lentos, uma ponte até a vida e o presente; habitar, temporariamente, o meio, o olho do ciclone, e enxergar como as coisas erguem-se sobre nós, turvando-nos o entendimento; razão pela qual somos levados a amar unicamente aquilo que pode ser abreviado e&amp;nbsp;resumido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como, mais do que nunca, medimos, refletimos e organizamos nosso tempo em função da quantidade de coisas que temos de fazer em um determinado prazo ou espaço de tempo em vez de o fazermos segundo a natureza dessas coisas e de nossas próprias exigências e expectativas alinhadas segundo certos ideais, as perdas, as desilusões, as desgraças&amp;nbsp;e os fracassos são aquilo que, por excelência, escrituram e contabilizam o tempo contemporâneo, pois são o que restam de&amp;nbsp;duradouro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-4088622503487758226?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/4088622503487758226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/sobre-o-tempo-e-vida-cientifica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4088622503487758226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4088622503487758226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/sobre-o-tempo-e-vida-cientifica.html' title='Sobre o tempo e a vida científica'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S_YETEJFCGI/AAAAAAAAAMk/Dxkn4QVxiBw/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-4552747307705483673</id><published>2010-05-12T10:26:00.000-07:00</published><updated>2010-05-14T19:52:39.775-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Produção acadêmica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Avaliação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigo'/><title type='text'>O Fetiche da Quantidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;strong&gt;Por Renato Mezan&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A cada tanto tempo, volta-se a discutir como deve ser avaliado o trabalho dos professores. O grande número de pessoas envolvidas nos diversos níveis de ensino, assim como o de artigos e livros que materializam resultados de pesquisa, tem determinado uma preferência por medidas quantitativas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se estas podem trazer informações úteis como dado parcial para comparar resultados de escolas em vestibulares ou o desempenho médio de alunos em determinada matéria, sua aplicação como único critério de "produtividade" na pós-graduação vem gerando -a meu ver, pelo menos- distorções bastante sérias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é meu intuito recusar, em princípio, a avaliação externa, que considero útil e necessária. Gostaria apenas de lembrar que a criação de conhecimento não pode ser medida somente pelo número de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como é a tendência atual no Brasil. Tampouco me parece correta a fetichização da forma "artigo em revista" em detrimento de textos de maior fôlego, para cuja elaboração, às vezes, são necessários anos de trabalho paciente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mesma concepção tem conduzido ao encurtamento dos prazos para a defesa de dissertações e teses na área de humanas, com o que se torna difícil que exibam a qualidade de muitas das realizadas com mais vagar, que (também) por isso se tornaram referência nos campos respectivos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O equívoco desse conjunto de posturas tornou-se, mais uma vez, sensível para mim ao ler dois livros que narram grandes aventuras do intelecto: "O Último Teorema de Fermat", de Simon Singh (ed. Record), e "O Homem Que Amava a China", de Simon Winchester (Companhia das Letras).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O leitor talvez objete que não se podem comparar as realizações de que tratam com o trabalho de pesquisadores iniciantes; lembro, porém, que os autores delas também começaram modestamente e que, se lhes tivessem sido impostas as condições que critico, provavelmente não teriam podido desenvolver as capacidades que lhes permitiram chegar até onde chegaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Everest da matemática&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O teorema de Fermat desafiou os matemáticos por mais de três séculos, até ser demonstrado em 1994 pelo britânico Andrew Wiles. O livro de Singh narra a história do problema, cujo fascínio consiste em ser compreensível para qualquer ginasiano e, ao mesmo tempo, ter uma solução extremamente complexa. Em resumo, trata-se de uma variante do teorema de Pitágoras: "Em todo triângulo retângulo, a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa", ou, em linguagem matemática, a2²=b2²+c2².&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lendo sobre esta expressão na "Aritmética" de Diofante (século 3º), o francês Pierre de Fermat (1601-65) -cuja especialidade era a teoria dos números e que, junto com Pascal, determinou as leis da probabilidade- teve a curiosidade de saber se a relação valia para outras potências: x3³= y3³ + z3, x4 = y4 + z4 e assim por diante. Não conseguindo encontrar nenhum trio de números que satisfizesse as condições da equação, formulou o teorema que acabou levando seu nome -"Não existem soluções inteiras para ela, se o valor de n for maior que 2"- e anotou na página do livro: "Encontrei uma demonstração maravilhosa para esta proposição, mas esta margem é estreita demais para que eu a possa escrever aqui".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após a morte de Fermat, seu filho publicou uma edição da obra grega com as observações do pai. Como o problema parecia simples, os matemáticos lançaram-se à tarefa de o resolver -e descobriram que era muitíssimo complicado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Singh conta como inúmeros deles fracassaram ao longo dos 300 anos seguintes; os avanços foram lentíssimos, um conseguindo provar que o teorema era válido para a potência 3, outro (cem anos depois) para 5 etc. O enigma resistia a todas as tentativas de demonstração e acabou sendo conhecido como "o monte Everest da matemática". É quase certo que Fermat se equivocou ao pensar que dispunha da prova, que exige conceitos e técnicas muito mais complexos que os disponíveis na sua época.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem a descobriu foi Andrew Wiles, e a história de como o fez é um forte argumento a favor da posição que defendo. O professor de Princeton [universidade americana] precisou de sete anos de cálculos e teve de criar pontes entre ramos inteiramente diferentes da disciplina, numa epopeia intelectual que Singh descreve com grande habilidade e clareza. Não é o caso de descrever aqui os passos que o levaram à vitória; quero ressaltar somente que, não tendo de apresentar projetos nem relatórios, publicando pouquíssimo durante sete anos e se retirando do "circuito interminável de reuniões científicas", Wiles pôde concentrar-se com exclusividade no que estava fazendo.Por exemplo, passou um ano inteiro revisando tudo o que já se tentara desde o século 18 e outro tanto para dominar certas ferramentas matemáticas com as quais tinha pouca familiaridade, mas indispensáveis para a estratégia que decidiu seguir. Questionado por Singh sobre seu método de trabalho, Wiles respondeu: "É necessário ter concentração total. Depois, você para. Então parece ocorrer uma espécie de relaxamento, durante o qual, aparentemente, o inconsciente assume o controle. É aí que surgem as ideias novas".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este processo é bem conhecido e costumo recomendá-lo a meus orientandos: absorver o máximo de informações e deixá-las "flutuar" até que apareça algum padrão, ou uma ligação entre coisas que aparentemente nada têm a ver uma com a outra. Uma variante da livre associação, em suma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora, se está correndo contra o relógio, como o estudante pode se permitir isso? A chance de ter o "estalo de Vieira" é reduzida; o mais provável é que se conforme com as ideias já estabelecidas, o que obviamente diminui o potencial de inovação do seu trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Tarefa hercúlea&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro exemplo de que o tempo de gestação de uma obra precisa ser respeitado é o de Joseph Needham (1900-95), cuja vida extraordinária ficamos conhecendo em "O Homem Que Amava a China".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bioquímico de formação, apaixonou-se por uma estudante chinesa que fora a Cambridge [no Reino Unido] para se aperfeiçoar; ela lhe ensinou a língua e, à medida que se aprofundava no estudo da cultura chinesa, Needham foi se tomando de admiração pelas suas realizações científicas e tecnológicas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1943, o Ministério do Exterior britânico o enviou como diplomata à China, então parcialmente ocupada pelos japoneses. Sua missão era ajudar os acadêmicos a manter o ânimo e a prosseguir em suas pesquisas.Para saber do que precisavam, viajou muito pelo país e entrou em contato com inúmeros cientistas; em seguida, mandava-lhes publicações científicas, reagentes, instrumentos e o que mais pudesse obter.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse périplo, Needham se deu conta de que -longe de terem se mantido à margem do desenvolvimento da civilização, como então se acreditava no Ocidente- os chineses tinham descoberto e inventado muito antes dos europeus uma enorme quantidade de coisas, tanto em áreas teóricas quanto no que se refere à vida prática (uma lista parcial cobre 12 páginas do livro de Winchester).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Formulou então o que se tornou conhecido como "a pergunta de Needham": se aquele povo tinha demonstrado tamanha criatividade, por que não foi entre eles, e sim na Europa, que a ciência moderna se desenvolveu?A resposta envolvia provar que existiam condições para que isso pudesse ter acontecido, e depois elaborar hipóteses sobre por que não ocorreu. Daí a ideia de escrever um livro que mostrasse toda a inventividade dos chineses, tendo como base os textos recolhidos em suas viagens e as práticas que pudera observar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora o projeto fosse ambicioso, a Cambridge University Press o aceitou, considerando que, uma vez realizado, abrilhantaria ainda mais a reputação da universidade."Science and Civilization in China" [Ciência e Civilização na China] teria sete volumes, e Needham acreditava que poderia escrevê-lo "num prazo relativamente curto para uma obra acadêmica: dez anos".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, tomou quatro vezes mais tempo, e, quando o autor morreu, em 1995, já contava 15 mil páginas. Empreendimento hercúleo, como se vê, que transformou radicalmente a percepção ocidental quanto ao papel da China na história da civilização.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O volume de trabalho envolvido era imenso: de saída, ler e classificar milhares de documentos sobre os mais variados assuntos; em seguida, organizar tudo de modo claro e persuasivo, e por fim apresentar algumas respostas à "pergunta de Needham". Várias pessoas o auxiliaram no percurso (em particular, sua amante chinesa), mas a concepção de base, e boa parte do texto final, se devem exclusivamente a ele. MonumentoNeedham não publicou uma linha de bioquímica durante os últimos 30 anos de sua carreira.Tampouco tinha formação acadêmica em história das ideias -mas isso não o impediu de, com talento e disciplina, redigir uma das obras mais importantes do século 20.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se tivesse sido atrapalhado por exigências burocráticas, se tivesse de orientar pós-graduandos, se a editora o pressionasse com prazos ou não o deixasse trabalhar em seu ritmo (o primeiro volume levou seis anos para ficar pronto), teria talvez escrito mais um livro interessante, mas não o monumento que nos legou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que estes exemplos nos ensinam é que um trabalho intelectual de grande alcance só pode ser feito em condições adequadas -e uma delas é a confiança dos que decidem (e manejam os cordões da bolsa) em quem se propõe a realizá-lo.Tal confiança envolve não suspeitar que tempo longo signifique preguiça, admitir que pensar também é trabalho, que a verificação de uma ideia-chave ou de uma referência central pode levar meses -e que nada disso tem importância frente ao resultado final.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em tempo: um dos motivos encontrados por Needham para o estancamento da criatividade chinesa a partir de 1500 foi justamente a aversão de uma estrutura burocrática acomodada na certeza de sua própria sapiência a tudo que discrepasse dos padrões impostos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto isso, na Europa (e depois na América do Norte) a inovação era valorizada, e o talento individual, recompensado. Nas palavras de um sinólogo citado no fim do livro, o resultado da atitude dos mandarins foi que "o incentivo se atrofiou, e a mediocridade tornou-se a norma". Seria uma pena que, em nome da produtividade medida em termos somente quantitativos, caíssemos no mesmo erro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Artigo&amp;nbsp;publicado na Folha de São Paulo, dia 09 de maio, último domingo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Sobre o autor&lt;/strong&gt;:&amp;nbsp;Renato Mezan&amp;nbsp;é psicanalista e professor titular na Pontifícia Universidade Católica de SP e autor de "Freud Pensador da Cultura"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-4552747307705483673?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/4552747307705483673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/o-fetiche-de-quantidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4552747307705483673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4552747307705483673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/o-fetiche-de-quantidade.html' title='O Fetiche da Quantidade'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-5317956394246417162</id><published>2010-05-12T05:45:00.000-07:00</published><updated>2010-05-12T05:45:11.563-07:00</updated><title type='text'>Por impunidade, Brasil pode ser condenado na OEA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estado brasileiro deve ser julgado nos dias 21 e 22 de maio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) deve julgar – e, provavelmente, condenar – a impunidade à tortura no Brasil numa audiência nos dias 21 e 22 de maio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O organismo quer uma posição do Estado brasileiro sobre o porquê de não punir crimes de tortura no contexto do regime civil-militar e exige uma resposta até o mês de outubro, antes das eleições presidenciais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O caso brasileiro tramita na OEA desde 2008 em função da investigação sobre as torturas, prisões e desaparecimentos de militantes do PCdoB e camponeses durante a guerrilha do Araguaia. Tal processo, posteriormente, passou a abranger toda a impunidade dada aos torturadores no país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para a juíza Kenarik Felippe, há um viés do organismo de respeito às resoluções internacionais. “Vamos aguardar para ver se a corte acha que a Lei de Anistia impede a investigação e a impunidade dos crimes contra a humanidade. Temos muita esperança, pelas decisões anteriores da corte, que já reconheceu que é inadmissível a auto-anistia”, avalia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo a magistrada, no entanto, uma eventual condenação não implica mudança na decisão do STF, já que não há uma relação hierárquica entre as duas instituições. “A corte interamericana deve tomar uma decisão, mas cabe ao Brasil como resolver isso no âmbito interno. De acordo com compromissos firmados internacionalmente, o país tem que dar uma resposta a essas decisões”, explica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Renato Godoy de Toledo da Redação Brasil de Fato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-5317956394246417162?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/5317956394246417162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/por-impunidade-brasil-pode-ser.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/5317956394246417162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/5317956394246417162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/por-impunidade-brasil-pode-ser.html' title='Por impunidade, Brasil pode ser condenado na OEA'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-1278408002467836698</id><published>2010-05-07T11:24:00.000-07:00</published><updated>2010-05-09T07:36:31.160-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PNDH III'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Discurso'/><title type='text'>Políticas da memória: STF e a Anistia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S-RYb14eJLI/AAAAAAAAAMc/YcKxJJl6Vrs/s1600/untitled.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S-RYb14eJLI/AAAAAAAAAMc/YcKxJJl6Vrs/s320/untitled.bmp" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A decisão do STF sobre a validade da Lei de Anistia corrobora a firme tendência de nossa história recente, defendida com ardor por certos segmentos,&amp;nbsp;em manter a não-apuração da responsabilidade dos envolvidos direta e indiretamente pelas graves violações de direitos humanos durante a ditadura militar. Os velhos mitos ligados ao suposto caráter pacífico e cordial&amp;nbsp;da convivência social dos brasileiros são acionados, novamente, para ocultar e suavizar os conflitos, os antagosnismos&amp;nbsp;e as cisões que, sob certas circunstâncias, tornam-se demasiados visíveis. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O impedimento normativo&amp;nbsp;para não lidarmos com o nosso passado é uma das faces dos mecanismos de ocultação dos conflitos e das cisões, que busca interditar a discussão de temas e questões que necessariamente trariam à luz as divergências, os impasses não-resolvidos, as tensões delicadas e as estratégias e formas de dominação e ocultamento constituintes da história e da sociedade brasileira recentes. Lembremos as palavras de Foucault em &lt;em&gt;A Ordem do discurso&lt;/em&gt;:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;“Suponho que em todas as sociedades a produção do discurso é sempre controlada, selecionada, organizada e distribuída por um certo número de procedimentos que têm por finalidade esconjurar os poderes e os perigos, dominar o acontecimento aleatório, desviar-se da grosseria e da temível materialidade.”&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O entendimento do STF sobre a Lei de Anistia visa preservar a “ordem do discurso” sobre a ditadura militar, vedando os questionamentos e as reivindicações que a desestabilizariam, de&amp;nbsp;maneira que as pré-noções que muitos alimentam&amp;nbsp;e que sancionam&amp;nbsp;o caráter “menos violento e opressor” da ditadura militar no Brasil em relação àquelas implantadas em nossos vizinhos sul-americanos cairiam por terra. Desse modo, a meu ver, a maior parte dos ministros do STF mantém, pelo menos, uma relação empática com a alta cúpula dos militares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que está em jogo no debate sobre a Lei de Anistia e a apuração das responsabilidades dos crimes políticos e comuns, cometidos&amp;nbsp;no decorrer do regime militar no Brasil, diz respeito a uma certa maneira de conceber -&amp;nbsp;para o presente -&amp;nbsp;o passado, a memória e o curso da história. São distintas maneiras de conceber e experimentar a história, a memória e o passado o que move os segmentos e movimentos sociais que reivindicam a responsabilização dos agentes da repressão durante aqueles anos e os apaziguadores de plantão&amp;nbsp;da Ordem, e não apenas diferenças de intenções políticas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Lei de Anistia congela o passado. Concebe-o, cristalizando-o, como algo resolvido, acabado e fechado, por direito e fato, por aqueles que, na época, gozavam da “legitimidade” para defini-lo. Esta é uma operação típica dos conservadores; congelar o movimento, suster e cristalizar quaisquer elementos que remetam à processualidade, à variação. O STF endossou essa filosofia da história positivista e reacionária, que louva deixar o passado pra atrás e o mundo seguir o seu curso natural.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atitudes como essa encorpam ainda mais os pré-conceitos e&amp;nbsp;os efeitos de poder dos discursos&amp;nbsp;em sua função de&amp;nbsp;blindar&amp;nbsp;à ditadura da devida avaliação política, moral e jurídica pela sociedade. No Brasil, me convenço cada vez mais, que, apesar do estabelecimento dos princípios democráticos de convivência social e política, vigoram vividamente do policial aos ministros do Supremo, passando pelos agentes carcerários, jornalistas, gestores e secretários de segurança, atitudes e pensamentos que atestam a continuidade do autoritarismo e dos componentes justificadores das violações de direitos humanos perpetrados durante a ditadura militar. Nesse sentido, as propostas do PNDH-3 possuem um papel fundamental para a resistência e a destruição dessa continuidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É necessário politizar a história e a &amp;nbsp;memória,&amp;nbsp; conferindo, inclusive, &amp;nbsp;um fundo institucional para &amp;nbsp;os seguintes&amp;nbsp;questionamentos: Como lidamos com o nosso passado? O que nós, no presente, fizemos e fazemos em relação ao passado para compor e recompor nossa memória histórica? Que tipo de responsabilidade moral e política nós, brasileiros do presente, temos com o passado e as práticas e discursos que lhe deram forma e validade institucional? O que é que do passado ainda nos atravessa e pesa sobre nosso entendimento, isto é, quais os discursos de poder que ainda nos fisgam e que dificultam as transformações de determinadas relações? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora, um dos grandes méritos do PNDH-3 reside na incorporação do tema sobre a responsabilidade de atos e violações cometidos no passado e também&amp;nbsp;de, nas entrelinhas, interpelar publicamente à sociedade com aquelas questões que aludi acima. Trata-se de re-historicizar o passado no intuito de procurar uma outra articulação entre passado e presente de modo a nos remeter à nossa própria condição histórica, à possibilidade contínua de construir novos sentidos, re-significações, orientações, etc. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Liberar o acesso aos arquivos da ditadura e apurar as devidas responsabilidades sobre as graves violações&amp;nbsp;cometidas contra os&amp;nbsp;DH significam não só tomar conhecimento do que se passou com homens e mulheres perseguidos, torturados, desaparecidos e assassinados durante os “anos de chumbo”, mas também retirar da consciência coletiva, do senso comum, como preferirem, as cristalizações ideológicas dos discursos de poder e verdade depositados por anos à fio pelos segmentos hegemônicos de nossa sociedade. E, assim, abrir nossa história, o futuro e o passado para novos horizontes que urge perseguir, inventar&amp;nbsp;ao invés de descobrir, fixar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-1278408002467836698?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/1278408002467836698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/politicas-da-memoria-stf-e-anistia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/1278408002467836698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/1278408002467836698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/politicas-da-memoria-stf-e-anistia.html' title='Políticas da memória: STF e a Anistia'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S-RYb14eJLI/AAAAAAAAAMc/YcKxJJl6Vrs/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-51660718007832911</id><published>2010-05-06T18:54:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T18:59:14.420-07:00</updated><title type='text'>Bourdieu e a Lei de Anistia</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S-NvvFjr6qI/AAAAAAAAAMU/rYRuMWKkGuk/s1600/untitled.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S-NvvFjr6qI/AAAAAAAAAMU/rYRuMWKkGuk/s320/untitled.bmp" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"A escuridão voltou, mas desta vez nós estamos lidando com pessoas que se agarram à razão. Diante disso, não podemos permanecer em silêncio.".&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (Pierre Bourdieu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais tarde, prometo, volto ao tema para tecer algumas considerações sobre a equivocada decisão do STF, no que tange a Lei de Anistia, que optou por alçar&amp;nbsp;a soberania, a exceção, ou como&amp;nbsp;intitularam à&amp;nbsp;época&amp;nbsp;os militares, uma "Lei de transição",&amp;nbsp;a condição de&amp;nbsp;sobrepor-se aos Direitos Humanos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-51660718007832911?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/51660718007832911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/bourdieu-e-lei-da-anistia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/51660718007832911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/51660718007832911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/bourdieu-e-lei-da-anistia.html' title='Bourdieu e a Lei de Anistia'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S-NvvFjr6qI/AAAAAAAAAMU/rYRuMWKkGuk/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-7013404804007018603</id><published>2010-05-03T19:01:00.000-07:00</published><updated>2010-05-03T19:02:06.225-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escola'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pesquisa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homofobia'/><title type='text'>Pesquisa revela que 87% da comunidade escolar têm preconceito contra homossexuais</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Agência Brasil&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas escolas públicas brasileiras, 87% da comunidade -sejam alunos, pais, professores ou servidores –têm algum grau de preconceito contra homossexuais. O dado faz parte de pesquisa divulgada recentemente pela FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo) e revela um problema que estudantes e educadores homossexuais, bissexuais e travestis enfrentam diariamente nas escolas: a homofobia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O levantamento foi realizado com base em entrevistas feitas com 18,5 mil alunos, pais, professores, diretores e funcionários, de 501 unidades de ensino de todo o país. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A violência dura, relacionada a armas, gangues e brigas, é visível. Já o preconceito a escola tem muita dificuldade de perceber porque não existe diálogo. Isso é empurrado para debaixo do tapete, o que impera é a lei é a do silêncio", destaca a socióloga e especialista em educação e violência, Miriam Abromovay. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um estudo coordenado por ela e divulgado este ano indica que nas escolas públicas do Distrito Federal 44% dos estudantes do sexo masculino afirmaram não gostariam de estudar com homossexuais. Entre as meninas, o índice é de 14%. A socióloga acredita que o problema não ocorre apenas no DF, mas se repete em todo o país. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Isso significa que existe uma forma única de se enxergar a sexualidade e ela é heterossexual. Um outro tipo de comportamento não é admitido na sociedade e consequentemente não é aceito no ambiente escolar. Mas a escola deveria ser um lugar de diversidade, ela teria que combater em vez de aceitar e reproduzir", defende. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A coordenadora-geral de Direitos Humanos do Ministério da Educação (MEC), Rosiléa Wille, também avalia que a escola não sabe lidar com as diferenças. "Você tem que estar dentro de um padrão de normalidade e, quando o aluno foge disso, não é bem-compreendido naquele espaço." &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde 2005 o MEC vem implementando várias ações contra esse tipo de preconceito, dentro do programa Brasil sem Homofobia. As principais estratégias são produzir material didático específico e formar professores para trabalhar com a temática. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Muitos profissionais de educação ainda acham que a homossexualidade é uma doença que precisa ser tratada e encaminham o aluno para um psicólogo. Por isso nós temos pressionado os governos nas esferas federal, estadual e municipal para que criem ações de combate ao preconceito", explica o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As piadas preconceituosas, os cochichos nos corredores, as exclusões em atividades escolares e até mesmo as agressões físicas contra alunos homossexuais têm impacto direto na autoestima e no rendimento escolar desses jovens. Em casos extremos, os estudantes preferem interromper os estudos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Esse aluno desenvolve um ódio pela escola. Para quem sofre violência, independentemente do tipo, aquele espaço vira um inferno. Imagina ir todo dia a um lugar onde você vai ser violentado, xingado. Quem é violentado não aprende", alerta o educador Beto de Jesus, representante na América Latina da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo (ILGA). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Especialistas ouvidos pela Agência Brasil acreditam que, para combater a homofobia, a escola precisa encarar o desafio em parceria com o Poder Público. "A escola precisa sair da lei do silêncio. Todos os municípios e estados precisam destampar a panela de pressão, fazer um diagnóstico para poder elaborar suas políticas públicas", recomenda Miriam Abromovay. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para Rosiléa Wille, o enfrentamento do preconceito não depende apenas da escola, mas deve ser um esforço de toda a sociedade. "A gente está tendo a coragem de se olhar e ver onde estão as nossas fragilidades, perceber que a forma como se tem agido na escola reforça a rejeição ao outro. Temos uma responsabilidade e um compromisso porque estamos formando nossas crianças e adolescentes. Mas o Legislativo, o Judiciário, a mídia, todas as instâncias da sociedade deveriam se olhar também." &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fonte: Agência Brasil – http://www.agenciabrasil.gov.br/&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-7013404804007018603?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/7013404804007018603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/pesquisa-revela-que-87-da-comunidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7013404804007018603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7013404804007018603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/pesquisa-revela-que-87-da-comunidade.html' title='Pesquisa revela que 87% da comunidade escolar têm preconceito contra homossexuais'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-1300632316680689468</id><published>2010-05-01T12:19:00.000-07:00</published><updated>2010-05-01T18:58:59.948-07:00</updated><title type='text'>1º de Maio: Os mártires de Chicago</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S9xpj0BWaAI/AAAAAAAAAMM/KuW3ojbk-3I/s1600/losmartiresdechicagopeqxi6.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S9xpj0BWaAI/AAAAAAAAAMM/KuW3ojbk-3I/s320/losmartiresdechicagopeqxi6.png" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Dia Mundial do Trabalho, instituído pela Segunda Internacional em 1891, é uma homenagem a uma das mais famosas e violentas greves gerais da história, ocorrida cinco anos antes, em 1886, no coração industrial dos EUA da época; Chicago. Em primeiro de Maio de 1886, centenas de milhares de trabalhadores saíram às ruas em protesto contra as cavalares e inumanas jornadas de trabalho que chegavam as absurdas 15 horas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim dizia o panfleto distribuído em Chicago nas primeiras horas da greve em primeiro de maio: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;“A partir de hoje, nenhum operário deve trabalhar mais de 8 horas por dia: 8 horas de trabalho, 8 horas de repouso, 8 horas de educação.”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A hoje tão comum estratégia de ação direta da passeata por vias públicas e a greve geral não eram, à época, encaradas pelas autoridades como um meio pacífico e legal de reivindicação, denúncia de abusos e expressão de insatisfações e aspirações. A reação do governo norte-americano e dos patrões foi, evidentemente, bastante violenta. Além das milícias armadas contratadas pelos patrões para reprimir os piquetes, a Polícia e até o Exercito foram acionados para sufocar a greve. Resultado: diversos operários mortos e um número maior ainda de feridos, prisões arbitrárias, torturas, sindicatos fechados, bairros sitiados e ocupados pela polícia, julgamentos rápidos e falaciosos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O estopim e o recrudescimento da repressão à greve geral se deram por causa da explosão de uma bomba que matou alguns policiais, em quatro de Maio daquele ano. É a partir desse evento que entra em cena os homens retratados na imagem acima; Auguste Spies, Adolf Fisher, George Engel, Albert Parsons, Louis Lingg, Samuel Fielden, Michael Schwab e Oscar Neebe, ou como ficaram mundialmente conhecidos, “Os mártires de Chicago”. Estes foram submetidos, como bodes expiatórios, a um ardiloso e manipulado julgamento. No final, um pouco mais de um ano depois da greve geral, quatro foram enforcados, um encontrado misteriosamente morto em sua cela, dois condenados à prisão perpétua e o último condenado a 15 anos de prisão. Somente&amp;nbsp;anos depois, foi que a justiça americana reconheceu a inocência dos&amp;nbsp;"Mártires de&amp;nbsp;Chicago"&amp;nbsp;e que eles, na verdade,&amp;nbsp;não cometeram crime algum. O&amp;nbsp;julgamento, desde o&amp;nbsp;início, foi uma inescrupulosa armação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A greve geral de 1886 em Chicago foi silenciada e encerrada sem vitória aparente dos trabalhadores. No entanto, dois anos depois daqueles violentos dias de Maio, a American Federation of Labor e outras organizações de cunho anarquista marcaram uma nova greve geral a se realizar em 1º de maio de 1890, ou seja, no mesmo dia da greve pelas 8 horas de trabalho de Chicago. Desde então, apesar dos esforços das autoridades e dos políticos burgueses&amp;nbsp;americanos em desvincular o dia do trabalho da greve geral de Chicago de 1886, o primeiro de Maio passou a marcar, em todo ano, a homenagem e o luto por aqueles que foram injustamente feridos, perseguidos, condenados e mortos durante a greve geral de Chicago, sem igualmente esquecer&amp;nbsp;os que&amp;nbsp;continuaram&amp;nbsp;a luta iniciada em 1º de Maio de 1886, cujo símbolo máximo&amp;nbsp;são “Os Oito Mártires de Chicago”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-1300632316680689468?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/1300632316680689468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/1-de-maio-os-martires-de-chicago.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/1300632316680689468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/1300632316680689468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/05/1-de-maio-os-martires-de-chicago.html' title='1º de Maio: Os mártires de Chicago'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S9xpj0BWaAI/AAAAAAAAAMM/KuW3ojbk-3I/s72-c/losmartiresdechicagopeqxi6.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-3690039433357639868</id><published>2010-04-25T09:41:00.000-07:00</published><updated>2010-04-25T09:43:59.737-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conservadores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Devir'/><title type='text'>Os conservadores e o movimento.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S9RwknQcHcI/AAAAAAAAAME/et-Kbjp1YKk/s1600/93-_Sir_Winston_Churchill.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S9RwknQcHcI/AAAAAAAAAME/et-Kbjp1YKk/s320/93-_Sir_Winston_Churchill.jpg" tt="true" width="238" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando os conservadores começam a alardear sua revolta e a blasfemar contra o tempo presente é porque as mudanças atingiram um ponto sem volta, irrevogável. Os possíveis argumentos contrários, que exprimiriam seus receios diante das mudanças, esgotaram-se; por isto, passam a tomar a forma de ataques, disfarçados ou não, e acusações absurdas e irracionais que aludem, por vezes, ao conspiratório. É nesse momento que palavras como "inadimissível", "vergonha", "decadência", "inversão de valores" começam a pipocar repetitivamente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Por isso, antes de indignar-me com a histeria e os ataques desleais e preconceituosos dos conservadores, alegro-me por notar que as irrupções que acenevam para uma possível nova configuração do mundo e que prometiam sacudir e interrogar o estado das coisas, isto é, o mundo monótono e seguro dos conservadores, inscreveram-se, nesse momento, de maneira definitiva em nossa experiência histórica, fazendo visível, por direito, vozes e práticas antes sufocadas, conferindo-lhes um lugar legítimo e assegurado no mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A reação conservadora, que por vezes utiliza-se de meios tão ridículos quanto se valeram alguns estudantes de Farmácia da USP, é um remorso estéril cujo intuito impossível é frear o movimento e a força de mundo em vias de mudança. Em função disso, desde já ela carrega na boca e no gesto um mundo em agonia, moribundo, ao qual procura dar seus últimos espasmos de vida. Foi assim com instauração do voto para as mulheres, com o divórcio e o uso da pílula anticoncepcional, e antes com a queda das monarquias absolutistas, depois com fim da escravidão e da segregação racial. Todos esses acontecimentos, e, outros tantos, portavam, cada um ao seu modo, novas realidades e novos sujeitos que instauraram diferenças e deslocamentos significativos no repertório de nossas percepções e modalidades relacionais social e culturalmente institucionalizadas. Eles carregavam o hálito das novidades que atesta o definhamento de certas idéias, opiniões, pensamentos, práticas, e às vezes, de uma forma de vida inteira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, em boa parte do mundo ocidental, os homossexuais já colhem os frutos de sua árdua luta pela conquista de um espaço social e político que pouco a pouco enterra velhas percepções. Ganham direitos e liberdades; suas práticas amorosas, desejos de união e a manifestação de sua sexualidade são inscritas, pela força das leis, num mesmo regime de igualdade que a dos heterossexuais, doa a quem doer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A luta dos escamoteados e expropriados historicamente do espaço público e do espaço da humanidade, ainda que não logre êxitos totais, não deixa de produzir efeitos incontornáveis que, de certa maneira, reorganizam a vida e as relações segundo novas percepções e formas de equilíbrio e conflito. E, assim, o movimento que os conservadores tentam barrar persiste, avança. Quando baralho é demasiado é porque algo mudou para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-3690039433357639868?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/3690039433357639868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/os-conservadores-e-o-movimento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3690039433357639868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3690039433357639868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/os-conservadores-e-o-movimento.html' title='Os conservadores e o movimento.'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S9RwknQcHcI/AAAAAAAAAME/et-Kbjp1YKk/s72-c/93-_Sir_Winston_Churchill.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-3283242235696986204</id><published>2010-04-23T12:20:00.000-07:00</published><updated>2010-04-23T12:24:52.892-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ditadura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vladimir Safatle'/><title type='text'>Entrevista: O que resta da Ditadura?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S9Hyy-V6VSI/AAAAAAAAAL8/q3zGPsmaK4Y/s1600/debate-safatle.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S9Hyy-V6VSI/AAAAAAAAAL8/q3zGPsmaK4Y/s200/debate-safatle.jpg" tt="true" width="186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #3d85c6;"&gt;Leia abaixo a entrevista publicada pela Agência Brasil com o filósofo Vladimir Safatle, professor de Filosofia da USP.&amp;nbsp;Safatle é co-organizador do livro recém-lançado pela editora&amp;nbsp;Boitempo&amp;nbsp;&lt;em&gt;O que resta da Ditadura&lt;/em&gt;. Segundo o filósofo, o Brasil continua uma democracia imperfeita por resistir a uma reavaliação&amp;nbsp;do período militar (1964-1985).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Agência Brasil: O Brasil tem alguma dificuldade com o seu passado?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Vladimir Safatle&lt;/em&gt;: Existe um esforço de vários setores da sociedade em apagar a ditadura, quase como se ela não tivesse existido. Há leituras que tentam reduzir o período à vigência do AI-5 [Ato Institucional nº 5], de 1968 a 1979. E o resto seria uma espécie de democracia imperfeita, que não se poderia tecnicamente chamar de ditadura. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou seja, existe mesmo no Brasil um esforço muito diferente de outros países da América Latina, que passaram por situações semelhantes, que era a confrontação com os crimes do passado. É a ideia de anular simplesmente o caráter criminoso de um certo passado da nossa história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ABr: Há quem diga que o Brasil não teve de fato uma ditadura clássica depois de 1964, mas sim uma “ditabranda” se comparada à da Argentina e a do Uruguai, por exemplo.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Safatle&lt;/em&gt;: Essa leitura é do mais clássico cinismo. É inadmissível para qualquer pessoa que respeite um pouco a história nacional. Afirmar que uma ditadura se conta pela quantidade de mortes que consegue empilhar numa montanha é desconhecer de uma maneira fundamental o que significa uma ditadura para a vida nacional. A princípio, a quantidade de mortes no Brasil é muito menor do que na Argentina. Mas é preciso notar como a ditadura brasileira se perpetuou. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Brasil é o único país da América Latina onde os casos de tortura aumentaram após o regime militar. Tortura-se mais hoje do que durante aquele regime. Isso demostra uma perenidade dos hábitos herdados da ditadura militar, que é muito mais nociva do que a simples contagem de mortes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ABr: Qual o reflexo disso?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Safatle&lt;/em&gt;: Significa um bloqueio fundamental do desenvolvimento social e político do país. Por outro lado, existe um dado relevante: a ditadura de certa maneira é uma exceção. Ela inaugurou um regime extremamente perverso que consiste em utilizar a aparência da legalidade para encobrir o mais claro arbítrio. Tudo era feito de forma a dar a aparência de legalidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o regime queria de fato assassinar alguém, suspender a lei, embaralhava a distinção entre estar dentro e fora da lei. Fazia isso sem o menor problema. Todos viviam sob um arbítrio implacável que minava e corroía completamente a ideia de legalidade. É um dos defeitos mais perversos e nocivos que uma ditadura pode ter. Isso, de uma maneira muito peculiar, continua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ABr: Então, a semente da violência atual do aparato policial foi plantada na ditadura?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Safatle&lt;/em&gt;: Não é difícil fazer essa associação, pois nunca houve uma depuração da estrutura policial brasileira. É muito fácil encontrar delegados que tiveram participação ativa na ditadura militar, ainda em atividade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No estado de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin indicou um delegado que era alguém que fez parte do DOI-Codi [Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna]. Teve toda uma discussão, mas esse debate não serviu sequer para ele voltasse atrás na nomeação. Se você levar em conta esse tipo de perenidade dos próprios agentes que atuaram no processo repressivo, não é difícil entender por que as práticas não mudaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ABr: Estamos atrás de outros países, como Argentina e África do Sul, na investigação e julgamento de crimes cometidos pelo Estado?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Safatle&lt;/em&gt;: Estamos aquém de todos os países da América Latina. Nosso problema não é só não ter constituído uma comissão de verdade e justiça, mas é o de que ninguém do regime militar foi preso. Não há nenhum processo. O único processo aceito foi o da família Teles contra o coronel [Carlos Alberto Brilhante] Ustra, que foi uma declaração simplesmente de crime. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém está pedindo um julgamento e sim uma declaração de que houve um crime. Legalmente, sequer existiram casos de tortura, já que não há nenhum processo legal. E levando em conta o fato de que o Brasil tinha assinado na mesma época tratados internacionais, condenando a tortura, nossa situação é uma aberração não só em relação à Argentina e à África do Sul, mas em relação ao Chile, ao Paraguai e ao Uruguai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ABr: Que expectativa o senhor tem quanto ao funcionamento da Comissão Nacional da Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), para apurar crimes da ditadura?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Safatle:&lt;/em&gt; Uma atitude como essa é a mais louvável que poderia ter acontecido e merece ser defendida custe o que custar. O trabalho feito pelo ministro Paulo Vannuchi [secretário dos Direitos Humanos, da Presidência da República] e pela Comissão de Direitos Humanos é da mais alta relevância nacional. Acho que é muito difícil falar o que vai acontecer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A gente está entrando numa dimensão onde a memória nacional, a política atual e o destino do nosso futuro se entrelaçam. Existe uma frase no livro 1984, de George Orwell, que diz: “Quem controla o passado controla o futuro”. Mexer com esse tipo de coisa é algo que não diz respeito só à maneira que o dever de memória vai ser institucionalizado na vida nacional, mas à maneira com que o nosso futuro vai ser decidido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ABr: Mas, antes mesmo da criação da Comissão da Verdade, os debates já estão muito acalorados.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Safatle: &lt;/em&gt;O melhor que poderia acontecer é que se acirrassem de fato as posições e cada um dissesse muito claramente de que lado está. O país está dividido desde o início. Veja a questão da Lei da Anistia. O programa do governo [PNDH 3] em momento algum sugeriu uma forma de revisão ou suspensão da lei. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que ele sugeriu foi que se abrisse espaço para a discussão sobre a interpretação da letra da lei. Porque a anistia não vale para crimes de sequestro e atentados pessoais. A confusão que se criou demonstra muito claramente como a sociedade brasileira precisa de um debate dessa natureza, o mais rápido possível. Não dá para suportar que certos segmentos da sociedade chamem pessoas foram ligadas a esses tipos de atividades de “terroristas”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É sempre bom lembrar que no interior da noção liberal de democracia, desde John Locke [filósofo inglês do século 17], se aceita que o cidadão tem um direito a se contrapor de forma violenta contra um Estado ilegal. Alguns estados nos Estados Unidos também preveem essa situação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ABr: O termo “terrorista” é usado por historiadores que não têm qualquer ligação com os militares e até mesmo por pessoas que participaram da luta armada. Usar a palavra é errado?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Safatle:&lt;/em&gt; Completamente. É inaceitável esse uso que visa a criminalizar profundamente esse tipo de atividade que aconteceu na época. A ditadura foi um estado ilegal que se impôs através da institucionalização de uma situação ilegal. Foi resultado de um golpe que suspendeu eleições, criou eleições de fachada com múltiplos casuísmos. Podemos contar as vezes que o Congresso Nacional foi fechado porque o Executivo não admitia certas leis. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fato de ter aparência de democracia porque tinham algumas eleições pontuais, marcadas por milhões de casuísmos, não significa nada. No Leste Europeu também existiam eleições que eram marcadas desta mesma maneira.Um Estado que entra numa posição ilegal não tem direito, em hipótese alguma, de criminalizar aqueles que lutam contra a ilegalidade. Por trás dessa discussão, existe a tentativa de desqualificar a distinção clara entre direito e Justiça. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em certas situações, as exigências de Justiça não encontram lugar nas estruturas do Direito tal como ele aparecia na ditadura militar. Agora, existem certos setores que tentam aproximar o que aconteceu no Brasil do que houve na mesma época na Europa, com os grupos armados na Itália e na Alemanha. As situações são totalmente diferentes porque nenhum desses países era um Estado ilegal. E não há casos no Brasil de atentado contra a população civil. Todos os alvos foram ligados ao governo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ABr: Os assaltos a banco não seriam atentados às pessoas comuns que estavam nas agências?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Safatle:&lt;/em&gt; Todos os que participaram a atentados a bancos não foram contemplados pela Lei da Anistia e continuaram presos depois de 1979. Pagaram pelo crime. Isso não pode ser utilizado para bloquear a discussão. Dentro de um processo de legalidade, de maneira alguma o Estado pode tentar esconder aquilo que foi feito por cidadãos contra eles, como se fossem todos crimes ordinários. Se um assalto a banco é um crime ordinário, eu diria que a luta armada, a luta contra o aparato do Estado ilegal, não é. Isso faz parte da nossa noção liberal de democracia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ABr: Que democracia é a nossa que tem dificuldades de olhar o passado?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Safatle:&lt;/em&gt; É uma democracia imperfeita ou, se quisermos, uma semidemocracia. O Brasil não pode ser considerado um país de democracia plena. Existe uma certa teoria política que consiste em pensar de maneira binária, como se existissem só duas categorias: ditadura ou democracia. É uma análise incorreta. Seria necessário acrescentar pelo menos uma terceira categoria: as democracias imperfeitas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;ABr: O que isso significa?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Safatle:&lt;/em&gt; Consiste em dizer basicamente o seguinte: não há uma situação totalitária de estrutura, mas há bloqueios no processo de aperfeiçoamento democrático, bloqueios brutais e muito visíveis. Existe uma versão relativamente difundida de que a Nova República é um período de consolidação da democracia brasileira. Diria que não é verdade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É um período muito evidente que demonstra como a democracia brasileira repete os seus impasses a todo momento. O primeiro presidente eleito recebeu um impeachment, o segundo subornou o Congresso para poder passar um emenda de reeleição e seu procurador-geral da República era conhecido por todos como “engavetador-geral”, que levou a uma série de casos de corrupção que nunca foram relativizados. O terceiro presidente eleito muito provavelmente continuou processos de negociação com o Legislativo mais ou menos nas mesmas bases. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chamar isso de consolidação da estrutura democrática nacional é um absurdo. Os poderes mantêm uma relação problemática, uma interferência do poder econômico privado nas decisões de governo. Um sistema de financiamento de campanhas eleitorais que todos sabem que é totalmente ilegal e é utilizado por todos os partidos sem exceção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-3283242235696986204?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/3283242235696986204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/entrevista-o-que-resta-da-ditadura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3283242235696986204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3283242235696986204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/entrevista-o-que-resta-da-ditadura.html' title='Entrevista: O que resta da Ditadura?'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S9Hyy-V6VSI/AAAAAAAAAL8/q3zGPsmaK4Y/s72-c/debate-safatle.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-946825665783636310</id><published>2010-04-23T11:46:00.000-07:00</published><updated>2010-04-23T11:47:03.357-07:00</updated><title type='text'>Índice de desemprego global é mais alto entre os jovens.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A recessão global fez com que o índice de desemprego aumentasse quase em todo o mundo e em quase todas as faixas etárias. Mas a crise foi mais dura para com os jovens, cujas taxas de desemprego aumentaram mais do que as dos adultos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O modo pelo qual os jovens foram afetados parece ter a ver em parte com a severidade da crise em cada país, e em parte com as leis e práticas trabalhistas locais. Alguns dos jovens mais afetados estão nos países que têm mais proteções legais para os trabalhadores mais velhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que inclui 29 países, na maioria ricos, divulgou um estudo esta semana sobre o desemprego juvenil, antes de uma reunião dos ministros do trabalho do Grupo dos 20 marcada para esta segunda-feira em Washington.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Há atualmente quase 15 milhões de jovens desempregados nos países da OCDE, cerca de mais 4 milhões do que no final de 2007”, afirma o estudo, escrito por Stefano Scarpetta, Anne Sonnet e Thomas Manfredi, todos da sede da organização em Paris.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A maior taxa de desemprego de jovens – categoria que vai dos 15 aos 24 anos na maioria dos países, e dos 16 aos 24 em outros – está na Espanha, onde no último trimestre do ano passado o índice ficou em 39,6%, mais do que o dobro dos 19,1% de dois anos atrás. Para os adultos, a taxa aumentou de 7,4% para 16,9%.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Espanha, assim como muitos países europeus, oferece proteção para aqueles que têm empregos fixos, um fato que levou alguns empregadores a expandirem as vagas temporárias, que fornecem menos benefícios. “A maioria dos empregos perdidos foram registrados entre os trabalhadores que tinham empregos temporários, muitos deles jovens”, diz o estudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As taxas de desemprego mostram a porcentagem de pessoas em idade ativa que estão desempregadas. Os jovens que ainda estão na escola são excluídos dessa conta. Assim como aqueles que abandonaram a escola e não estão procurando trabalho, mesmo que não o façam porque pensam que o esforço é inútil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A exceção à essa tendência é a Alemanha, onde o desemprego dos jovens na verdade caiu para 10,3% no período de dois anos. O estudo atribuiu isso em parte a “um sistema bem sucedido de treinamento profissionalizante que assegura à maioria dos jovens uma transição relativamente fácil da escola para o mercado de trabalho.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos Estados Unidos, o índice aumentou de 11,1% para 19,1%. Isso deixou os EUA com uma taxa um pouco maior do que a média de 18,4% dos 29 países.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para a maioria das pessoas, diz o estudo, os efeitos do desemprego juvenil são temporários, e logo os jovens conseguirão empregos que ofereçam salários adequados. “Mas para os jovens menos favorecidos, que não tiveram uma educação básica, é difícil superar uma falha em sua primeira experiência no mercado de trabalho e isso pode expô-los a prejuízos a longo prazo.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O estudo elogiou os esforços que estão sendo feitos em alguns países para oferecer treinamento profissionalizante aos jovens que saíram da escola e estão desempregados, mas alertou que o treinamento precisa fornecer aos jovens habilidades que possam ser usadas no mercado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tradução: Eloise De Vylder&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fonte: The New York Times – &lt;a href="http://www.nytimes.com/"&gt;http://www.nytimes.com/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-946825665783636310?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/946825665783636310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/indice-de-desemprego-global-e-mais-alto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/946825665783636310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/946825665783636310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/indice-de-desemprego-global-e-mais-alto.html' title='Índice de desemprego global é mais alto entre os jovens.'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-4712357471113618611</id><published>2010-04-21T05:53:00.000-07:00</published><updated>2010-04-21T05:57:56.898-07:00</updated><title type='text'>França apresentará projeto de lei para proibir véu integral</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O governo francês anunciou nesta quarta-feira que apresentará em maio um projeto de lei que contemple a proibição do uso do véu islâmico integral - burca e niqab - em todos os espaços públicos e não apenas nos prédios estatais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anúncio foi feito pelo porta-voz do governo, Luc Chatel, após uma reunião de gabinete com o presidente Nicolas Sarkozy, que mais uma vez declarou que o véu integral é um "atentado à dignidade das mulheres"."O objetivo é impedir que o fenômeno avance. Legislamos para o futuro, o uso do véu integral é um sinal de recolhimento comunitário e uma rejeição de nosso valores", afirmou o porta-voz do governo, antes de recordar que 2.000 muçulmanas usam o véu integral na França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão do Executivo francês significa que o projeto de lei deve ser submetido ao Conselho de Estado, a principal instância administrativa na França, que no fim de março advertiu que uma proibição total da burca e do niqab poderia ser rejeitada do ponto de vista jurídico.O Conselho de Estado rejeitou uma proibição geral e absoluta do véu islâmico integral, mas admitiu que "exigências próprias de determinados serviços públicos justificariam a obrigação de manter o rosto descoberto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: site &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2010/04/21/franca-apresentara-projeto-de-lei-para-proibir-veu-integral.jhtm"&gt;UOL&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-4712357471113618611?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/4712357471113618611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/franca-apresentara-projeto-de-lei-para.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4712357471113618611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4712357471113618611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/franca-apresentara-projeto-de-lei-para.html' title='França apresentará projeto de lei para proibir véu integral'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-4569824578847459454</id><published>2010-04-18T09:42:00.000-07:00</published><updated>2010-04-18T10:47:49.105-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humanidades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Discurso'/><title type='text'>A Ciência também é isto:</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S8s_R1Ywd2I/AAAAAAAAALA/TtHeTBBwKj0/s1600/lu.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461528548738103138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 268px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S8s_R1Ywd2I/AAAAAAAAALA/TtHeTBBwKj0/s320/lu.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As pesquisas sobre Q.I, e suas correlações com as mais estranhas variáveis e comportamentos, possuem uma longa tradição na ciência – sobretudo nos EUA - e, desde muito, constituem um dos principais meios de propaganda e conquista de prestígio e renome junto à “opinião pública” e à mídia de uma maneira rápida e pouco desgastante. Basta aplicar algumas pilhas de questionários, uma análise estatística básica, acrescente variáveis como infidelidade, crença, rendimento acadêmico, e cruze com os dados coletados de acordo com certos perfis e pronto, todas as inferências já estão logicamente justificadas pela transparência dos números sem maiores problemas e dúvidas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob uma estratégia similar, Satoshi Kanazawa, psicólogo evolucionista da &lt;em&gt;London School of Economics and Political Science&lt;/em&gt;, publicou na revista da Associação Americana de Sociologia, a &lt;em&gt;Social Psychology Quaterly&lt;/em&gt;, um extenso artigo intitulado; "Porque os liberais e ateus são mais inteligentes.”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em síntese, o argumento central é o seguinte: se considerarmos a inteligência como um produto evolutivo resultante da exposição às novas situações e demandas relativas à espécie, sua sobrevivência e desenvolvimento, a inteligência mais capaz é aquela que consegue adaptar-se a essas novas situações e dar continuidade ao processo de evolução da espécie. Desse ponto de vista, o autor sustenta que o liberalismo e o ateísmo são respostas adaptativas a situações novas, do “ponto de vista evolucionário”, que surgiram para espécie. E, por não recorrerem à explicação em termos de natural ou sobrenatural, como os religiosos e conservadores, eles impelem a inteligência, em sua empresa para adaptar-se às novas condições evolutivas, a um salto, a uma evolução, progresso, ou seja, a novas inclinações e práticas. Logo, segundo Satoshi, ateus e liberais tendem a ser mais inteligentes, pois suas disposições psicológicas e sociais são sinais evolutivos da espécie, na medida em que constituem uma abertura/adaptação/resposta ao uma “novidade evolucionária”. O mesmo argumento se estende aos monogâmicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espantoso não é nem tanto o reducionismo desses barbarismos intelectuais e provincianos, que mais buscam lucros editoriais e midiáticos do que o aprimoramento e a sofisticação dos horizontes da pesquisa científica e de seus desdobramentos, mas o silêncio e a pouca atenção dada pelos filósofos e sociólogos, enfim, das humanidades em geral. Pesquisas desse tipo, e sua fácil penetração nos meios de comunicação, revelam uma indiferença explícita, seja por ignorância ou desprezo, às humanidades; a sua história intelectual e seus trabalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata apenas de uma questão científica -, de criticar as pressuposições epistemológicas e as simplificações desses trabalhos - ou de disputa intelectual, mas uma questão com urgência ética e política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ética porque toda atividade intelectual é uma prática social com efeitos sociais, políticos, culturais e econômicos específicos e interligados tanto aos enunciados teóricos, quanto a práxis propriamente dita. Portanto, exigente de responsabilidade, reflexividade e avaliação dos enunciados produzidos e das implicações – possíveis e efetivas – destes na sociedade, em geral, e na pesquisa científica, em particular. Questão política porque se trata também de denunciar e combater os efeitos de poder relativos à pesquisas do tipo mencionado: o mascaramento de posições normativas, preconceitos e de crenças morais que sob verniz da “pesquisa científica” e da neutralidade e objetividade dos resultados obtidos servem a determinados segmentos e visões de mundo em detrimento de outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, urge indagar: por quanto tempo, sociólogos, antropólogos, filósofos e historiadores assistirão passivos esses disparates que jogam à lata do lixo seus ofícios, história intelectual e trabalhos, contentando-se em responder tão somente por meio de conversas de corredor, exclamadas de indignação, por ironias em palestras e em aulas ou através de notas de rodapé publicadas em revistas e blogues? Será que já não é o momento de uma obra de fôlego, de um empreendimento consistente, rigoroso, em franco antagonismo com pesquisas desse tipo, reducionistas e biologizantes - e suas variações neuro-genética-psicológicas -, e que, sobretudo, reuna transdisciplinarmente as humanidades no sentido de levar suas contribuições, história e perspectiva crítica para públicos diversos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Leia nos links abaixo, respectivamente, a reportagem sobre a pesquisa de Satoshi e o artigo do psicólogo evolutivo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u700498.shtml"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u700498.shtml&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://personal.lse.ac.uk/Kanazawa/pdfs/SPQ2010.pdf"&gt;http://personal.lse.ac.uk/Kanazawa/pdfs/SPQ2010.pdf&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-4569824578847459454?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/4569824578847459454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/ciencia-tambem-e-isto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4569824578847459454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4569824578847459454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/ciencia-tambem-e-isto.html' title='A Ciência também é isto:'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S8s_R1Ywd2I/AAAAAAAAALA/TtHeTBBwKj0/s72-c/lu.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-5265438551824971395</id><published>2010-04-15T19:30:00.000-07:00</published><updated>2010-04-15T20:27:24.549-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luiz Felipe de Alencastro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista: A política pós-Lula, segundo Luiz Felipe de Alencastro.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S8fVhRwKSiI/AAAAAAAAAK4/AoHN92cynYM/s1600/lu.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5460567840887818786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 301px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S8fVhRwKSiI/AAAAAAAAAK4/AoHN92cynYM/s320/lu.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Leia abaixo alguns dos principais trechos da lúcida e perspicaz entrevista dada pelo historiador e cientista político Luiz Felipe de Alencastro ao &lt;a href="http://www.valoronline.com.br/?impresso/cultura/92/6199579/a-politica-poslula&amp;amp;utm_source=newsletter&amp;amp;utm_medium=tarde_09042010&amp;amp;utm_campaign=informativo&amp;amp;scrollX=0&amp;amp;scrollY=0&amp;amp;tamFonte="&gt;&lt;em&gt;Valor Econômico&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;a propósito da dinâmica política que se desenha para as eleições de outubro. Além do pleito, Luiz Felipe de Alencastro comenta a recepção ressentida e temerosa da classe média diante da ascensão social dos estratos mais pobres da população, o que, segundo o historiador, explica a aversão pouco refletida da classe média em relação governo Lula. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: A revista "The Economist" fez uma matéria de capa sobre o Brasil, dizendo que o futuro chegou para o país do futuro. O sr. compartilha desse otimismo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Luiz Felipe de Alencastro&lt;/em&gt;: Até a oposição compartilha desse otimismo. Dentro e fora do país há um consenso favorável sobre a economia brasileira, sobretudo com a entrada da China no mercado mundial, com uma forte demanda por matérias-primas. O lado negativo é que o comércio externo fica parecido com o que era no século XIX. Há um risco nessa divisão internacional do trabalho que vai se criando, em que o Brasil vira exportador de matérias-primas novamente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: E a perspectiva política&lt;/strong&gt;? &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Alencastro:&lt;/em&gt; O que me assusta é a ideia de ter Michel Temer como vice-presidente. Ele é deputado há décadas e foi presidente da Câmara duas vezes. Controla a máquina do PMDB e o Congresso à perfeição. Vai compor chapa com uma candidata que nunca teve mandato e é novata no PT. O presidencialismo pressupõe um vice discreto, porque ele é eleito de carona, para trazer alianças e palanques. Aos trancos e barrancos, instaurou-se um sistema presidencialista que tem dado certo no Brasil. O fato de haver dois turnos, associado à integração do vice na chapa do presidente, deu estabilidade ao sistema. Foi assim com Fernando Henrique e Marco Maciel. Foi assim com Lula e José de Alencar. Dilma e Temer formam uma combinação inédita: uma candidata até então sem mandato associada a um político cheio de mandatos e dono do PMDB, que é o maior partido do Brasil, mas nunca elegeu um presidente e vai com sede ao pote. O PMDB pode estabelecer um vice-presidencialismo, com um papel de protagonista que seria descabido.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: Dilma é considerada uma administradora eficiente, mas não tem uma carreira política como a de Lula. Isso pode comprometer seu governo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Alencastro:&lt;/em&gt; Ela assumiu a Casa Civil num momento difícil. O governo e o país estavam em crise e, por muito tempo, não se falou nela, o que é um indício de grande eficácia. Num cargo exposto como esse, não ser notícia é um grande feito. Isso prova que não é ficção sua fama de boa administradora. Mas acho problemático ela não ter a experiência de um mandato eletivo. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: Lula, quando eleito, só tinha passado pela Assembleia Constituinte.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Alencastro:&lt;/em&gt; Mas era o fundador de um importante partido político e um grande líder sindical. O lado conciliador de Lula vem daí, da experiência de conversar no botequim com os companheiros, negociar com o patronato, avaliar relações de força na fábrica e na política. Se ele errasse, dirigindo uma greve furada, a sanção não seria perder um mandato, mas ter no dia seguinte dezenas de trabalhadores no olho da rua. Sem contar as campanhas, as três que perdeu para presidente e uma para governador de São Paulo, em 1982. Dilma foi secretária estadual no Rio Grande do Sul, um Estado muito politizado, mas isso não equivale a um cargo eletivo. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: Serra, o sr. conhece melhor. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Alencastro&lt;/em&gt;: Serra tem muita experiência e é um grande líder. Mas tem um problema sério. Vou formulá-lo de maneira abrupta: e se Serra for um blefe? Explico: ele é apresentado desde 1982, quando foi secretário de Planejamento em São Paulo, como o reformador do Brasil, o homem que vai racionalizar a economia e dar jeito no país. Quando Fernando Henrique ganhou, ele foi ministro do Planejamento, mas ficou fora da política econômica. Como se dizia, Serra era o candidato da Fiesp, da indústria, e Fernando Henrique, da Febraban, dos banqueiros. Serra foi parar na Saúde e até hoje não quer ser associado àquela política econômica, de que era crítico acerbo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: A classe média também pode gerar instabilidade, ao sentir que perde privilégios? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Alencastro:&lt;/em&gt; Isso já está acontecendo. É o que alimenta a agressividade anti-Lula de certos jornais e revistas, que retratam a perplexidade de uma camada social insegura: os pobres estão satisfeitos e os ricaços também, mas a velha classe média não acha graça nenhuma. Ter doméstica com direito trabalhista, pobres e remediados comprando carro e atrapalhando o trânsito, não ter faculdade pública garantida para os filhos matriculados em escola particular. Tudo isso é resultado da mobilidade social, que provoca incompreensão e ressentimento numa parte da classe média. Daí o furor contra o ProUni, as cotas na universidade, o Bolsa Família. Leio a imprensa brasileira pela internet e às vezes fico pasmo com os comentários dos leitores, a agressividade e o preconceito social explícitos. O discurso de gente como o senador Demóstenes Torres no DEM [contra o sistema de cotas raciais nas universidades públicas] indica uma guinada à direita da direita parecida com a dos republicanos nos Estados Unidos. Lá, esse extremismo empolgou o partido inteiro e pode desestabilizar o país. A falta de perspectiva da oposição cria um vácuo para o radicalismo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: A oposição está desarticulada? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Alencastro: Desarticulada e sem discurso político coerente, e isso é ruim para o Brasil. Como ela vai se reorganizar? E vamos extrapolar: se perder São Paulo e o Rio Grande do Sul, acaba como força política nacional. Um desequilíbrio tamanho entre os partidos é problemático. Novamente, o exemplo americano: fico impressionado não só com o radicalismo, mas com a histeria. Obama é chamado de Anticristo... O Brasil pode enveredar por aí. Brasil e Estados Unidos são países conservadores e precisam ter um partido conservador à altura. A desarticulação da direita não é bom sinal. É preciso uma alternativa conservadora que mantenha a insatisfação no jogo eleitoral. Foi isso que o PT fez na esquerda. Ainda no tempo da ditadura, recolheu o sindicalismo apartidário, a franja próxima da luta armada, que tinha sido desmantelada, e a militância cristã, que não tinha onde se expressar eleitoralmente. Isso fez a força do PT.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: A tendência, então, é Serra liderar uma direita radicalizada? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Alencastro&lt;/em&gt;: O problema é que, a princípio, Serra não é o candidato que a direita gostaria de ter. Ele é um democrata com trânsito numa parte da esquerda. Também é meio estatizante, adepto de uma política tarifária protecionista e por aí vai. Não é a mesma direita de Demóstenes Torres, Ronaldo Caiado ou mesmo Geraldo Alckmin. Por quê? Porque Serra teve a experiência da perseguição política, da ditadura, do exílio. Companheiros dele foram mortos, outros torturados. Isso até o aproxima de Dilma: os dois principais candidatos à presidência correram o risco de ser assassinados pela direita mais radical. Serra ainda escapou de Pinochet quando estava no Chile. De Paris, acompanhei com atenção sua volta ao Brasil em 1977, antes da anistia. Eduardo Kugelmas [sociólogo e cientista político, morto em 2006], quando soube que Serra tinha voltado sem ser preso, me disse: "Todo mundo pode voltar agora. Serra é um elefante de piranha. Se ele passou, todo mundo pode voltar". Hoje, o que torna sua candidatura difícil é não ter um discurso mais abrangente, além do anti-PT, para atrair outros setores.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: A aliança possível para Serra seria talvez a direita radical, com que não se identifica. E sua adversária é uma esquerda que se aproximou das ideias que ele defendia... &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Alencastro:&lt;/em&gt; Serra está confrontado a um impasse. Não pode elogiar Fernando Henrique e não pode atacar Lula. Que candidato ele pode ser? Qual é seu terreno? Ele pode ser um blefe nesse sentido. Na campanha, vai ter de prometer continuidade para os programas do PT. Quando Sérgio Guerra disse que o PSDB faria tudo diferente, foi um desastre. Disse que ia mexer no câmbio e nos juros. Falou disparates e levou um cala-boca do partido.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: Isso pode fazer com que a campanha se torne virulenta? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Alencastro:&lt;/em&gt; Na blogosfera, já começou. É terrível, a começar pelo episódio da ficha policial falsa de Dilma. É um sinal do que está por vir. Vai ser um vale-tudo monumental. Embora o impacto disso seja limitado no grande eleitorado, é forte entre os chamados "formadores de opinião". Sobretudo, cria um clima de tensão e de irresponsabilidade na campanha presidencial.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: A presidente da Associação Nacionais de Jornais, Judith Brito, disse que a fraqueza da oposição leva a imprensa a agir como partido. O que significa a imprensa se comportar como partido político? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Alencastro:&lt;/em&gt; Normalmente, a imprensa defende a Constituição, reformas políticas, ideias. Não há nada errado, por exemplo, em apoiar candidatos. O "New York Times" apoiou Obama, mas tem um trabalho jornalístico sério e equilibrado. Esse é o papel da imprensa, o que é diferente de querer substituir partidos políticos. Fiquei perplexo com o texto de uma coluna regular num grande jornal carioca que continha uma proposta partidária para o PSDB. O papel do jornalista não é redigir programas partidários.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: O PT sofreu mutações desde que Lula foi eleito. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Alencastro&lt;/em&gt;: O aparelho, que se mexia sozinho, foi decapitado com a derrocada de [Luiz] Gushiken, [Antonio] Palocci e [José] Dirceu. Lula tomou conta e o partido perdeu sua independência. Tarso Genro disse que a candidatura Dilma cresceu no vazio que se criou dentro PT, e tem razão. O próprio Tarso, em 1997, foi pré-candidato contra Lula. Imagine se hoje isso seria possível! Existe um problema de sobrevivência para o PT pós-Lula. O movimento mais forte do Brasil no século XX, o varguismo, esgotou-se quando Lula foi para o segundo turno em 1989, batendo Brizola e puxando o eleitorado trabalhista. O PT também pode se desarticular porque perdeu o debate interno. Em 2005, com o escândalo do mensalão, Raul Pont propôs uma refundação do partido e enfrentou [Ricardo] Berzoini nas eleições internas. Perdeu, depois sumiu. Ninguém mais ouve falar nele, nem se sabe o que ele pensa. A ausência de debate interno pode transformar o PT num partido amorfo, corroído pelo empreguismo e o clientelismo político.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: A política brasileira caminha para a fragmentação? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Alencastro:&lt;/em&gt; O que está acontecendo é a fagocitose das estratégias partidárias nacionais pela política estadual. É um efeito das reeleições nos Estados e nos municípios. Isso também coloca outros problemas. Seria necessário que os tribunais de contas estaduais e municipais fossem mais fortes, mais independentes - como o Tribunal de Contas da União - para escapar ao sobrepeso de um governador ou prefeito que é reeleito. As contas do Maluf, por exemplo, sempre foram aprovadas, e hoje ele está na lista vermelha da Interpol. Isso deveria levar a um questionamento maior no Brasil. Primeiro, nos partidos. Eles têm comissões de ética, mas abrigam eleitos acusados de diversos crimes. Depois, na imprensa, que deveria questionar tribunais de contas que aprovam o exercício de governadores e prefeitos delinquentes. Os editores deveriam pautar repórteres para recuperar os documentos, interrogar os membros desses tribunais. Como pode alguém ser perseguido pela Interpol, podendo ser preso em 181 países por causa disso, mas passar pelas regras da gestão pública brasileira?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Valor: A política externa brasileira tem recebido elogios no exterior, mas críticas pesadas no país. A que o sr. atribuiria essa disparidade? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Alencastro:&lt;/em&gt; Pela primeira vez, desde 1850, quando a marinha de guerra inglesa bloqueava a baía de Guanabara por causa do tráfico negreiro, a diplomacia brasileira entrou na agenda da campanha eleitoral nacional. Acho uma coisa muito boa. Durante a ditadura, política externa era um assunto secundário. Depois, com a internet, os jornais desistiram de ter sucursais e correspondentes no exterior. Ora, a política externa virou um assunto complexo, mas o Brasil não tem especialistas suficientes nos jornais ou nas universidades. A imprensa não segue política internacional de maneira adequada. Exige-se mais conhecimento específico dos jornalistas esportivos que de quem cobre o setor internacional. Há um quarteto de embaixadores aposentados que estão sempre na televisão, batendo em Celso Amorim e Lula. Repetem que a política externa é um desastre. Desastre? Os jornais americanos e europeus discordam. Nunca vi o Brasil com tanto prestígio. É até desproporcionado, dado o peso ínfimo do país no comércio internacional. Ao contrário da Índia e da China, potências atômicas com peso comercial enorme. Em maio, Lula vai ao Irã e está sendo criticado no Brasil. Já a "Economist" diz que é bom, porque abre novos canais de comunicação entre Estados Unidos e Irã. Nos últimos dias, a diplomacia brasileira usou com habilidade as regras da OMC e as manobras políticas para rebater o protecionismo americano na questão do comércio do algodão. Tenho certeza de que esse assunto, que começou em 2002 e ainda não terminou, ficará como um marco na história diplomática. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Por Diego Viana, para o Valor, de Paris09/04/2010.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Leia &lt;a href="http://www.valoronline.com.br/?impresso/cultura/92/6199579/a-politica-poslula&amp;amp;utm_source=newsletter&amp;amp;utm_medium=tarde_09042010&amp;amp;utm_campaign=informativo&amp;amp;scrollX=0&amp;amp;scrollY=0&amp;amp;tamFonte="&gt;&lt;em&gt;aqui&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; a entrevista completa.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-5265438551824971395?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/5265438551824971395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/entrevista-politica-pos-lula-segundo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/5265438551824971395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/5265438551824971395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/entrevista-politica-pos-lula-segundo.html' title='Entrevista: A política pós-Lula, segundo Luiz Felipe de Alencastro.'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S8fVhRwKSiI/AAAAAAAAAK4/AoHN92cynYM/s72-c/lu.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-4894437920473119742</id><published>2010-04-14T07:31:00.000-07:00</published><updated>2010-04-14T08:24:40.369-07:00</updated><title type='text'>Tempos sombrios: a ignorância vaticana.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S8XZvMPR_FI/AAAAAAAAAKw/yAYfWS-PbUQ/s1600/A_013br_CWReportMarch02.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5460009528018992210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 288px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S8XZvMPR_FI/AAAAAAAAAKw/yAYfWS-PbUQ/s400/A_013br_CWReportMarch02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se já não bastasse os recentes escândalos de pedofilia e o tratamento, como dizer, “misericordioso”, dado pelo Vaticano e o papa, os especuladores da vida eterna na figura do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcísio Bertone, numa conferência de imprensa em Santiago no Chile, passam agora, e sem nenhuma piedade, a violentar nossas inteligências com as ridículas e sombrias assertivas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"&lt;em&gt;Demonstraram muitos psicólogos, muitos psiquiatras, que não há relação entre celibato e pedofilia, &lt;strong&gt;mas muitos demonstraram - e disseram isso recentemente - que há uma relação entre homossexualidade e pedofilia&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;", afirmou Bertone .&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;De acordo com o “número dois” do Vaticano, a origem do problema nos casos de abusos sexuais envolvendo membros da igreja deve-se à homossexualidade e não ao celibato! Mas espere leitor, ainda há mais. Respire um pouco e segure as gargalhadas por um instante. Bertone finaliza sua fala com este acréscimo: "&lt;em&gt;Esta patologia toca todos os tipos de pessoas e os padres num grau menor, em termos percentuais&lt;/em&gt;". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que dizer diante dessas "pérolas" da estupidez? Perdoai, Senhor, eles não sabem o que falam!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,secretario-de-estado-do-vaticano-relaciona-pedofilia-a-homossexualidade,537643,0.htm"&gt;http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,secretario-de-estado-do-vaticano-relaciona-pedofilia-a-homossexualidade,537643,0.htm&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-4894437920473119742?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/4894437920473119742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/tempos-sombrios-ignorancia-vaticana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4894437920473119742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/4894437920473119742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/tempos-sombrios-ignorancia-vaticana.html' title='Tempos sombrios: a ignorância vaticana.'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S8XZvMPR_FI/AAAAAAAAAKw/yAYfWS-PbUQ/s72-c/A_013br_CWReportMarch02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-8487628058727572468</id><published>2010-04-10T05:54:00.000-07:00</published><updated>2010-04-10T06:21:53.998-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eleições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luiz Werneck Vianna'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><title type='text'>"O fim da história do Brasil ou um novo começo para ela.".</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S8B6YliFQEI/AAAAAAAAAKo/uHRdv5U_FwQ/s1600/V1CA3BP6UACAWR8G5HCAOTU5SFCAUOQ2NBCAO86KSLCADT2TQCCATGTPVPCAO741T4CA3ECNMDCAEJN9BHCAW37V96CAMV4YNDCAIERD3WCAGKOQIWCA6VNV2WCAFEE20ECAMIPADWCA20ZYLO.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 70px; FLOAT: left; HEIGHT: 128px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5458497311183552578" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S8B6YliFQEI/AAAAAAAAAKo/uHRdv5U_FwQ/s400/V1CA3BP6UACAWR8G5HCAOTU5SFCAUOQ2NBCAO86KSLCADT2TQCCATGTPVPCAO741T4CA3ECNMDCAEJN9BHCAW37V96CAMV4YNDCAIERD3WCAGKOQIWCA6VNV2WCAFEE20ECAMIPADWCA20ZYLO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Leia abaixo o artigo do Werneck Vianna, publicado no excelente site Gramsci e o Brasil, sobre a disputa presidencial que se avizinha. O artigo, como de costume, traz algumas cautelas necessárias e uma tanto quanto desencantadoras para os mais entusiasmados. Embora, a meu ver, Werneck Vianna negligencie alguns pontos importantes em sua análise sobre o PT, o posicionamento assumido pelo pesquisador coloca em suspeição o comodismo político presente naqueles que acreditam que, finalmente, o Brasil encontrou a "fórmula do sucesso". Nesse sentido, suas ressalvas abrem o entendimento para novas direções. Aproveitem!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sucessão presidencial já está na linha do horizonte. Na superfície dos fatos, nenhuma indicação de que ela venha apontar para contrastes duros nos programas das candidaturas envolvidas na disputa, nem sinalizar para mudanças relevantes nos rumos da política. Afinal, o País conhece nestes quase 16 anos de governos paulistas do PSDB e do PT uma forte linha de continuidade em termos de política macroeconômica e de políticas sociais, e, entre as candidaturas concorrentes, duas delas, as mais credenciadas eleitoralmente, têm sua origem nesses partidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A continuidade na condução dessas políticas passou pelo teste severo da grande crise internacional, que abalou mercados e a própria economia capitalista, suportada pelo País sem maiores traumas. Passada a crise, consagrou-se, com razão, o diagnóstico de que seus piores efeitos teriam sido evitados graças aos “sólidos fundamentos da nossa economia” e do que seria o padrão de excelência vigente na regulação do nosso sistema financeiro, frutos, sem dúvida, de uma obra comum do PSDB e do PT, formatada e aperfeiçoada no curso dos seus governos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para essa impressão concorre também o estilo das duas principais candidaturas, Dilma Rousseff e José Serra, quadros com perfil forjado nas altas tarefas da administração pública, mais do que nos debates político-ideológicos. Nada surpreendente, portanto, que venham a ser, em boa medida, fiéis a esse estilo em suas campanhas eleitorais, impróprio, por sua natureza, às paixões. Vale dizer, nessa sucessão não se terá nem Jânio, nem Collor, nem Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De modo mais geral, essa expectativa de uma disputa eleitoral destituída de agonística se alimenta, sobretudo, da difusa percepção de que os êxitos recentes na expansão do capitalismo brasileiro estariam a significar que a História do País, afinal, encontrou uma solução feliz. As conquistas econômicas e sociais teriam serenado o campo da política, cujas controvérsias girariam em torno de temas da administração e da gestão da coisa pública. Caberia, agora, escolher entre os candidatos o mais preparado para continuar o script consagrado no sentido do seu aprofundamento e, uma vez que o País já se acharia com suas instituições estabilizadas e assentado o seu caminho futuro, lançar-se na aventura da sua imposição no cenário internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marca forte desse script estaria no reconhecimento de que a tarefa imediata imposta pelas circunstâncias seria a de completar a longa revolução burguesa no País, cuja mais forte indicação estaria na penetração do moderno capitalismo no mundo agrário, sede tradicional dos protestos sociais mais virulentos, de caráter moderno ou não, contra o sistema da ordem da propriedade. O sucesso econômico do agronegócio, sua elevação à arena política constituída, em particular, no Norte e no Centro-Oeste do País, sua presença no governo — federal e de Estados — teriam removido de vez as tensões que antes ameaçavam o campo, como nos idos de 1960, com o fantasma da revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob essa nova marcação da conjuntura, em que o tema agrário teria sido deslocado da sua antiga centralidade nos conflitos de classes no País, os trabalhadores urbanos estariam circunscritos a uma agenda de reformas, personagens plenos do moderno, restando incorporar ao sistema da ordem, por meio de políticas públicas, as grandes massas sujeitas, no campo e nas cidades, a trabalhos precários e intermitentes e a uma vida sem direitos. Posto nessa plataforma segura, caberia ao capitalismo brasileiro reestruturar-se, sob a liderança do Estado e de suas agências, num processo audacioso de concentração e de centralização de capitais, transitando para uma forma superior de organização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No governo Lula, o impulso nessa direção foi intensificado, instituindo-se numa estratégia definida, principalmente, a partir da crise financeira mundial de 2008. Vencido seu teste de resistência sob condições extremas, o que era apenas um esboço, ainda um experimento de ensaio e erro, uma estratégia ainda inominada, ganha corpo e alma. O que vinha sendo uma navegação numa linha quase reta, na rota traçada pelos governos do PSDB e do PT, mudou o seu sentido e já percorre outro caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa reorientação, fixa-se para o capitalismo brasileiro o objetivo de transbordar suas fronteiras nacionais, num esforço conjunto do Estado e das grandes empresas de capital nacional, na tentativa de exercer uma vocação conquistadora de tipo grão-burguês. Outra característica está na abertura do repertório da tradição brasileira de Vargas a Geisel, recuperando a fórmula do nacional-desenvolvimentismo como via de uma modernização conduzida “por cima”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa operação, o Estado traz a sociedade para dentro de si, convertendo-se num “parlamento” onde se tomam as decisões a serem legitimadas por um Poder Legislativo enredado, por meio das práticas do chamado presidencialismo de coalizão, ao Executivo. Tal estratégia, audaciosa em seus fins, é conservadora quanto a seus meios: ela não procura a mobilização dos seres subalternos, salvo quando sob seu estrito controle, e se limita a procurar soluções institucionais, conceitos e motivações ideais no baú dos ossos da tradição autoritária brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, ela é enérgica e criativa, quando se trata de perseguir os seus fins de uma ordem grão-burguesa, e passadista e conformista na política, como na sua patética mimetização do Estado Novo e da ressurgência que promove, em nome da realização de fins “substantivos” de justiça, da “democracia social”. Vista dessa perspectiva crítica, que recusa à nossa História o papel de prisioneiro passivo das fabulações que nos vêm do seu passado autoritário, a presente sucessão presidencial, longe do quietismo que tantos auguram para ela, pode datar um promissor recomeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Werneck Vianna é professor-pesquisador do Iuperj, ex-presidente da Anpocs e membro do Departamento de Pesquisa Judiciária do Conselho Nacional de Justiça. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-8487628058727572468?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/8487628058727572468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/o-fim-da-historia-do-brasil-ou-um-novo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/8487628058727572468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/8487628058727572468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/o-fim-da-historia-do-brasil-ou-um-novo.html' title='&quot;O fim da história do Brasil ou um novo começo para ela.&quot;.'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S8B6YliFQEI/AAAAAAAAAKo/uHRdv5U_FwQ/s72-c/V1CA3BP6UACAWR8G5HCAOTU5SFCAUOQ2NBCAO86KSLCADT2TQCCATGTPVPCAO741T4CA3ECNMDCAEJN9BHCAW37V96CAMV4YNDCAIERD3WCAGKOQIWCA6VNV2WCAFEE20ECAMIPADWCA20ZYLO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-959708234401871077</id><published>2010-04-09T09:33:00.000-07:00</published><updated>2010-04-14T19:56:11.527-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bildungsroman'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estética da existência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Goethe'/><title type='text'>De um gênio para outro: Goethe sobre Shakespeare</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S79XM4hlGII/AAAAAAAAAKg/h5YWK5xHEVA/s1600/Der_junge_Goethe,_gemalt_von_Angelica_Kauffmann_1787.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5458177152239605890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 264px; CURSOR: hand; HEIGHT: 401px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S79XM4hlGII/AAAAAAAAAKg/h5YWK5xHEVA/s400/Der_junge_Goethe,_gemalt_von_Angelica_Kauffmann_1787.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não me lembro de nenhum outro livro, ser humano, nem de qualquer acontecimento da vida que tanta impressão me tenha causado quanto essas peças magníficas (...). Parecem obra de um gênio celestial, que se aproxima dos homens para lhes dar a conhecer a si mesmos da maneira mais natural. Não são composições poéticas! Acreditamos encontrar-nos diante dos colossais livros do destino em que, uma vez abertos, sibila o vento impetuoso da mais agitada vida, e com uma rapidez e violência vai virando suas páginas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Johann Wolfgang von Goethe. Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister. São Paulo: Ed. 34, 2006. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis aí um livro que, juntamente com &lt;em&gt;Cartas a um jovem poeta&lt;/em&gt; de Rainer Maria Rilke, devemos sempre ler aos vinte anos. Ouso mais: existem livros que deveriam ser tratados como ritos de passagem obrigatórios à vida adulta. &lt;em&gt;Os anos de aprendizagem de Wilhelm Meister&lt;/em&gt; de Goethe é um desses livros que golpeiam a alma e o entendimento, de tal forma que resulta difícil distinguir um do outro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como na maior parte dos “romances de formação” alemãs (Bildungsroman), o tema orbita pelas questões de como se tornar aquilo que se é: qual o sentido de nossa vida, a que ideal ou a quem dedicá-la, como exprimir nossa individualidade, isto é, nossas habilidades e virtudes com o máximo de força e estilo, como dá forma a este “espetáculo cheio de som e fúria” que é a vida ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarefa árdua que passa, necessariamente, pela experiência do ser no mundo. Portanto, que tem a ver com colocar-se à prova segundo o compasso da vida e seu devir; os erros, desacertos, desvios, escolhas. Para aprender/descobrir o que somos é necessário mais do que apoderar-se, com violência e tenacidade, de si mesmo, converter este “si” ao mesmo tempo em sujeito e objeto de criação e cultivo, de um processo de formação que é conduzido em termos de experimentação com a exterioridade da vida - os acontecimentos, pessoas, circunstâncias e relações que compõem este acidente que é a vida de cada um nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Delineia-se no livro uma “quase pedagogia”, ou melhor, no dizer de Michel Foucault, uma estética da existência, que trata mais de como criar relações com nós mesmos – nossas forças, habilidades, virtudes e demônios - e com a vida – com os valores, relações e funções concernentes aos espaços nos quais estamos inseridos -, do que de um voltar-se para si, para dentro, uma pedagogia da escavação que busca o resíduo sobre o qual supostamente repousaria a verdade do que somos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-959708234401871077?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/959708234401871077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/de-um-genio-para-outro-goethe-sobre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/959708234401871077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/959708234401871077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/de-um-genio-para-outro-goethe-sobre.html' title='De um gênio para outro: Goethe sobre Shakespeare'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S79XM4hlGII/AAAAAAAAAKg/h5YWK5xHEVA/s72-c/Der_junge_Goethe,_gemalt_von_Angelica_Kauffmann_1787.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-7417978021967283359</id><published>2010-04-03T20:24:00.000-07:00</published><updated>2010-04-04T08:29:15.919-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política Internacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Identidades'/><title type='text'>Universal e particular: o que fazer com as burcas?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7iqp6lToHI/AAAAAAAAAKA/w8622Eg2hOs/s1600/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456298585636446322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 321px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7iqp6lToHI/AAAAAAAAAKA/w8622Eg2hOs/s400/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo agora para alguns breves comentários acerca do debate sobre a proibição ou não proibição da burca, tema da reportagem expressa no último post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os “outros” adentram em nossas fronteiras eles trazem inscritos em seus corpos e gestos as marcas de suas terras e sociedades. Carregam-na, mesmo a contragosto, para dentro de nosso mundo, e a exposição crua das diferenças que adentraram chacoalham nossas pressuposições. Um problema está claramente posto: o que fazer com essas diferenças? Tratá-las com reconhecimento na medida em que estão em consonância com nossos valores e normas e com repressão na medida em que afrontam/diferem destes últimos? Então é isto: devemos alçar nossa sociedade e desenho normativo como a medida de todas as coisas? Uma resposta etnocêntrica não está à altura do problema, pois repousa na própria normatividade das sociedades ocidentais modernas uma pretensão à universalidade e cosmopolitismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma atitude etnocêntrica é uma resposta particularista, portanto que contradiz a própria normatividade e identidade moderna. Então o problema passa a ser outro: como reconhecer/respeitar as especificidades dos de “fora”, dos “estrangeiros”, sem que isto implique na desagregação de nossas pressuposições normativas – laicidade, universalidade, isonomia, etc.? Ou, como preservar os princípios normativos abstratos modernos – cidadania, igualdade – sem que isto signifique subsumir ou negligenciar desigualdades/diferenças concretas? O que está em tensão é evidente: o conflito entre universal e particular, como conciliá-los?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questões complicadas como pode perceber o leitor. Notadamente, como compreendeu Cadu, em seu comentário à reportagem referente ao debate sobre a burca, a Bélgica, e a também a França acompanhada por outros países da Europa ocidental, optou por uma política da universalidade, baseada na igualdade de todos os seres humanos em torno de certos princípios gerais e universalmente válidos, e que somente reconhece/tolera/permite determinadas diferenças e práticas culturais na medida em que estas estão em harmonia com aqueles princípios universalmente válidos e estendidos a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, mais do que constatar a tensão entre universal e particular, é preciso perguntar o que anima e quem reivindica o manejamento de princípios universalistas como elementos de justificação à proibição do uso da burca em espaços públicos. Republicanismo ou islamofobia? Defesa de ideais democráticos e emancipadores ou medida populista para abocanhar votos nos extensos setores xenófobos e direitistas dos países europeus? A meu ver, a fronteira entre um e outro não é tão clara e definida. Além do mais, na Europa, o tema das burcas ou hijabs goza de uma atratividade político-midiática bastante forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa atitude do governo belga em insistir na proibição do uso em espaços públicos da burca denota a seguinte postura em relação às diferenças: “somente os aceitamos se vocês se tornarem, no espaço público – no espaço da circulação e exposição das diferenças e também o espaço das decisões – os mais próximos e iguais possíveis de nós”. Ou seja, a assimilação/reconhecimento somente se dá em função da aceitação/submissão pelos “estrangeiros” dos valores universais reguladores, que são, na verdade, valores europeus. Fora da norma e das fronteiras européias, os “estrangeiros”, as “mulheres de burca” continuam sendo “outros”. Estes só se tornam “iguais”, humanos em igualdade de direitos e dignidade, no espaço sancionado pela norma européia, ou melhor, mediante sua submissão a esta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro ponto recorrente na discussão sobre as burcas é a necessidade da emancipação das mulheres mulçumanas. De fato, a meu ver, a burca é um instrumento de sujeição, de controle do corpo feminino, ainda que brinde identidade, reconhecimento, pertencimento e beleza para algumas. Há aquelas, mulçumanas, que vêem na burca simultaneamente um prêmio, uma prova de obediência e uma forma de proteção de sua honra e modéstia, blindada do desejo masculino. Mas há também mulheres mulçumanas que encaram sua obrigatoriedade como imposição masculina, restrição, controle e disciplinamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, se de fato o que interessa e move esse debate é a emancipação das mulheres, por que não se ver a mesma energia e dedicação política por parte dos interessados para equalização salarial entre homens e mulheres, ou sobre os efeitos nocivos das políticas de família estigmatizantes das mulheres/mães pobres, ou o abuso da publicidade na representação do corpo feminino que o reduz a um mero objeto? Quem é mais emancipada uma mulher mulçumana que trabalha, estuda e sustenta uma família ou as francesas “bon chic” a bater perna pela Champs-Élysées?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o manto republicano da universalidade e emancipação existe muito de unilateralismo e dominação velados. Negar o acesso ao espaço público por razões de vestimentas ou religiosas me parece mais anti-republicano do que o uso das burcas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu ver, políticas de controle e proibição, tais quais as expressas na reportagem, não enfrentam a principal questão, pois não há aprendizado, diálogo, enriquecimento mútuo, trocas e produção de reciprocidades de sentidos culturais através da confrontação de idéias, percepções e hábitos distintos. O conflito intercultural, o lidar com a diferença que perturba e chacoalha nossas pressuposições – e as dos outros também - e que as fazem se mostrar como aquilo que de fato são, isto é, como pontos de vistas particulares e provisórios, é deixado inteiramente de lado, suprimido em nome da segurança e reprodução de um modelo integrador e assimilacionista ilusoriamente universalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão a se enfrentar é: uma vez que vivemos num mundo globalizado onde o contato com as diferenças é inevitável, como produzir sentidos emancipadores mútuos através do conflito/diálogo intercultural mediante o qual as identidades, ou melhor, as identificações, valores e práticas culturais possam ser tratadas como realidades abertas, construídas e re-construídas historicamente, segundo a experiência sócio-política dos sujeitos? Um diálogo/conflito intercultural que não dispense um horizonte de pretensões universalistas de direitos – à dignidade, à igualdade e à liberdade, por exemplo -, mas que o inscreva no interior do movimento das discussões em torno das práticas e identificações culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se interpele as mulheres mulçumanas com as seguintes questões: “por que somente às mulheres é colocado a obrigatoriedade de cobrir quase por completo o corpo?” “Quem decidiu e instituiu essa prática? Homens e mulheres em discussão? Ou somente os homens?” “Qual é o poder de decisão e interferência das mulheres nos assuntos religiosos?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura não é uma negociação de sentidos, como pensa o antropólogo americano Clifford Geertz, operada a partir de um consenso sobre as interpretações, mas sim, como pensam Nietzsche, Foucault e Bourdieu, o produto tenso e mais ou menos duradouro de um processo de imposição de sentidos arbitrários e apropriação de significados obtidos, impostos e conservados graças à diferença de força e relações de hegemonia e dominação específicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande dificuldade desse possível diálogo intercultural reside na mediação institucional, como formatá-lo institucionalmente. De todo modo, creio ser mais proveitoso políticas que ensejem uma crítica de mão dupla na tentativa de proporcionar um maior distanciamento e estranhamento aos indivíduos em relação à sua própria cultura e sociedade, discutindo as relações de poder e de hegemonia constituintes das identificações e práticas em questão, inclusive dessas políticas e do próprio diálogo/conflito intercultural – a desigualdade de capitais culturais e econômicos, a linguagem, gênero, etc.. A meta dessas políticas deve ser sempre a produção de efeitos de hibridização e complexificação recíprocos e potencialmente “mais democráticos” para os envolvidos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-7417978021967283359?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/7417978021967283359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/universal-e-particular-o-que-fazer.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7417978021967283359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/7417978021967283359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/universal-e-particular-o-que-fazer.html' title='Universal e particular: o que fazer com as burcas?'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7iqp6lToHI/AAAAAAAAAKA/w8622Eg2hOs/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-3027156180353678703</id><published>2010-04-03T13:57:00.000-07:00</published><updated>2010-04-03T20:39:51.680-07:00</updated><title type='text'>Opinião: Não faz sentido proibir a burca.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7evrWVkhsI/AAAAAAAAAJg/bVypj25VCSI/s1600/OgAAAF2XAfc4PqsLxSbrKuc_uAAPuOfIoGxgXUOdQ2qJyKTUrEBp8P74uhi1LwySRH-lTPZDs0OOumExIJT_NYO2kfYAm1T1UAoZwnRRh_QHAuzTyYsrVEQo6wn9.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456022632847935170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 195px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7evrWVkhsI/AAAAAAAAAJg/bVypj25VCSI/s400/OgAAAF2XAfc4PqsLxSbrKuc_uAAPuOfIoGxgXUOdQ2qJyKTUrEBp8P74uhi1LwySRH-lTPZDs0OOumExIJT_NYO2kfYAm1T1UAoZwnRRh_QHAuzTyYsrVEQo6wn9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Leia abaixo a reportagem do DER SPIEGEL sobre a polêmica Burca. Mais tarde, volto ao tema para tecer alguns comentários.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A Bélgica provavelmente proibirá as mulheres de vestirem a burca ou o niqab em público neste mês. Apesar da oposição ao véu islâmico ser compreensível nas sociedades democráticas ocidentais, proibi-lo não resolverá os problemas fundamentais de integração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Islã é basicamente aquilo em que os muçulmanos acreditam. Alguns acreditam que sua fé é perfeitamente compatível com cerveja. Outros acreditam que a única roupa adequada para uma mulher é a burca. A maioria dos muçulmanos se enquadra em um ponto intermediário entre esses dois extremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se essas convicções religiosas se transformam em um problema depende do contexto social. No Afeganistão, a cerveja é um problema, mas a burca não. Na Bélgica, é o oposto. Há no momento uma ampla coalizão na Bélgica, incluindo verdes, liberais, democratas-cristãos, socialistas e a extrema direita, que quer impor uma proibição legal ao uso da burca e do véu que cobre o rosto chamado de niqab. Essa proibição seria aplicada por meio de multas ou até mesmo pena de prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma proibição semelhante foi proposta na França e não causaria surpresa se o debate da burca logo se estendesse a outros países europeus, incluindo a Alemanha. E isso apesar de pouquíssimas mulheres que vivem no Ocidente usarem de fato a burca ou o niqab.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Impedindo a integração&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma das ideias fundamentais da modernidade ocidental é o de que o mundo seria um lugar melhor se os países fossem mais parecidos com a Bélgica e menos como o Afeganistão. Homens e mulheres deveriam ser iguais, ninguém deveria ser excluído ou se sentir excluído, a religião deveria ser um assunto em grande parte privado. E os parlamentares belgas obviamente sentem que a burca e o niqab violam esses princípios fundamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é compreensível. Segundo esses padrões, a prática de tornar as mulheres –e nunca os homens– irreconhecíveis em público é uma provocação. E frequentemente há a suspeita de que algumas dessas mulheres são forçadas a vestir essas coberturas. Também pode ser presumido que as crianças nessas famílias não estão sendo criadas com ideias particularmente emancipadoras. Há certamente pouca dúvida de que esses véus atrapalham a integração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, não faz sentido proibir a burca e o niqab. Essa proibição seria simplesmente atacar um sintoma, ignorando o problema real. Em questão não está o véu que cobre a cabeça, mas aquele que está dentro da cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para qualquer mulher que é forçada a vestir a burca, uma proibição apenas asseguraria que ela não mais seria autorizada a sair de casa. Ninguém está seriamente sugerindo que ela teria um efeito instrutivo ou esclarecedor sobre o marido. E é arriscado especular que ela se sentiria apoiada por esta declaração legislativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Proibições não derrubam barreiras&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Certamente é verdadeiro que as burcas parecem deslocadas na Europa. Afinal, a Europa representa a ideia de uma sociedade democrática, dinâmica e aberta. Quando parte da sociedade se remove (ou é removida) desses ideais, então isso é um problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, proibições não tornam esses ideais mais claros ou mais palatáveis, não encorajam a participação e não derrubam barreiras. Elas fazem sentido quando envolvem ações concretas, como mutilação genital de meninas ou incitação à violência, nenhum dos quais são problemas exclusivamente muçulmanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que gostariam de ver a burca e o niqab desaparecerem das ruas da Europa, entretanto, precisam procurar por outras soluções. A integração em uma sociedade aberta só pode ocorrer por meio de contato e troca. A frequência compulsória de crianças nas pré-escolas faria muito mais sentido, combinada com a obrigação por parte de ambos os pais de estarem presentes nos encontros de pais e mestres. E é melhor ir vestindo uma burca do que não ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vantagem de propostas como estas é que não visam apenas as mulheres, nem apenas as famílias nas quais a mulher veste uma burca. Nem toda mulher vestindo uma burca ou um niqab se sente oprimida. E a prisão em que muitas mulheres muçulmanas sem dúvida vivem também pode ser invisível. Ela não é feita de tecido, mas de ideias. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Tradução: George El Khouri Andolfato &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Retirado: &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2010/04/03/opiniao-nao-faz-sentido-proibir-a-burca.jhtm"&gt;http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2010/04/03/opiniao-nao-faz-sentido-proibir-a-burca.jhtm&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-3027156180353678703?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/3027156180353678703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/opiniao-nao-faz-sentido-proibir-burca.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3027156180353678703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/3027156180353678703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/04/opiniao-nao-faz-sentido-proibir-burca.html' title='Opinião: Não faz sentido proibir a burca.'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7evrWVkhsI/AAAAAAAAAJg/bVypj25VCSI/s72-c/OgAAAF2XAfc4PqsLxSbrKuc_uAAPuOfIoGxgXUOdQ2qJyKTUrEBp8P74uhi1LwySRH-lTPZDs0OOumExIJT_NYO2kfYAm1T1UAoZwnRRh_QHAuzTyYsrVEQo6wn9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-6556065444331358971</id><published>2010-03-31T20:06:00.000-07:00</published><updated>2010-03-31T20:12:27.130-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ressentimento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Banalidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><title type='text'>Vitória do ressentimento.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7QPELI7EbI/AAAAAAAAAJY/vuMOrj-eVAE/s1600/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455001613036622258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 321px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7QPELI7EbI/AAAAAAAAAJY/vuMOrj-eVAE/s400/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma pequena insatisfação circula pelos círculos semi-ilustrados do país. Apesar do desprezo que muitos dizem sentir pelo programa &lt;em&gt;Big Brother Brasil&lt;/em&gt;, a vitória do participante Dourado foi recebida com algum pesar e revolta. Os mais exaltados exclamam desconsolados: “Foi uma vitória do preconceito, do machismo”; “Eis a demonstração nua e crua da ignorância do brasileiro e de sua aversão pela diversidade”. Certamente o leitor em algum momento deve ter ouvido frases desse tipo. O mais engraçado é ouvi-las da boca daqueles que até então ostentavam um desdém aristocrático, e que agora, a julgar por sua revolta e insatisfação, parecem atribuir ao programa uma relevância surpreendente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá do meu canto, não vejo derrota de nada, nem prova de aversão alguma. Vejo apenas ressentimento. A meu ver, a vitória de Dourado, sua popularidade instantânea, se deve ao ressentimento de uma parcela dos heterossexuais em relação à visibilidade política e publicitária que os gays conquistaram nos últimos anos. Uma reação. O patético é constatar que essa reação se encarnou no clichê da masculinidade, isto é, o que esta tem de mais estúpido, pobre e rude: a virilidade tosca e deseducada dos arrotos e das cusparadas, o ar hostil e ameaçador dos murros e pontapés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clichê, isto é, a imagem ou a representação simplificada e homogeneizante de algo, serve para fazer com que percebamos somente aquilo que nos interessa. Ou seja, aquilo que se alinha com nossas expectativas e exigências psicológicas, segundo os interesses – reativos - em questão. Não importa a ignorância, a asneira, os preconceitos, a inteligência rala; no clichê somente se ver o que une, o que congrega, o comum, portanto, os elementos homogeneizantes, e não o que complexifica e problematiza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O êxito do &lt;em&gt;brother&lt;/em&gt; Dourado é, na verdade, a reação ressentida de segmentos que, de uns anos pra cá, viram-se confrontados com uma diferença que deixou o armário e o silêncio para a algazarra das ruas, dos filmes e programas de televisão. Uma diferença que foi paulatinamente recoberta com direitos e mecanismos de defesa e proteção pelo Estado, assegurando seu direito à visibilidade e dignidade, e que, também, ganhou um lugar de reconhecimento, cada vez mais expressivo, no mercado e no âmbito da cultura pop e do entretenimento. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alyson Thiago F. Freire&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-6556065444331358971?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/6556065444331358971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/03/vitoria-do-ressentimento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/6556065444331358971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/6556065444331358971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/03/vitoria-do-ressentimento.html' title='Vitória do ressentimento.'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7QPELI7EbI/AAAAAAAAAJY/vuMOrj-eVAE/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-6318510945442765870</id><published>2010-03-30T10:03:00.001-07:00</published><updated>2010-03-30T10:11:53.434-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fascismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Choque'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Serra'/><title type='text'>Eis o "choque de gestão" do Serra em SP:</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7Iwo95O4BI/AAAAAAAAAJQ/PJkU4-35xDM/s1600/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454475579066605586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 291px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7Iwo95O4BI/AAAAAAAAAJQ/PJkU4-35xDM/s400/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7IvfkRl11I/AAAAAAAAAJI/ZuqN3myjPOo/s1600/OgAAAF2XAfc4PqsLxSbrKuc_uAAPuOfIoGxgXUOdQ2qJyKTUrEBp8P74uhi1LwySRH-lTPZDs0OOumExIJT_NYO2kfYAm1T1UAoZwnRRh_QHAuzTyYsrVEQo6wn9.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454474318059001682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7IvfkRl11I/AAAAAAAAAJI/ZuqN3myjPOo/s400/OgAAAF2XAfc4PqsLxSbrKuc_uAAPuOfIoGxgXUOdQ2qJyKTUrEBp8P74uhi1LwySRH-lTPZDs0OOumExIJT_NYO2kfYAm1T1UAoZwnRRh_QHAuzTyYsrVEQo6wn9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7IvVmLUxUI/AAAAAAAAAJA/rdfKTM4AzXA/s1600/serr.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454474146770896194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7IvVmLUxUI/AAAAAAAAAJA/rdfKTM4AzXA/s400/serr.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7IvHYFMzsI/AAAAAAAAAI4/rAuXLcftqYg/s1600/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454473902468943554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 268px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7IvHYFMzsI/AAAAAAAAAI4/rAuXLcftqYg/s400/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-6318510945442765870?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/6318510945442765870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/03/eis-o-choque-de-gestao-do-serra-em-sp.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/6318510945442765870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/6318510945442765870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/03/eis-o-choque-de-gestao-do-serra-em-sp.html' title='Eis o &quot;choque de gestão&quot; do Serra em SP:'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S7Iwo95O4BI/AAAAAAAAAJQ/PJkU4-35xDM/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-8853708481313026678</id><published>2010-03-26T18:29:00.000-07:00</published><updated>2010-03-27T04:46:09.877-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ideologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zizek'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Boinas Verdes com rostos humanos. Artigo de Slavoj Zizek.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S61uFt6t5jI/AAAAAAAAAIw/kyV2wRO5Fe4/s1600/Zizek+II.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; FLOAT: left; HEIGHT: 90px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453135768319813170" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S61uFt6t5jI/AAAAAAAAAIw/kyV2wRO5Fe4/s400/Zizek+II.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Em artigo para o jornal El País, 24-03-2010, o polemista esloveno Slavoj Zizek dirige sua afiada verve contra o filme ganhador do Oscar, "Guerra ao terror". No artigo, Zizek discorre sobre como o filme ao valer-se da "humanização do soldado" projeta uma perspectiva que desvia e encoberta a questão chave - o que exercito americano faz no Iraque? Qual a razão real dessa guerra e ocupação? Quais os interesses político-econômicos em jogo? - em favor de um ângulo de visão que faça ver o exército e o seus integrantes como pessoas comuns, cujo sacrifício e desgastes emocionais, traumas, angústias e riscos inerentes à severidade da tarefa militar são realizados, apesar do desconhecimento geral sobre tais, em favor de nossa tranquilidade, paz e segurança. Confiram abaixo esses e outros ardis da ideologia na sempre prazerosa letra de Zizek.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Eis o texto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando "Guerra ao terror", de Kathryn Bigelow, conquistou os principais Oscars frente a "Avatar" de James Cameron, essa vitória foi percebida como um bom sinal do estado das coisas em Hollywood: uma modesta produção pensada para festivais do tipo Sundance e que, em muitos países, nem sequer havia obtido uma grande distribuição, supera claramente uma superprodução cuja brilhantez técnica não pode dissimular a plana simplicidade de seu roteiro. Então Hollywood não é só uma fábrica de grandes sucessos de bilheteria, mas também sabe apreciar esforços criativos marginais?É possível, embora seria preciso matizar: com todas as suas mistificações, "Avatar" claramente toma partido pelos que se opõem ao complexo industrial-militar mundial, retratando o Exército da superpotência como uma força de destruição brutal ao serviço de grandes interesses industriais, enquanto "Guerra ao terror" apresenta o Exército norte-americano de um modo plenamente de acordo com sua própria imagem pública neste nosso tempo de intervenções humanitárias e de pacifismo militarista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme ignora quase por completo o grande debate sobre a intervenção dos Estados Unidos no Iraque e, em lugar disso, centra-se nas terríveis experiências diárias, de serviço e fora dele, de soldados comuns obrigados a conviver com o perigo e a destruição. Com um estilo pseudo-documental, conta a história – ou melhor, uma série de pequenas histórias – de um esquadrão antibombas, de seu trabalho potencialmente mortal na desativação de explosivos.Essa opção é sumamente sintomática: apesar de serem soldados, eles não matam, mas arriscam diariamente suas vidas desmantelando bombas terroristas destinadas a matar civis. Pode haver algo que simpatize mais os nossos olhos progressistas? Na Guerra contra o Terror em curso, nossos exércitos não estão, inclusive quando bombardeiam e destroem, e não só essas unidades antibombas, desativando pacientemente as redes terroristas com o fim de tornar mais seguras as vidas de civis em todos os lugares? Mas há mais no filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Guerra ao terror" incorpora a Hollywood uma moda que também contribuiu para o êxito de dois filmes israelenses recentes sobre a guerra do Líbano de 1982, o documentário animado de Ari Folman, "Valsa com Bashir", e "Líbano", de Samuel Maoz."Líbano" versa sobre as próprias recordações de Maoz como jovem soldado, mostrando o medo da guerra e a claustrofobia mediante a filmagem da maior parte da ação a partir do interior de um tanque. O filme nos apresenta quatro soldados inexperientes dentro de um tanque, enviados a "limpar" uma cidade libanesa que já foi bombardeada pela força aérea israelense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevistado no Festival de Veneza de 2009, Yoav Donat, o ator que interpreta o diretor quando este era soldado um quarto de século antes, disse: "Não é um filme que lhe faz pensar 'só estou em um filme'. É um filme que faz com que você sinta que esteve na guerra". De uma forma parecida, "Valsa com Bashir" mostra os horrores do conflito de 1982 a partir do ponto de vista de soldados israelenses.Maoz disse que seu filme não era uma condenação às políticas de Israel, mas sim uma versão pessoal da experiência pela qual ele havia passado: "Cometi o erro de chamar o filme de 'Líbano', já que a guerra do Líbano não é diferente em sua essência que qualquer outra guerra, e pensei que qualquer tentativa de politizá-la estragaria o filme".Isso é ideologia em seu estado mais puro: o fato de reviver a traumática experiência do perpetrador nos capacita para apagar o pano de fundo ético-político do conflito: o que o Exército israelense estava fazendo no interior do Líbano etc. Tal humanização serve, assim, para jogar uma cortina de fumaça sobre a questão fundamental: a necessidade de uma análise política implacável do que está em jogo como consequência da nossa atividade político-militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossas lutas político-militares não são precisamente uma história opaca que desbarata bruscamente nossa vida íntima, são algo em que participamos plenamente.De um modo mais geral, essa humanização do soldado (na direção da proverbial crença "errar é humano") é um elemento chave da (auto) apresentação das forças armadas israelenses: os meios de comunicação israelenses gostam de reforçar as imperfeições e os traumas psíquicos dos soldados israelenses, não os apresentando nem como máquinas militares perfeitas, nem como heróis sobre-humanos, mas sim coo pessoas comuns que, agarradas pelos traumas da História e da guerra, comete erros e pode se perder, como todo mundo.Por exemplo, em janeiro de 2003, quando as forças armadas israelenses demoliram a casa da família de um suposto "terrorista", fizeram isso com acusada amabilidade, inclusive até o ponto de ajudar a família a transportar os móveis para fora antes de destruir a casa com uma retroescavadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na imprensa israelense, informou-se pouco tempo antes sobre um episódio semelhante: quando um soldado israelense estava inspecionando uma casa palestina em busca de suspeitos, a mãe da família chamou sua filha pelo seu nome a fim de tranquilizá-la, e o soldado, surpreso, soube então que o nome da aterrorizada menina era o mesmo da sua própria filha: em um arrebatamento sentimental, tirou sua carteira e mostrou sua foto à mãe palestina.É fácil perceber a falsidade desse gesto de empatia: a ideia de que, apesar das diferenças políticas, todos somos seres humanos com os mesmos amores e preocupações, neutraliza o impacto daquilo que o soldado está efetivamente fazendo nesse momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a única resposta apropriada da mãe deveria ser: "Se realmente você é tão humano como eu, por que está fazendo o que está fazendo agora?". O soldado então só pode se amparar em um dever objetivado: "Não gosto de fazer isso, mas 'é' meu dever..." – evitando assim assumir esse dever de forma subjetiva.A mensagem dessa humanização é pôr de manifesto a brecha entre a complexa realidade da pessoa e o papel que esta tem que desempenhar contra sua verdadeira natureza. "Em minha família, a genética não é militar", como diz um dos soldados entrevistados em "Tsahal", de Claude Lanzmann, surpreso por se ver como oficial de carreira. E isso nos faz voltar a "Guerra ao terror": sua descrição do horror diário e do traumático impacto do serviço em uma zona de guerra parece situá-la a milhas de distância das sentimentais celebrações do papel humanitário do Exército norte-americano, como o infame "Os boinas verdes", de John Wayne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, sempre deveríamos ter presente que as áridas e realistas imagens do absurdo da guerra de "Guerra ao terror" turvam, tornando-o assim aceitável, o fato de que seus heróis estão fazendo exatamente o mesmo trabalho que os heróis de "Os boinas verdes". Em sua própria invisibilidade, a ideologia está ali, mais do que nunca: estamos ali, com nossos rapazes, identificando-nos com seus medos e suas angústias, em vez de nos perguntarmos o que ele estão fazendo ali. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tradução de Moisés Sbardelotto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-8853708481313026678?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/8853708481313026678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/03/boinas-verdes-com-rostos-humanos-artigo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/8853708481313026678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/8853708481313026678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/03/boinas-verdes-com-rostos-humanos-artigo.html' title='Boinas Verdes com rostos humanos. Artigo de Slavoj Zizek.'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S61uFt6t5jI/AAAAAAAAAIw/kyV2wRO5Fe4/s72-c/Zizek+II.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-2525623311726077789</id><published>2010-03-25T06:21:00.000-07:00</published><updated>2010-03-25T06:39:38.876-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luiz Werneck Vianna'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>''A sociedade brasileira, hoje, é grão-burguesa''. Entrevista com Luiz Werneck Vianna</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S6tmcnN7fGI/AAAAAAAAAIg/dWCf0L8b1O8/s1600/V1CA3BP6UACAWR8G5HCAOTU5SFCAUOQ2NBCAO86KSLCADT2TQCCATGTPVPCAO741T4CA3ECNMDCAEJN9BHCAW37V96CAMV4YNDCAIERD3WCAGKOQIWCA6VNV2WCAFEE20ECAMIPADWCA20ZYLO.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452564415611894882" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 70px; CURSOR: hand; HEIGHT: 128px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S6tmcnN7fGI/AAAAAAAAAIg/dWCf0L8b1O8/s400/V1CA3BP6UACAWR8G5HCAOTU5SFCAUOQ2NBCAO86KSLCADT2TQCCATGTPVPCAO741T4CA3ECNMDCAEJN9BHCAW37V96CAMV4YNDCAIERD3WCAGKOQIWCA6VNV2WCAFEE20ECAMIPADWCA20ZYLO.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Na entrevista a seguir, Luiz Werneck Vianna, um dos grandes nomes da sociologia política brasileira, defende que o capitalismo nacional passa por uma reestruturação relevante. Segundo o sociólogo, o que hoje unifica o país é "um projeto expansionista burguês com vocação grã-burguesa" em nome do qual a política, em certo sentido, é a grande sacrificada. Para entender esta e outras afirmações, leia abaixo a entrevista, de fortes posicionamentos, do sociólogo brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira a entrevista.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - O capitalismo brasileiro está passando por uma reorganização? Quais são as principais características desse processo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Luiz Werneck Vianna&lt;/em&gt; – Penso que passa, sim, por uma reestruturação relevante, que já vinha acontecendo, mas que assumiu outro ritmo. Diria que isso traduz uma política no sentido de aprofundar o processo de concentração e de centralização de capitais no país. Estão aí as fusões da Oi, do Unibanco com o Itaú e outras importantes que se referem ao setor industrial. Trata-se de uma passagem para uma dimensão superior do capitalismo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O capitalismo no Brasil consiste, hoje, em um empreendimento extraordinariamente bem sucedido, e o governo Lula tem tido muita responsabilidade e iniciativa na realização desse projeto. Diria que, além disso, a sociedade brasileira, hoje, não é apenas uma sociedade burguesa, é uma sociedade grão-burguesa, como atesta a expansão das empresas brasileiras no exterior, não só na América Latina como na África. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Transcendência &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O capitalismo brasileiro transcende as suas fronteiras nacionais. A sua política externa, hoje, está a serviço disso. Ela não apenas atua na defesa do território, da identidade nacional, mas diria que, sobretudo, está presente na expansão econômica do país. Isso se manifesta através de diferentes empreendimentos. Do ponto de vista cultural e universitário, essa universidade que acaba de ser criada no Mercosul é mais um indicador dessa presença ampliada da política brasileira em relação ao seu mundo exterior. Essa política traduz o fato capital de que o capitalismo brasileiro tende a se projetar para fora dos seus limites nacionais, assumindo uma vocação internacional. Denomino essa política de grão-burguesa, que está sendo referendada e apoiada por políticas de Estado. Nesse caso, as estatais têm desempenhado um papel muito importante, alavancando essa política de concentração e centralização de capitais e de lançamento do capitalismo brasileiro no mundo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - Além das estatais, qual é o papel dos fundos de pensão nesse processo? São eles os “pilares” dessa reestruturação? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Luiz Werneck Vianna&lt;/em&gt; – Também. Na verdade, dessa pergunta podemos deduzir a resposta. Se pensarmos na questão dos fundos, é complicado, porque eles atestam que esse movimento não se limita às elites econômicas da indústria, do agronegócio e está envolvendo também, no mínimo, a vida sindical. Basta olhar para a composição desse governo, onde todas as classes e frações de classes se encontram representadas. O agronegócio é um personagem-chave desse Estado brasileiro de hoje, assim como o mundo das finanças, dos serviços, da indústria. Os sindicatos também estão presentes, principalmente as centrais sindicais. Para que não fique só nisso, movimentos sociais que dizem respeito às questões raciais e de gênero também se encontram instalados no interior desse Estado. Na verdade, isso reedita, em um plano mais largo, mais fundo, em outras circunstâncias, o que foi o Estado Novo da época Vargas. Escrevi, há um ano, um pequeno ensaio, dedicado a esse assunto, em que tentava demonstrar que o funcionamento dessa máquina estatal compósita e heteróclita só vinha funcionando a contento em razão da presença do seu grande articulador, que é o Presidente da República. Sem ele, será muito difícil preservar a harmonização de contrários que hoje caracteriza o governo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - Assiste-se a uma reconfiguração de classes ou frações de classe a partir desse fenômeno? Se sim, que classes surgem? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Luiz Werneck Vianna&lt;/em&gt; – Ainda percebo as velhas classes brasileiras em processo de diferenciação. A representação associativa e sindical delas é muito poderosa, incluindo o MST, mas, infelizmente, suas ações não têm atuado no sentido de uma vitalização do tecido político, muito afetado pela sucessão de escândalos que o tem fragilizado. A intervenção da vida associativa e sindical, ao invés de procurar o espaço da sociedade civil, tem dado preferência a agir no interior do governo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Essa reorganização do capitalismo pode desestabilizar as forças políticas do país? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Luiz Werneck Vianna&lt;/em&gt; – Desestabilizar, não, mas elas já tiraram muita força da política institucionalizada. Essas grandes corporações têm tido um peso muito forte e independente dos partidos, e elas estão no governo e nas câmaras do Estado. Enfim, a política é a grande derrotada nesse processo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - Como avalia o Estado enquanto investidor e financiador de grandes investimentos como as obras do PAC? O Estado deve ou não intervir na economia desta maneira? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Luiz Werneck Vianna&lt;/em&gt; – O Estado é como a central de inteligência de todo esse processo, na medida em que é ele que orienta o movimento de expansão da ordem burguesa e de concentração e verticalização do capital, de racionalização do sistema produtivo e se empenha em otimizar todas as possibilidades de expansão internas e externas. Mas ele não está atuando acima das partes. Não se trata de um Estado patrão como na construção clássica do bonapartismo de que Marx tratou no 18 Brumário. Na verdade, o que há é uma associação, uma vinculação entre política e economia, governo e empresas, governos e atores políticos e empresariais, que, juntos, no Estado e no governo, implementam essa política. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; -&lt;strong&gt; Esse projeto é positivo ou negativo para o país pensando num projeto de nação a longo prazo? Quais as implicações sociais e econômicas da reestruturação do capitalismo? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;Luiz Werneck Vianna&lt;/em&gt; – Esse projeto é um aprofundamento da experiência burguesa brasileira, inclusive, encarando a questão social de frente. Ao mesmo tempo em que tutela os movimentos sociais, mantém a sociedade desorganizada, com políticas de clientela de massa. Por onde a política vai passar? Ela tem passado por esse “parlamento” das grandes corporações, que tem sua sede no interior do próprio governo. Então, o ministro da agricultura pode perfeitamente conviver com o ministro do meio ambiente e o do desenvolvimento agrário. Cada um deles é portador de interesses determinados, mas esses conflitos são retidos no interior do governo, e apenas residualmente se manifestam no plano da sociedade. O que está unificando o país hoje é um projeto expansionista burguês com vocação grão-burguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na questão social, a incorporação social aumenta, as políticas se tornam mais abrangentes, embora sejam lastimavelmente de pouco alcance. A educação é de péssima qualidade, e não há indicadores de mudança próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - E o que dizer do fortalecimento do sistema financeiro nacional? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Luiz Werneck Vianna&lt;/em&gt; – Conforme se observa, o sistema financeiro está cada vez mais concentrado. O fato de o Banco do Brasil ter passado bem nessa prova de fogo que foi a crise de 2008 veio reforçar esse processo de concentração. Com a forte representação que tem o presidente do Banco Central, na política brasileira de hoje, o sistema financeiro conseguiu de fato, embora isso ainda não tenha expressão legal, a autonomia do Banco Central quanto aos decisores políticos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - Que Brasil está se configurando após o segundo governo Lula? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Luiz Werneck Vianna&lt;/em&gt; – Sem dúvida, pelo prisma social é uma geração perdida. A sociedade está mais organizada, educada? Definitivamente não está. Sua economia está mais vibrante, potente? Está, sem dúvida. O Estado brasileiro está forte? Está. Então, temos que fazer esse balanço. Os resultados dependem muito dos valores de quem realiza esse balanço. Eu gostaria de ver uma sociedade mais organizada, instituída, mais potente, com partidos fortes, representativos, com sindicatos autônomos, com movimentos sociais desvinculados do Estado, com um processo de discussão amplo, aberto às raízes da vida social. A minha opção seria essa. Mas o mundo gira do jeito dele. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Dependendo do resultado das eleições deste ano, o atual modelo econômico pode mudar?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Luiz Werneck Vianna&lt;/em&gt; – Dilma e Serra têm perfis muito parecidos. Vejo dificuldades para a preservação desse modelo, mas algo dele vai subsistir.&lt;br /&gt;Tome, por exemplo, a questão da legislação social e trabalhista, onde há projetos que se antagonizam na sociedade. Todos esses conflitos latentes muito poderosos vêm sendo administrados no sentido de serem resolvidos no interior do governo. A questão toda é que quando isso não for possível, quando esses conflitos tomarem as ruas, quando cada lado procurar se impor na sociedade pela sua capacidade de pressão e intervenção, não haverá o Lula para administrá-los. Na mesma direção está a questão da reforma tributária, a questão agrária e todas as outras. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entrevista publicada pelo &lt;a href="http://http//www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_entrevistas&amp;amp;Itemid=29&amp;amp;task=entrevista&amp;amp;id=30830"&gt;&lt;em&gt;Instituto Humanitas Unisinos&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-2525623311726077789?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/2525623311726077789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/03/sociedade-brasileira-hoje-e-grao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2525623311726077789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2525623311726077789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/03/sociedade-brasileira-hoje-e-grao.html' title='&apos;&apos;A sociedade brasileira, hoje, é grão-burguesa&apos;&apos;. Entrevista com Luiz Werneck Vianna'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S6tmcnN7fGI/AAAAAAAAAIg/dWCf0L8b1O8/s72-c/V1CA3BP6UACAWR8G5HCAOTU5SFCAUOQ2NBCAO86KSLCADT2TQCCATGTPVPCAO741T4CA3ECNMDCAEJN9BHCAW37V96CAMV4YNDCAIERD3WCAGKOQIWCA6VNV2WCAFEE20ECAMIPADWCA20ZYLO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-2168651202410164699</id><published>2010-03-24T07:19:00.000-07:00</published><updated>2010-03-24T10:05:11.992-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ideologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PNDH III'/><title type='text'>PNDH III e o Jornal Nacional.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S6om6kYA4CI/AAAAAAAAAIY/I6-3wmZU2xs/s1600/glo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452213086524071970" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 78px; CURSOR: hand; HEIGHT: 116px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S6om6kYA4CI/AAAAAAAAAIY/I6-3wmZU2xs/s400/glo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;O tratamento dispensado pela mídia hegemônico - Rede Globo, Veja etc. - ao debate em torno do PNDH III é revelador dos ardis políticos e ideológicos desta, no sentido de colocar a chamada opinião pública contra o Plano, através da "denúncia" de supostos elementos autoritários - restrição da liberdade de expressão e de imprensa, ampliação do poder de intervenção do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que concerne aos ardis ideológicos e ao tratamento nefasto dado pelos grandes meios de comunicação, leia abaixo o artigo do professor da UNB, jornalista e sociólogo Venício A. de Lima publicado no &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=582JDB002"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;Observatório da Imprensa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;. No artigo, Venício expõe o parcialismo ideologicamente comprometido e a manipulação dos fatos realizado pelo Jornal Nacional. Confiram!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Excrescências" do direito à comunicação&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Por Venício A. de Lima* &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desde sua publicação no final de dezembro de 2009, o III Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) tem sido objeto de violenta campanha conservadora apoiada e, em parte, promovida pela grande mídia. O tema já foi tratado inúmeras vezes neste Observatório (ver, por exemplo, “A mídia contra a Constituição” e “A unanimidade reacionária”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra o III PNDH vale tudo: quem discorda de uma de suas propostas ataca o conjunto do plano, coloca tudo no mesmo saco, como se não houvesse distinção entre descriminalização do aborto e mediação de conflitos agrários. E, para o ataque à única diretriz referente ao direito à comunicação, são utilizadas até mesmo citações de propostas de “controle social da mídia” que simplesmente não constam do III PNDH (2009) e estão, ao contrário, no II PNDH (2002) [veja abaixo o texto integral da Diretriz 22].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Excrescências &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os opositores deram, agora, um passo à frente no vale-tudo de suas acusações: passaram a divulgar “afirmações” do ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) sobre modificações no III PNDH que, na verdade, nunca foram feitas.&lt;br /&gt;E mais: a presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) – a mesma que comparou o papel da entidade ao da deusa mitológica Atenas-Minerva, de ética questionável (ver “Atenas, a ANJ e a liberdade”) – chamou o III PNDH de “excrescência” [cf. "Ações contra tentativa de cercear a imprensa", O Globo, 19/3/2010, pág. 10).&lt;br /&gt;Excrescência é uma palavra feia que, na verdade, soa pior do que seu significado – segundo o Aurélio, "demasia, excesso, superfluidade". Aproveito a palavra utilizada pela presidente da ANJ para descrever algumas excrescências que estão sendo praticadas pela grande mídia no vale tudo contra o III PNDH.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Manipulação grotesca&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a reunião do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) em que foi apresentado o III PNDH, acompanhada por jornalistas, inclusive da Rede Globo, na terça-feira (16/3), o ministro da SEDH conversou com alguns repórteres. Reafirmou que havia disposição do governo de rever três pontos do III PNDH: defesa ao direito ao aborto, condenação do uso de símbolos religiosos em prédios públicos e criação de novos mecanismos de mediação de conflitos agrários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntado por um repórter do Estado de S.Paulo se "no capítulo da imprensa há algum reparo ou não?", o ministro respondeu literalmente:&lt;br /&gt;"No capítulo da imprensa não estamos fechados para fazer reparos. Agora, há pouco ainda relia, pela milésima vez, `definir critérios editoriais de ranking´, e não conseguimos nos convencer de que haja aí a menor intenção de censura a imprensa. Esse governo, por todos os seus ministros, pelo presidente, dezenas de vezes, reafirma que é absolutamente contra qualquer tipo de censura à imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente Lula declara: `Eu sou fruto da liberdade de imprensa´. Então, nesse sentido, foi interpretado como se fosse intenção de censura aquilo que é um chamamento à mídia para parcerias, para engajamento, das próprias entidades empresariais, dos sindicatos de jornalistas do Brasil inteiro, dos profissionais, para entendermos juntos as nossas co-responsabilidades. Então o que está dito lá é definir critérios editoriais de ranking, pra premiar, pra valorizar as boas matérias, como já há em inúmeras experiências, o prêmio Vladmir Herzog de jornalismo e Direitos Humanos; o prêmio da ANDI, e também no ranking, localizar, na programação, programas que eventualmente tenham conotação racista, de discriminação à mulher, que sejam homofóbicos. O Brasil já tem instrumentos, para esse ranking sendo feito, o MP, defensores, as autoridades constituídas tomarem as iniciativas adequadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, nesse sentido o ranking pode ser feito em parceria com as próprias empresas, elas podem ser convidadas a isso, seja com os Direitos Humanos, seja com o MJ, onde está sediada a classificação indicativa, seja no próprio Ministério das Comunicações. Então o que nós estamos fazendo no momento é fazer o diálogo sereno, o debate, explicando que não há nenhuma(...). E se houver uma argumentação de que determinado aspecto, determinada ação, das 521, 500 de grande acordo e polêmica em torno de 20, que merece reparo porque pode suscitar uma interpretação equivocada, também incluiremos esse reparo. [Transcrição da Assessoria de Comunicação Social da SEDH)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma noite, o Jornal Nacional da Rede Globo, deu a chamada: "O governo admite alterar pontos mais polêmicos do Programa Nacional de Direitos Humanos". No telejornal, o apresentador leu a seguinte nota coberta:&lt;br /&gt;"O secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, declarou nesta terça-feira que serão alterados quatro pontos do programa que provocou polêmica com setores da sociedade.&lt;br /&gt;Segundo Vannuchi, vai ser retirada do Programa de Direitos Humanos a parte que previa negociação de invasores de terra com uma comissão do governo antes de se recorrer à Justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O plano não vai mais tratar da descriminalização do aborto, nem da proibição de símbolos religiosos em prédios públicos. O secretário disse ainda que vai alterar a proposta de impor um limite à autonomia das empresas de comunicação. A versão final deve sair em abril [ver aqui].&lt;br /&gt;Os três pontos que poderiam ser alterados se transformaram em quatro, incluída a referência a uma “proposta de impor um limite à autonomia das empresas de comunicação” que, além de não ser especificada, também não foi mencionada na fala do ministro da SEDH.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, no dia seguinte, 17 de março, a matéria sobre o assunto publicada no jornal O Globo sob o título “Estamos dispostos a fazer correções”, cita os três pontos relacionados pelo ministro e não faz qualquer referência ao “quarto” ponto mencionado no JN [cf. O Globo, 17/3/2010, pág. 10].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Partidarização assumida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Após encontro na Fecomercio, que reuniu representantes da ANJ, da Abert e da Aner, e discutiu a possibilidade de ingresso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o III PNDH, no dia 18 de março [cf. "Ações contra tentativa de cercear a imprensa", O Globo, 19/3/2010, pág. 10), a presidente da ANJ – que é também diretora-superintendente do Grupo Folha – afirmou:&lt;br /&gt;"A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo, de fato, a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presidente da ANJ assume publicamente que os jornais estão desempenhando o papel de partidos de oposição ao governo, vale dizer, estão agindo partidariamente, e ainda justifica: a razão é que "a oposição está profundamente fragilizada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estratégia conservadora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Em artigo recente, o professor Laurindo Lalo Leal, da ECA-USP, escreveu com propriedade sobre a campanha conservadora contra o III PNDH, em particular, e contra as propostas relativas ao direito à comunicação. Para ele, a campanha faz parte de uma estratégia conservadora que é nossa velha conhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Elege-se um tema de impacto que tenha amplo apoio na sociedade e se atribui ao adversário a intenção de destruí-lo. No caso, a democracia e a liberdade de expressão. Dizem que o governo elaborou um Plano Nacional de Direitos Humanos propondo o controle social da mídia. Repetem isso à exaustão e passam ao ataque."&lt;br /&gt;Para aqueles que não se esquecem do passado é impossível não lembrar de situações históricas em que as bandeiras eram outras, mas a estratégia, a mesma. É exatamente isso o que está sendo feito hoje com o suporte e a participação da grande mídia e a liderança de suas entidades representativas: ANJ, Abert e ANER. Até onde se pretende chegar, não se sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escalada dos ataques, todavia, sobe a cada dia. E no vale-tudo para que se atinjam os objetivos, vale qualquer excrescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*)Venício A. de Lima é jornalista, sociólogo, mestre, doutor e pós-doutor pela Universidade de Illinois; pós-doutor pela Universidade de Miami; professor-titular de Ciência Política e Comunicação aposentado da Universidade de Brasília; fundador e primeiro coordenador do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da UnB, ex-professor convidado da EPPG-UFRJ, UFPA, UFBA, UCB e UCS, no Brasil, e das universidades de Illinois, Miami e Havana. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3628007186175197414-2168651202410164699?l=blogheterotopias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/feeds/2168651202410164699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/03/pndh-iii-e-o-jornal-nacional.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2168651202410164699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3628007186175197414/posts/default/2168651202410164699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogheterotopias.blogspot.com/2010/03/pndh-iii-e-o-jornal-nacional.html' title='PNDH III e o Jornal Nacional.'/><author><name>Alyson Thiago F. Freire</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07358931449603614183</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S0NidxpCT8I/AAAAAAAAAAM/zYKza4Js_Fg/S220/Light_and_Colour_(Goethe%27s_Theory)_the_Morning_after_the_Deluge.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S6om6kYA4CI/AAAAAAAAAIY/I6-3wmZU2xs/s72-c/glo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3628007186175197414.post-4929601550507873010</id><published>2010-03-22T19:14:00.000-07:00</published><updated>2010-03-22T19:25:30.040-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política Internacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><title type='text'>Para continuar a falar de política externa...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dEN-IunJix4/S6gk3KBZs7I/AAAAAAAAAIQ/4nequfGazD0/s1600-h/1WCAFYFI7XCAT2MCATCAY8I9SKCA1852OTCA0PKOY1CAA9KAQZCAKSY5QACAAB68HLCA5XSKOTCAHH0BUUCAA83UFRCAB0DKIBCAZAXCKFCAT3V3D8CA3F6D2NCA55520MCARXA40OCAU06ZJ1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5451647878933623730" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 124px; CURSOR: hand; HEIGHT
